Sinal de trânsito, pé preto, sinais das queimaduras do asfalto quente, muito sujo, suado, pobre. Algumas Mercedes paradas, janelas fechadas, olhares distantes. É melhor fingir que nada acontece, seguir em frente, a vida continua, antes ele do que eu. Tenta uma moeda, um olhar, uma atenção. Ninguém dá a mínima. Pedintes na rua se tornou algo comum, corriqueiro, nosso dia a dia.
Tudo isso acontece em pleno Lago Sul, bairro nobre de Brasília. Nos tornamos róbos, desumanos. Cadê aquele papo de irmão, de amar o próximo? Aquele papo de domingo na igreja? O problema não está em não ajudar ninguém e só pensar em si próprio. Afinal faça o que bem entender, isso é uma preocupação só sua. O problema mesmo é fingir que é catôlico, que se importa, que não é racista, que não é machista. O Brasil é exatamente assim, o país da hipocrisia. Seja um cretino, só não esconda de ninguém.
Roberto Pantoja (Demorô)
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