Pobre dos infelizes! Mendigando amor, na constante busca pela felicidade. E sabe lá se ela existe mesmo, e se o caminho estiver errado? Ser feliz é algo pessoal e subjetivo, como qualquer sentimento. Sentimento esse que nos amarra e nos atrasa a vida. Pense, quando estamos sozinhos, estamos assim por que “não queremos” ninguém. Nossa vida é: antes e depois de alguém. Percebem? Não existe nada além disso, por que não faz sentido. E por isso, nesse exato momento tem pessoas por aí gritando por carinho, por amor. Coitadas. Não aquentam essa vida injusta e vazia. Uma vida plena é uma vida com alguém? Será? Nos ensinaram isso, concordo. Tipo, “não fique sozinho, mas não dependa de ninguém”. Como assim? Não faz o menor sentido. Essa vida frenética e moderna não combina. E as coisas simples? Um olhar, um beijo, um sorriso. Nada nos satisfaz, tudo é pouco. Agora é: trabalhar, trabalhar, correr, correr, o tempo, o tempo. Esqueça tudo, desista de ser feliz, não tem tempo pra isso. Não tenha filhos, seja solteiro, não tenha vícios. Esse sistema não funciona, não é compatível com o que desejamos. Que confuso, como assim? Ficar sozinho, ou mendigar por alguém? O mundo que conhecemos nos coloca o tempo todo nesse dilema. Alguma coisa tem que mudar. Cadê a razão de viver? Cansei desse papo de viver, trabalhar e morrer. Queremos ser independentes, e quanto mais independentes mais infelizes somos. Ninguém pode viver sozinho, olhe para o lado. Não é Deus que faz estarmos aqui, presos, e ainda vivos. É a recompensa, e nesse mundo não tem recompensa! Ame e foda-se o mundo. 

 

Roberto Pantoja (Demorô)