.

Aleluia

August 19, 2005 by admin  
Filed under Blog

Sexta à noite, um jantar para arrecadar dinheiro para profissionais da área de saúde. Para irem ajudar pessoas necessitadas em Guiné-Bissau, África. Uma parceria com a premiadíssima ONG “Médicos Sem Fronteiras”. Algo lindo, realmente tocante. Foi o que pensei, cheguei lá e já descobri que era o “jantar da igreja”. Tudo bem vamos lá. Cheguei atrasado e dei de cara com um pastor falando sobre a viagem. Primeiro disse que o país tinha diversos deuses, e que não existia uma bíblia traduzida na língua local. E daí? Depois disso o jantar virou missa e a ajuda humanitária virou “missão”. Até rezamos antes de comer, abaxei a cabeça de vergonha. Resumindo, disseram que ajudariam com apoio médico e espiritual, iriam levar fé. Levar fé? Essa foi de doer. Escutei tudo aquilo e fiquei triste. Naquele momento aquele programa humanitário não me interessava mais, parecia mais uma grande hipocrisia. Para começar podiam começar ajudando os moradores do lixão na estrutural, aqui em Brasília mesmo, é mais perto. E acreditem a situação deles pode ser pior. Depois, esse papo de fé me faz lembrar a Idade Média. Quando a igreja católica desembarcou no Brasil no seu descobrimento, e trouxe essa mesma “fé” para os índios. Alguma semelhança com o nazismo? Absurdo? Pensem bem, todos esses exemplos querem impor uma cultura dita como superior. No que Hitler acreditava? Na superioridade da raça ariana. Correto? Principalmente na superioridade das suas crenças. Se Hitler tivesse nascido na Nigéria, iria impor a superioridade da raça negra e nos seus rituais. O resto, lógico, seria considerado inferior. Simples assim. Subjulgar uma raça e suas crenças é um absurdo. Guiné-Bissau não é pior por não ter uma bíblia traduzida, ou por seus habitantes falarem em dialetos. Isso é a cultura deles. Deve ser respeitada, nenhuma cultura ou raça é superior a outra. Isso é um crime contra a humanidade. Deveria dar cadeia. E geneticamente falando não existe raça, somente culturalmente. Impor uma cultura, uma crença é algo abominante. Incrível que existem coisas desse tipo nos dias de hoje e bem aqui em Brasilia. Isso é um atraso, faz de uma causa tão nobre se tornar um motivo irrelevante. Morrer de AIDS, fome ou pisando em minas terrestres parece pouco. Aleluia! 

 

Roberto Pantoja (Demorô)

Fulgás

August 19, 2005 by admin  
Filed under Blog

Como a vida é fulgás. “Podia meter uma bala na sua cabeça”! Cinquenta e poucos anos, a maioria dos cabelos já cairam. Quase um careca, quase. Uma BMW branca, provavelmente zero. Uma fechada, luz alta, começa uma perseguição. Entra no estacionamento pago, dá meia volta, para em frente. “Você é louco? Me fechou”! Não sai do carro, olha feio, uma criatura patética. Um pouco de arrogância, um pouco de estupidez. Uma barriga respeitável. Em resposta uma cara de dúvida, “o que diabos é isso”? Mas em silêncio, só em pensamento. Sem resposta, sem a sua resposta. Fica a raiva, liga o carro novamente e vai embora. Sai do estacionamento. Pago. Andou por um quilômetro sem razão, sem uma razão. Mudou seu rumo, desfez seu caminho. Entrou num estacionamento pago, e não ficou lá, nem ia. Em troca de quê? Fica a pergunta. Fica a dúvida. Engraçado, trabalhamos trinta, quarenta anos. Os cabelos caem, o corpo cai. Ao custo de muito suor (ou pouco) compramos um bom carro. “Esse é o meu carro.” Quanto trabalho, chegou finalmente a recompensa. Tanto trabalho, tanto esforço, agora sim. Uma casa linda, um carro dos sonhos. “Se você batesse no meu carro…”! Pra quê? Pra quê tudo isso? Pra quê um carro dos sonhos, pra quê uma casa com piscina? Pra quê? Pra desviar um quilômetro? Perder cinco minutos da minha vida? Tenha dinheiro, ganhe muito dinheiro. Mas só pra você lembrar que ele não faz a mínima diferença para você. Um bem material não vale de nada, tenha muitos bens, mas não dê valor a nenhum deles. Seja feliz, só isso. Transmita isso. Passe isso. Fique rico, só pra lembrar que você não precisava. E se baterem no seu carro, e daí? É só um carro. Tenha dinheiro, tenha um carro, tenha um seguro e pronto. A vida é mesmo fulgás. 

 

Roberto Pantoja (Demorô)

Fútil

August 19, 2005 by admin  
Filed under Blog

Pense bem, é verdade somos realmente fúteis. Sim, eu e você. Porque? Nossas vontades, necessidades básicas, são ridículas. Fazer dieta, comprar uma roupa legal, malhar, ser saudável, etc. Parece incrível, mas isso é tão idiota e fútil. Vivemos um mundo que 90% da população é pobre, logo nem imagina o que seria cuidar da saúde. Usar azeite prensado à frio? Menos calorias? Macarrão tem carboidrato? Isso não existe pra maioria das pessoas. Imagina então coisas mais segmentadas. Diesel? Von Dutch? Nem pensar. Falo isso porque chego da academia, como salada e carne, afinal cortei ao máximo aos carboidratos, e penso no que vai rolar no final de semana. E depois de você me achar um idiota, pense bem se a sua vida é tão diferente assim. Talvez você pense no barzinho, ou no show, ou na peça, ou no cinema. E final? Da no mesmo, são vontades, desejos. Nada básicos. O mundo é moderno e cheio de consumismo, e eu adoro isso! Mas será que está certo? Uma coisa que só poucos tem acesso é mesmo justo? Adoro o mundo que vivo, fazer compras, ter desejos. Mas esse mundo é muito restrito, e para poucos. É a voz da maioria? Quem dita as regras? Existe em algum lugar do mundo democracia? Sempre pense nisso. Ou então somente as vezes, quem sabe. Quer saber, esqueça isso. É melhor assim. Eu sei. 

 

Roberto Pantoja (Demorô)

Genética

August 19, 2005 by admin  
Filed under Blog

Pensem bem, é uma lógica bem simples! O que os pais querem para seus filhos? O melhor. E o que é o melhor? Na maioria dos casos, o melhor é aquilo que os pais já são. Aquilo que eles atingiram. Mesmo que isso seja ridículo. Acreditem o pedreiro gostaria que seu filho fosse pedreiro, o físico nuclear também almeja que seu filho seja um. Esse raciocínio funciona proporcionalmente aos bens e respeito dos seus pais. Quanto mais dinheiro e respeito eles tiverem, mais eles vão querer que você seja igual a eles. Então vamos montar uma história. Você nasce, estuda, estuda e estuda muito. Para que? Para chegar no patamar dos seus pais, pelo menos é o que se espera. Algo como morar no mesmo bairro, ter a mesma qualidade de vida e etc. Isso independe se você for um magnata ou alguém de classe média baixa. Lembra do raciocínio? Alguém de classe muito baixa não entra no raciocínio. Agora te pergunto. E se você quiser ser melhor do que isso? Se você quiser morar em um bairro melhor? Se você quiser ser pior do que isso? Cabe a você essa decisão, certo? E provavelmente isso só ira acontecer se você não seguir os passos dos seus pais. É óbvio? Para crescer, ou não, tem que desviar desse caminho. Continuando… Se os seus pais acreditam numa “bagagem cultural”, como quase todos. Logo acreditam que quanto mais estudar, mais longe vocês irão. Mas é incrível como isso não se encaixa com o mundo moderno. Foi-se o tempo que o seu conhecimento valia alguma coisa, talvez tenha até algum reconhecimento. Quem sabe você ganhe um prêmio Nobel junto com um milhão de dólares, quem sabe? E é incrível como isso incomoda as pessoas. Incomoda porque elas não enxergam o óbvio, não conseguem olhar ao seu redor, olhar o mundo. Como tudo mudou e mudou muito. Antigamente quanto maior era o seu currículo maior era o seu respeito, hoje o que importa é a sua conta bancária e nada mais. Se você fez o primeiro grau e mora numa mansão, você é respeitado. Se você é um advogado e mora num buraco, é um fracassado. E isso incomoda ainda mais aquelas pessoas que tem a cabeça no passado. Passado glorioso que valorizava o que elas acreditam. E inventam desculpas e mentiras para justificar suas vidas. Não são capazes de olhar o que está na frente delas. Imagina o quanto é triste para essas pessoas descobrirem que tem amigos, ou não, com menos estudo, ganhando mais! Dez, cem, mil vezes mais! “Sacanagem! Isso não tá certo!” E basta observar para descobrir que estamos cheios de exemplos assim. Existem milhares de gênios no mundo com uma “bagagem cultural” centenas de vezes superior ao de Bill Gates. Mas quem é o mais rico? E quem vai ficar para eternidade? Engraçado? Injusto? Talvez. Alguém da a mínima se é injusto? Então morra com seus ideais, provavelmente na miséria. As coisas são como elas são. Voltando… Pode apostar, no mundo a maioria das pessoas são estúpidas. É raro alguém que estude, lê livros, se empenhe. Então também é fácil estar na frente, culturalmente, de um monte de gente. E aí você descobre que tem muito mais potencial do que: seu chefe, seu vizinho rico, seu prefeito, seu presidente e etc. E aí talvez você entenda que o mundo realmente mudou. E que hoje você pode sim chegar a qualquer lugar, a qualquer posto e muitas vezes desempenhando um papel melhor. Entenda que nem todo mundo precisa ser um gênio, o primeiro da turma, o primeiro colocado, o melhor do mundo! Entender isso é melhor do que ficar inventando que o cara que se deu bem foi porque: matou, robou, transou com o chefe, vendeu drogas, vendeu a alma ao diabo, é um infeliz, é na verdade um gênio, já nasceu em berço de ouro, já tinha dinheiro, teve sorte, conhece alguém, fez mutreta, etc… 

 

Roberto Pantoja (Demorô)

BlogBlogs.Com.Br