Só compro CD Pirata!
“A pirataria custa bilhões em impostos aos cofres públicos!”. E assim começa a campanha contra o “mal” chamado pirataria! “Não compre, você está financiando o crime organizado!”. E assim por diante. Quem dá ouvidos? Afinal não vou pagar cinco vezes mais por o que não vale cinco vezes mais. Isso é errado? Então prove o contrário! Vivemos em um país que paga em salário dez vezes menos, cobra cinco vezes mais impostos, e temos que pagar três vezes mais pelos mesmos produtos. Isso é errado? Ninguém vai entrar nesse jogo contra a pirataria. Não dou a mínima se não estou ajudando esse país, afinal ele não me ajuda em nada! Querem me culpar? Estou contribuindo para o crime? Pelo contrário, estou dando trabalho a milhares de pessoas que nunca tiveram oportunidade, que são empreendedores, que lutam todos os dias. Ninguém zela por esses individuos, são esquecidos pela sociedade. E nos culpam também por dar esmola a miseráveis. Dou esmola sim. Estou acostumando mal essas crianças e mendigos? Eles vão trabalhar aonde? Fazer concurso público? Precisa de segundo grau. Vão estudar aonde? Em que escola? Em que faculdade? Na UNB? Na USP? Você já viu pobre nesses lugares? Não existe horizonte para essas pessoas, dou um real por dia, dou algo para comer. Isso é errado? O governo não faz a sua parte, e mascara suas políticas de Estado com cotas para negros, referendo para as armas e campanhas contra a pirataria. Tenho orgulho do meu povo, mas odeio o meu país!
Roberto Pantoja (Demorô)
Cego
A vida é mesmo feita de encontros e desencontros. Quantas pessoas especiais já passaram pela sua vida, quantas cretinas também? Pessoas que dariam certo, seria um relacionamento ideal e você seria muito feliz. Mas por obra do acaso, problemas pessoais, momentos errados, acabaram sumindo. Nunca mais ligou, nunca mais ligaram, e pronto acabou. Ficamos tristes, reviramos o passado, “nossa como poderia ter sido legal”. Já passei por isso dezenas de vezes, mas no final prefiro acreditar que era para ser assim. Talvez nem fosse, mas é melhor pensar que sim. São milhares de vidas paralelas, de destinos que poderiam ter sido cruzados, mas não foram. Talvez porque o futuro nos reserva algo? Acredito que o futuro não nos reserva absolutamente nada. Fazemos nossas escolhas e o futuro é o resultado disso, nada mais. Não existem previsões, só conselhos. Tentamos fugir da realidade, acreditando que entre o céu e a terra existe muitas coisas, mas não se chega muito longe por aí. E no final vejo que não deu certo somente porque não deixamos. E o melhor é não sofrer, e bola pra frente. Por isso acredito que devemos pelo menos dar a chance de acontecer, para qualquer um, de um desenrrolar, de uma história. E então tirar uma conclusão. Não deu certo? Ok. Mas para isso temos que largar esse sentimento cretino chamado preconceito. Então quando esbarrar em alguém, esqueça tudo que falaram e pelo menos dê a chance dele(a) se apresentar a você. Você não tem nada a perder, no máximo encontrar o amor da sua vida.
Roberto Pantoja (Demorô)
Lição de moral
Agora temos lição de moral até na TV. Propagandas dizendo o que é certo e o que não é. Esse é o papel do governo? Da sociedade? Da família? Conturbado esse mundo em que vivemos, não sabemos mais quem deve fazer o que. Os pais não tem mais tempo pro seus filhos, não podem educar, não dá tempo. Pronto esses indivíduos, eu e você, seremos criados pelo mundo. Seja isso bom ou ruim. Alguns terão sorte e quem sabe aprenderão valores. Outros não. A consequência? Vivemos cercados de animais, sem repeito e nem noção de nada. Quem tem culpa? Ninguém. O que podemos fazer? Com a vida que levamos não podemos fazer nada. Logo tudo virou um caos, exatamente como você está acostumado. Garotos apodrecendo em drogas, se matando a troco de nada. Aí que aparece uma ONG com boas intenções. Vamos levar mensagens positivas, vamos mudar o mundo. Ajude ao próximo, olhe para o lado. Abra a janela do carro. Mensagens na TV. Putzs pura ladainha.
Roberto Pantoja (Demorô)
Mesquinho
Percebem como o ser humano é mesquinho? Somos criados para sermos egoístas e egocêntricos, não pela família, mas pela vida. Só notamos e nos importamos com o que nos diz respeito. Nunca ajudamos ninguém, só ajudamos a nós mesmos. Damos presentes, pensando no que gostariamos de ganhar e no que vamos ganhar. Fazemos trabalho voluntário, com o subconsciente pensando somente na recompensa. “Veja como sou bonzinho, veja como ajudo sem ganhar nada”. É mentira? E quando ficamos bravos? Temos qualquer reação de acordo com o que pensamos ser o melhor para nós. É indiferente, é um sentimento meu e seu. Já pensei numa teoria, funciona assim: tudo que existe só existe de acordo com a nossa realidade. Ou seja, nada existe, nós criamos tudo ao nosso redor. Cada um tem o seu mundo. Tudo funciona de acordo com o que desejamos. E a cada dia que passa, e o quanto mais velho fico, mais certeza tenho disso. A maturidade é boa para tocar o foda-se e ser mais egoísta ainda. Se não gostou foda-se. Se tá incomodado vai embora. Se não sabe a respeito, não se intrometa. Se não conhece não enche. Foda-se tudo e todos. Parece ridículo, mas é a melhor coisa a fazer. Ou então vai ficar se culpando por coisas idotas criadas por pessoas idiotas, assim como eu e você. Não existe culpa, é tudo relativo, não se culpe por nada, é perda de tempo. Todo mundo erra, e quem valoriza o erro está apenas sendo egoísta. Está novamente pensando somente nele. Por isso as pessoas ficam o tempo todo querendo cuidar da vida dos outros, mas sempre pensando nelas mesmas. Se a minha(meu) amiga(o) tá triste, ela(e) me incomoda, ela(e) não é legal comigo, logo ela(e) deve se livrar desse problema. Entendem? O mundo sempre foi assim. Talvez com o tempo e com a idade as pessoas fiquem menos mesquinhas. Talvez.
Roberto Pantoja (Demorô)
Infelizes do amor
Pobre dos infelizes! Mendigando amor, na constante busca pela felicidade. E sabe lá se ela existe mesmo, e se o caminho estiver errado? Ser feliz é algo pessoal e subjetivo, como qualquer sentimento. Sentimento esse que nos amarra e nos atrasa a vida. Pense, quando estamos sozinhos, estamos assim por que “não queremos” ninguém. Nossa vida é: antes e depois de alguém. Percebem? Não existe nada além disso, por que não faz sentido. E por isso, nesse exato momento tem pessoas por aí gritando por carinho, por amor. Coitadas. Não aquentam essa vida injusta e vazia. Uma vida plena é uma vida com alguém? Será? Nos ensinaram isso, concordo. Tipo, “não fique sozinho, mas não dependa de ninguém”. Como assim? Não faz o menor sentido. Essa vida frenética e moderna não combina. E as coisas simples? Um olhar, um beijo, um sorriso. Nada nos satisfaz, tudo é pouco. Agora é: trabalhar, trabalhar, correr, correr, o tempo, o tempo. Esqueça tudo, desista de ser feliz, não tem tempo pra isso. Não tenha filhos, seja solteiro, não tenha vícios. Esse sistema não funciona, não é compatível com o que desejamos. Que confuso, como assim? Ficar sozinho, ou mendigar por alguém? O mundo que conhecemos nos coloca o tempo todo nesse dilema. Alguma coisa tem que mudar. Cadê a razão de viver? Cansei desse papo de viver, trabalhar e morrer. Queremos ser independentes, e quanto mais independentes mais infelizes somos. Ninguém pode viver sozinho, olhe para o lado. Não é Deus que faz estarmos aqui, presos, e ainda vivos. É a recompensa, e nesse mundo não tem recompensa! Ame e foda-se o mundo.
Roberto Pantoja (Demorô)
Jesse McCartney
Sabe aquele muleke, daquele seriado pop norte-americano “Summerland”. Pois então, ele se chama Jesse McCartney e lançou um cd. Isso, ele canta, também não sabia, e sabe o que mais? As músicas são de grudar no ouvido, é uma espécie de Justin Timberlake para teenagers, mais teenagers. Seja isso bom ou ruim? Claro que é bom. Tudo bem que esse tipo de música é meio superficial, e que faz parte da “indústria cultural”! Mas peraí, vamos deixar de papo new-hiponga. E acredite, existe sim beleza no pop, na música simples. Lembre-se pro resto da vida: menos é sempre mais. Tá bom já enrolei demais, curta esse som e a vida.
Roberto Pantoja (Demorô)

