Tinha 13 anos e duas tartatugas. Maria Ilda e Athanagildo viviam em um aquário com aproximadamente 37 cm de profundidade e 60 de largura; muito conforto em meio a pedrinhas coloridas, plantinhas artificiais e uma criadora q os instruía muito bem. 

A ração, Aquavitarium Tartaruca, era controlada atravéz de sistêmicos horários; e a saúde dos bichinhos devidamente submetidas à visitas periódicas ao veterinário. Com todo esse cuidado amorozo e obcecado, Clara, de tanto se dedicar a Maria Ilda e seu parceiro Athanagildo, acabou por comprometer a vida deles. Ela, como uma boa pré-adolescente recém aflorada, se preocupava tanto, q um dia esqueceu de se preocupar! Maria Ilda, uma tartaruga quelônia delicadinha como todas as meninas, foi a primeira a falecer. Coitada! Maria Ilda passara fome, e não conseguiu manter a tão respeitosa saúde com aquele aquário que Clara deixou de limpar. Athanagildo, um quelônio forte, rei do aquário, a princípio não deixou-se abater. Fez de tudo para chamar a atenção de Clara, que mal percebeu que Maria Ilda se recolhera em seu caixo para uma “outra vida”… E lembrava desapontado, daquela que um dia lavou aquele aquário como se fosse seu próprio banho. 

Com toda essa tristeza que o corroia por dentro, Athanagildo foi ficando descrente da vida, não se alimentava mais, e não nadava como antes. 

A cada dia, Clara crescia, e passava a ter outras prioridades em sua vida até tomar uma doloroza decisão. Ela não encontrava mais sentido naquele aquário apenas com o Athanagildo. O amava muito, de fato. Mas entendia e sentia a tristeza que tomou conta do aquário e decidiu – matar Athanagildo!- 

No sábado, dia 14 de setembro, Clara acordou com a sua decisão crucial. Athanagildo, iludido, animou-se, achando que o aquário ia ser limpo naquela manhã, mas mal sabia que triste destino o esperava… 

Clara, pegou uma caixinha de fosforo, do tamanho suficiente para caber o forte Athanagildo, e o colocou lá dentro friamente. 

Athanagildo entendeu o que acontecia naquele momento. 

Com toda consideração e carinho, preparou toda solenidade para Athanagildo e o enterrou (dentro da caixinha de fósforo) na samambaia de sua mãe, que ficava na sala na posição em que o sol batia. 

“Tchau Athanagildo” – Foi a única coisa que Clara falou após enterra-lo naquela linda samambaia. 

Hoje Clara sofre de abatimento da consciencia, sofrimento agudo, inquietação, grande mau-estar psíquico e falta de tranquilidade. 

Ela matou um réptil da ordem dos quelônios, ovíparo. Mas não é só isso. Por tabela matou a samambaia, pteridófitas, cultivada como ornamental, e que ficou imprópria para o cultivo, por conta do enterro de Athanagildo. 

Clara Alice