O meu texto preferido é o J4 – O ser humano preguiçoso, de Lucien Sfez.
Justificativa:
Auto-identificação, sobremaneira. A “humanização” das máquinas é mostrada de forma bem-humorada mas não menos fidedigna. O computador do usuário tanto lhe serve, tanto possui programas e arquivos por ele adorados/usados, que é como se fosse um belo pedaço do próprio ser. Qualquer problema de ordem estritamente técnica pode fundir a cabeça do usuário. Serve-lhe como uma amputação temporária. Ele se sente débil e oco. Incapaz das tarefas mais simples. Não pode mais falar com a namorada via MSN Messenger, só que se esquece do telefone. Não ouvirá as MP3 de Grateful Dead, porém sua demência o pôs cego para o detalhe de que seu som (e o CD da banda) estava ali. Seu trabalho da faculdade, agora já era; e olha que o professor tinha deixado fazer à mão (“é que não tem mais o Google para pesquisar!”). Fica-se apático, entregue. Parece o luto pelo fim de um relacionamento ou morte parental. O pior é saber disso e se deixar levar assim mesmo. O usuário se torturará e se auto-flagelará pelas supostas horas e horas perdidas até o conserto. Isso por mais que houvesse um livro encalhado na estante esperando sua leitura. Prostrar-se-á na cama, que é melhor. Usará o PC mentalmente. Mesmo que diante do Windows o sujeito seja improdutivo, a sensação de reutilizar seu micro será a de parir um – lindo – filho. A que ponto chegamos: a indolência auto-sugestionada. Cair a conexão ou desligar o aparelho numa trovoada parece – de fato – as Trevas: o retorno à Idade Média. [baseado em fatos reais]
Wormsaiboty