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Reguffe: votar ou não votar?

August 19, 2006 by admin  
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Mais uma segunda-feira, dia chato como outro qualquer, e ainda existem pessoas que acreditam que o trabalho dignifica o homem. Meu Deus. Um amigo chama para conhecer Reguffe, já até ouvi falar que é político. Mais que isso não sei nada. Estava marcado para as oito horas da noite, na hora marcada estava lá. Despreocupado, de Havaiana, sentei bem na lateral do palco, idéia infeliz do tal amigo. Primeiro descubro que Cristovam Buarque apóia Reguffe, ponto pra ele. O discurso do ex-minitro da educação já valeu a palestra. Olho para os lados, e vejo uma platéia eclética, de seguranças a promoters. Visivelmente todos amigos, uma platéia fiel, se Reguffe falasse qualquer besteira provavelmente aplaudiriam de pé. Então começa seu discurso. Lindo, emocionante, quase caiu uma lágrima. E ele disse que era a única esperança, que lutaria contra tudo e todos, que faria sim a diferença, etc… A platéia vibrava, comovente. Incrível. Esses discursos me parecem livros de auto-ajuda, quando se lê o primeiro se acredita em tudo. Mas quando se passa do vigésimo… começa a contestar “não é bem assim”. Pergunto-me se sou bobo ou esperto demais. A primeira opção me cai bem, admito, mas existe uma grande diferença entre ouvir e escutar. E me pergunto: Reguffe ou é idealista ou inocente demais? Acho maravilhosa a luta do exército de um homem só, que um grão de areia faz a diferença, mas depois da quarta série começa a se desconfiar dessa história. Pura utopia. Afinal, a política é sim feita de interesses: de grupos financeiros, industriais, evangélicos, sindicatos e etc. E infelizmente nada (e nunca) vai mudar isso. Pra se fazer acontecer tem que fazer parte do jogo, e dessa maneira influenciar e mudar. É preciso ser corrupto para isso? Acho que talvez não. Reguffe diz que sabe de tudo isso, mas mesmo assim vai ser um representante do povo na Câmara, e vai ficar sempre atrás de seus ideais. No final todo mundo aplaudiu de pé, exatamente como previ, e olha que não leio mãos. Achei lindo, tudo lindo. E vou sim votar nulo. Votar em Reguffe? Alguma coisa vai mudar? Não.

 

Roberto Pantoja (Demorô)

Grand Theft Auto (GTA): São Paulo

August 19, 2006 by admin  
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Dezenas de mortos, São Paulo uma cidade sitiada. Não que isso seja uma novidade, afinal a cidade já é tomada por grupos criminosos há muitos anos. Existem máfias de todos os cantos do mundo: máfia japonesa (Yakusa), chinesa, italiana, russa, etc. É mesmo uma cidade cosmopolita, tem bandido do mundo inteiro. E a desigualdade? São Paulo é um bolsão de miséria com pontos de riqueza absoluta espalhados como alfinetes em um mapa. Daslu, Fasano, Hotel Emiliano, etc. De um lado da rua um mendigo paraibano, procurando no lixo o que comer, no outro um príncipe inglês comendo caviar iraniano. Acredito que isso só exista em São Paulo. Se isso é bom? Nunca. E então que a maior facção criminosa do estado resolve tomar o controle do Estado. O PCC mostra o que já era óbvio, tem o poder de fazer o que bem entender. Contestado mata dezenas de policiais, bombeiros, e qualquer membro que represente o Governo Federal. O medo aumenta um pouco, antes era impossível sair de casa depois das dez da noite, agora depois das oito. E o cidadão se torna mais uma vez refém da violência. Esse fato é na verdade muito interessante, pois mostra na prática uma tendência mundial, a descentralização do Estado. A cada dia os governos perdem seu poder. E esse poder fica na mão: de ONGs, de organizações criminosas e do próprio indivíduo. Que paga escola particular, hospital privado, tem carro e contrata um segurança para sua residência. Esse ocorrido é só um exemplo sujo dessa realidade. Se preparem, pois isso é só o começo. Haaa! 

 

Roberto Pantoja (Demorô)

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