Daniel trabalha seis horas por dia, tem o fim de semana inteiro de folga, trabalha pouco, não faz esforço mental nenhum. E ganha 2.500 reais. Só tem o primeiro colegial, mas tem planos de concluir ainda esse ano e entrar no curso de Administração em alguma faculdade particular. Daniel tem o emprego dos sonhos: é flanelinha! Fica o dia inteiro vigiando e lavando carros. Quando escuta “vai trabalhar vagabundo”, rí baixinho, “se ele soubesse que ganho mais que ele”. Já lhe ofereceram vários empregos, ele comparou e não larga sua “profissão” por nada no mundo. “Ganho mais que doutor! Hahaha!”. Essa é a realidade brasileira: o trabalho na informalidade. Ganha-se bem e não se paga imposto. E por que pagar imposto? Alguém vê resultado? E assim anda o Brasil, com muitas taxas e poucas oportunidades. Que obrigam à população a desobediência civil. Se não tenho escola, nem saúde, nem nada, porque vou encher a boca do Leão? A sociedade não pode depender desse governo, temos filhos para criar, para alimentar, contas a pagar. E assim vive grande parte da população, na clandestinidade. E quem somos nós para julgar? Alguém discorda? Temos é inveja de Daniel. 

 

Roberto Pantoja (Demorô)