Tsunami e nada mudou
Um desastre do outro lado do mundo, uma onda gigante! Tsunami. Milhares de mortos, e… daí? Me pergunto se alguém se preocupa com isso? Pelo o que eu sei nada mudou, continuo com a minha mesma rotina. O caminho pra minha casa é o mesmo e o sol continua a brilhar, quente como nunca. Verdade, o mundo agora está globalizado. Mas me pergunto se isso adianta de alguma coisa. A cem anos atrás provavelmente nem saberiamos de tudo isso, e o mundo continuaria como sempre foi. Nunca teriamos acesso a tantas informações. A NASA disse que o continente europeu moveu 1 cm, que a Terra saiu um pouco do seu eixo, que o dia ficou mais curto, etc… E não é que o céu continua azul! Isso já deve ter acontecido milhares de vezes em todas essas Eras que passaram, só que ninguém sabia. Essa é a diferença, só essa. Nada mais! Por isso que me pergunto se essa tal de globalização realmente afeta assim as nossas vidas. Hoje um desastre, amanhã tudo será como antes. Nosso globo ainda não é tão pequeno assim. Sim, vivemos num planeta gigante, mas mal saimos dos arredores de onde nascemos. Os pobres então, coitados, devem nascer e morrer a uns 50 quilômetros no máximo. Será que o mundo realmente mudou? Grande coisa ficar sabendo do gorila albino que morreu no outro continente. Caramba, realmente é muito bonito ver estudantes da UNB (Universidade de Brasília) arrecadando fundos para o Sri Lanka, mas não passa disso. É lindo, e só! É uma realidade muito distante, será que estou errado? Você consegue ver esse mundo todo aí? A sua vida é “globalizada”? Será que a sua realidade não é muito menor? Será que estamos preocupados com algo mais do que nós mesmos? Vai ver que o melhor mesmo seja virar as costas pra tudo e pra todos e descobrir que o mundo é tão grande, e a vida? Muito curta!
Roberto Pantoja (Demorô)
Bezerra da Silva morreu
Haaa aquele velho malandro! A cidade do Rio de Janeiro é mesmo maravilhosa. Tudo bem, cheia de violência. Mas também farta de belezas, e para todos os lados. É o único lugar do mundo que é bonito ser pobre. Uma vez um amigo disse que o pobre carioca é o mais feliz do mundo. Põe sua Havaiana arrumada com um prego, se pendura na janela do primeiro ônibus lotado e passa
a tarde tomando banho de sol com a sua nega. E a noite? Vai curtir um baile funk. É verdade, eles é que são felizes! É uma cultura linda, tipo exportação. Por isso que o Rio de Janeiro é a capital do “Brazil”. Sem dúvida o melhor e o pior do país. De um lado as favelas da Zona Norte, do outro a playboyzada da Zona Sul. Na verdade é tudo misturado, e todo mundo tem que se tolerar. Por isso que o carioca é malandro, e único. Aquele menino de 10 anos de língua solta e jeito de quem já sabe de tudo, cresce e continua igual. Nada como andar naquela calçada quente, ver uma bela mulata, um mendigo ali outro aqui, e sem dúvida voltar. Voltar sempre. O Rio é tudo isso, um lugar maravilhoso, a cidade mais bonita que já conheci. Uma homenagem a um dos maiores gênios que esse país já teve, Bezerra da Silva. Carioca, como o Brasil!
Roberto Pantoja (Demorô)

