Browsing Posts published in July, 2003

Deus e Graham Bell inventaram o telefone e o diabo junto com algum desgraçado inventou o 0800! Quer saber como uma empresa engana seus clientes maquiando que oferece um péssimo SAC (serviço de atendimento ao cliente)? Simples, cria um 0-800! Quem já não ligou para alguma empresa e ficou 30 minutos esperando? Você deve pensar “caramba tem muita gente ligando essa hora”, não seja bobo tem é poucos atendentes. Um site de San Francisco chamado FuckCompany oferece um serviço maravilhoso para a população americana, mostra para ela as empresas que não prestam. Eles trabalham como um consumidor comum: ligam para o 0800, entram no website, ou tiram dúvidas na própria empresa. E o resultado é quase sempre o mesmo, os serviços são uma verdadeira porcaria. E as “ganhadoras” recebem o irônico selo de des-qualidade: VeryBad (VeriSign) e NotWork Solutions (NetWork Solutions). Sacaneando as primeiras empresas a passar no teste FuckCompany, e vale lembrar que as duas são vistas no mundo todo como brilhantes. E como tudo hoje em dia é globalizado, inclusive as coisas ruins, as empresas brasileiras não poderiam ficar de fora e exportaram a melhor forma de irritar seus clientes; trouxeram prá cá o 0800 e o infeliz 0300 (você paga para se irritar). Afinal elas não estão nem aí prá seus consumidores, querem é dinheiro. Tadinhos não aprenderam no primeiro semestre de Administração que a maneira mais fácil de ganhar dinheiro é agradando seus clientes. Da próxima vez que você presenciar algum sistema fuleiro desses, lembre desse texto e joge seu telefone na parede, ou faça um escândalo e chame a polícia! E nunca esqueça dessa dica, no caso das operadoras (o pior serviço de todos) ligue para a ANATEL, eles irão resolver o seu problema imediatamente. Sabe porque? Porque a multa é muito alta! E como eu já disse, eles só pensam em dinheiro!

Roberto Pantoja (Demorô) 

A Artista Thalia

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Alguém lembra da Maria Do Bairro? Aquela novela brega que passava na emissora do não menos brega senhor do Baú, ele mesmo o Sílvio Santos. Então, a protagonista era uma latina de traços delicados e mais redondos que um taco. Hum… que saudade! Pois é, o tempo passou ela virou cantora, ficou menos brega, tirou duas costelas e com curvas ainda mais apimentadas. Gravou alguns discos em espanhol, fez um filme, e agora resolveu ficar mais rica, está cantando em inglês! Afinal quem não quer arrancar um dinheirinho do tio Sam? E o que ela fez? Maria Mercedes criou uma parceria com o rapper meia-boca Fat Joe (não por acaso tem um nome tão largo), que é um desses que cantam com um sabonete Dove na garganta. Mas sem mais delongas, o negócio é que a senhorita Thalia, esse é o nome real da ditacuja, mandou muito bem; e seu primeiro single já está entre os primeiros na famosa lista Billboard (grandes merda). Afinal fez aquilo que a tadinha da Sandy deveria ter feito, mas não fez, gravou um hip-hop! E assim conquistou facilmente o público americano, mas você deve estar se perguntando: pelo amor de Deus qual é o nome da música? I Want You! E nós também, putzs que mulher! Agora perca seu tempo escutando aqui no site, essa música que já está tocando nas melhores rádios da cidade. Incrível né! 

Roberto Pantoja (Demorô)

Multas De Trânsito

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Imagine pagar um preço absurdo por um produto que não lhe proporciona o prazer desse gasto. Esse é o caso das multas de trânsito, você paga entre 80 e 570 reais e não entende o porque disso. Nem você e nem ninguém, seria compreensível pagar o dinheiro que fosse se as ruas da nossa linda capital tivessem: pistas com concreto armado, sinalização moderna, serviço de socorro técnico, educação de trânsito na mídia, etc. Um erro no trânsito não tem preço e é grave, mas já que o governo coloca um, podia pensar no histórico desse erro, na educação que ele não proporcionou ou nas campanhas que ele não fez. Mas pense bem, dinheiro nunca é demais quando o produto lhe oferece prazer, o cliente está satisfeito e pronto, se isso não fosse verdade não existiria marcas como Ferrari ou Louis Vuitton. Talvez algum espertinho comente que multa é multa e não tem a ver com prestação de serviços, tudo bem; mas as multas ultrapassam a quantia possível que uma família de classe média pode pagar. Prá você que lê esse artigo esse dado pode ser exagerado, mas a realidade no nosso país é pior que essa. Nossas multas são também um reflexo do nosso país, nos oferecem todo dia um serviço de merda e nos cobram muito por ele, afinal o Brasil está entre os dez países com o maior imposto de renda do mundo. E me respondam, cadê: escolas públicas de qualidade, universidade para todos, hospitais, ajuda financeira para população carente, etc? É idiota pensar que “não adianta discutir isso”, adianta sim, questionar sozinho é como jogar uma pedra num enorme lago, formam pequenas ondam que com o tempo atingem todo o lago. Acredite na sua opinião contrária, mude alguma coisa, faça você mesmo, a sua atitude vale sim e muito mais do que você possa imaginar. Não aceite pagar por um serviço mal feito, e page o dobro por um que vale a pena, aprenda a valorizar o que é bom e chutar o que é ruim.

Roberto Pantoja (Demorô)

Filme Carandiru

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Quem ainda não viu Carandiru está perdendo… Perdendo uma perfeita espetacularização do “massacre” (?) do Carandiru.Se o que aconteceu fosse tão apocalíptico quanto à estória do filme, eu daria meu dedo mindinho pra assistir de perto. E, melhor, daria a mão toda pra conhecer o doutor Drauzio que foi representado! Que homem! Que coração! Mesmo ouvindo as maiores atrocidades cometidas por seus pacientes, aquela alma caridosa e cheia de piedade não faz sequer um julgamento! Não tem sequer uma dúvida, nem mesmo uma opinião! Ou ele é muito santo mesmo ou, simplesmente, acéfalo! Esse é o doutor no filme: um exemplo de imparcialidade e ética! Uma salva de palmas ou uma boa gargalhada?! E o diretor do presídio? Um paizão, hein?! Tão preocupado com os presos e sua integridade… Se o Carandiru ainda estivesse de pé, passaríamos lá para dar lhe um tapinha nas costas! Depois de conhece-lo, todos nós ficamos mais tranqüilos com a possibilidade de ir pra cadeia, não é? Mas a “verossimilhança” do filme não pára por aí! Conheceremos os presos que, de tão humanizados, dá vontade de pôr no colo! Pobres coitados! Estupradores, assaltantes, assassinos, trambiqueiros… Resultado de uma sociedade injusta. Até então, o argumento tem meu apoio, mas e quanto aos “terríveis policiais”? Seus erros não são conseqüência da mesma injustiça? Ou por que o sujeito ganhou um distintivo, um salário ínfimo, uma enorme responsabilidade e uma gama de inimigos ele não tem a faculdade do erro? Espere aí! Enquanto um atira o outro foge das balas! E quem é quem? Você consegue determinar os papéis? Eu não! Quem é a vítima? O bandido atirando contra a policial? O policial atirando contra o bandido? Coitados, se eles parassem pra pensar o quanto são massacrados pelos grandalhões… É melhor que eles não pensem mesmo e continuem com essa brincadeira! Se não, para aonde vamos? Voltemos ao filme… Sim, pobres presos! Policiais malvados! Nenhum preso reagiu. Vou repetir: nenhum preso, entre as centenas que lá estavam, nenhum reagiu. Você acredita? Hector Babenco sim. Já basta? Ainda tem mais. O ápice do filme: a cena em que um preso, após ser ferido, agoniza em close. Detalhe: a luz passando através dos buracos de bala na parede resulta num incrível efeito celestial! Parece até aqueles quadros do Cristo Ressuscitado! Nota 10 para essa fotografia e, principalmente, 10 por incluí-la na edição do filme; afinal, também precisamos rir nas tragédias! Apesar dessas “pequenas” falhas, o filme encontra seu sucesso nas atuações e na cenografia! Destaco a atuação de Rodrigo Santoro como Lady Di, um transexual. O ator mostra sua versatilidade e prova que sua capacidade de atuação vai além de mocinhos. Wagner Moura como Dadá, um jovem viciado em crack, e Gero Camilo, o Sem Chance, ajudante do Dr. Drauzio, também mostram seu talento. Quem diz que cinema brasileiro é sempre artesanal vai se surpreender! A fotografia é realmente muito boa! De qualquer forma, vale à pena conferir! Mas tenha visão crítica, questione o que você viu e, principalmente, o que não lhe mostraram e não saia como a grande maioria dos espectadores: fazendo referências mordazes às mães de nossos “homens da lei”. 

Clara Alice