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Me escutem: sou amador!

August 23, 2007 by admin  
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Presidente Lula em cima do palanque, discursando com a sua maior marca registrada, o português errado. Todo engravatado, barba feita, terno da moda, mas com a mesma essência, a de um semi-analfabeto. Tudo bem ele é esperto, muito esperto, afinal é o presidente e não eu. Logo começa seu discurso, seguido por muitas vaias. A primeira reação fica por conta de um assessor, muito irritado, faz pouco caso das vaias. E depois para a surpresa de muitos, não para a minha, o próprio presidente aponta e ridiculariza os manifestantes. E usa como argumento alguma de suas baboseiras sem nenhum embasamento, outra marca registrada sua. Em mais uma de suas tentativas para que alguém de ouvidos ao seu PAC, plano de aceleração do crescimento. País esse que vem crescendo em uma média razoável, na mesma linha de países como o Haiti.

 

O interessante desse exemplo verídico é que começamos de cima, no mais alto escalão, o manda-chuva do país. Ele é o melhor exemplo do amadorismo do nosso governo, estou falando do despreparo das pessoas que ocupam cargos nesse país. Esse que não escolhe funcionários por meritocracia, mas sim por concursos públicos de classificação aleatória ou por indicação de amigos no poder. Vide os responsáveis pela ANAC, que são excelentes profissionais em relações interpessoais, mas não entendem nada de sistema aéreo. E todos com cargos fixos por muitos anos, demissão só com renúncia, exemplos muito praticados em ditaduras.

 

O mais interessante e o mais engraçado é quando surge algum problema nos poderes públicos. E nessa hora é designado um porta-voz para falar do ocorrido ou algo do gênero, normalmente morro de rir, parece piada. Aí é asneira atrás de asneira, e o poder público não faz idéia de que aquele indivíduo nada mais é do que um representante dele mesmo. Logo fica claro que são dois amadores. Provavelmente porque o indivíduo nunca ouviu falar em oratória, expressão corporal e não tem preparo em relação ao assunto ou a organização da qual faz parte. Não culpo os pobres porta-vozes, mas o sistema que usa um mêtodo tão absurdo para ocupar cargos. Coloca um tenente, ou sei lá o que, para ser porta-voz da Aeronáutica na crise dos controladores de vôo, ridicularizando a força aérea. Assessores e um presidente que revidam com grosseria as vaias do povo, ridicularizando o nosso pais. 

Roberto Pantoja (Demorô) 

Joalheiro e o jornalista

August 19, 2007 by admin  
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E se eu equiparasse uma profissão meramente técnica com uma aparentemente mais livre, solta, subjetiva? Joalheiros são jornalistas, e a recíproca também é verdadeira. O que me leva a tal absurdo? 

 

Certo fim-de-semana comprometi meus óculos. Rompi a solda de uma das hastes da armação. Não tinha mais o parafuso para prendê-la. A ótica não faz esse tipo de serviço. A ótica só VENDE óculos novos, caros por sinal, afora o tempo que eu precisaria aguardar sem meus utensílios favoritos, em casa, cego para coisas triviais como ver televisão. O que parecia ser um beco sem-saída revelou uma única solução viável: desembolsar quinze reais, misturar-se naquela gentalha do Conjunto Nacional e requisitar ao joalheiro/ourives: “traga meus velhos óculos de volta!”.

 

Fiquei ali, poucos mas intensos minutos, observando como aquele homenzinho, sentado o dia todo numa cadeira, engastava com toda a precisão aquelas peças de acetato, com detalhes tão mínimos, a princípio invisíveis para a vista humana. Forjava daqui, aparafusava dali, derramava uma cola especial num ponto, torcia outro com um alicate. Tudo estritamente técnico: ele não pode inventar muito; se escapar demais dos rituais de sempre a obra não será terminada, ou não de uma forma satisfatória. Espantei-me ao ver que a haste parecia ser mais parte integrante daqueles óculos do que jamais fora assim que ele terminou. Aquela ótica devia contratá-lo! Agradeci, paguei, e no caminho de volta para casa, de novo no meio da multidão que vendia DVDs piratas e anunciava calcinhas em liquidação aos berros, veio a presente reflexão: com o jornalista não é diferente.

 

Quem vê de fora pensa que somos sujeitos que escrevem o que pensam, que têm independência e liberdade jamais constatadas em outros setores, donos do próprio nariz, incomparáveis às classes dos médicos e advogados. Laissez faire, laissez passer. Deixe a criatividade fluir, o editor fará passar. Jornalistas, na outra mão, são mais realistas: na melhor das hipóteses, o superior manda de volta sem bravatas: “reescreva”. Uma das primeiras lições que se aprende no curso de Comunicação é: não se apegue demais a seus textos. O melhor jornalista é o mais “encarcerado”, o mais técnico, o mais joalheiro. Escrever, apesar de parecer uma atividade tão ampla (e de fato o é, porém estamos divagando sobre a mass media), que permite infinitas possibilidades para cada linha, é a mesma coisa que soldar uma haste de óculos: está certo que permite a construção de artigos de diferentes formas, mas os limites do possível são bem pequenos. As restrições começam pela impessoalidade: jamais esta crônica poderia ser considerada um artigo jornalístico. Depois, mais e mais proibições vão se acumulando, de modo que mesmo o melhor dos escritores se sentirá podado, desestimulado, de auto-estima baixa para prosseguir. Ah sim, pelo menos virá o dinheiro no fim do mês (isso se o jornal não estiver em crise, se não for daquelas redações que dão até barata…).

 

Não à toa, o sociólogo Pierre Bordieu gosta de usar a analogia de “óculos para cada profissão”. Os óculos dos jornalistas são mais pesadas que os outros, a responsabilidade social é grande. Não só o grau precisa estar correto como as hastes em dia…

 

Rafael Aguiar 

Descontrole aéreo

August 19, 2007 by admin  
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O povo brasileiro é tão ignorante. Uma coisa que pensava ser óbvia, pelo menos sei disso desde criança, é onde se controla o espaço aéreo nacional, onde estão os descontroladores de vôo. E onde diabos fica isso? Em Brasília, no bairro Lago Sul, passando pela QI 05. E me pergunto porque fazer manifestações nos aeroportos? Onde as empresas aéreas não têm a ver com a situação, nem a Infraero, que é tão vítima quanto nós. Nariz de palhaço? Nós somos mesmo palhaços. Passo todo dia em frente ao CINDACTA-1 (existem cinco), o orgão controlador, e nunca vi nada, nenhum tipo de movimentação. Lá está tudo tranqüilo, talvez lá dentro eles estejam estressados e etc. Mas vale lembrar o descaso, o dinheiro que era para ser repassado para o orgão pelo governo federal e não foi. A maior parte foi desviada. Basta olhar no site da ONG Contas Abertas (http://contasabertas.uol.com.br/asp/). É a prova de que o meu e o seu imposto é mal-utilizado, mal-distribuído, roubado, etc. Mostra que o Brasil é mesmo uma zona. E como já dizia uma pessoa que admiro, “o Brasil somos nós”. Espero que você entenda. 

Roberto Pantoja (Demorô) 

PLUTÃO NO BANCO DOS RÉUS - Côsmico ou Cómico?

August 19, 2007 by admin  
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Um fato que já está envelhecendo em termos jornalísticos (sempre a maldita pressa pelo furo) não pode passar incólume pelo X-TudoTudo: “O Julgamento de Plutão”, um episódio à parte na trama da novela do horário nobre Sistema Solar:

 

Apresentemos o réu: eufemismo para Hades, Rei dos Infernos, do submundo, mundo dos mortos, das riquezas. Um dos deuses primogenitais. Irmão de outros colossais homenageados no mesmo sistema, Júpiter e Netuno, além do nanico Ceres. Vesta e Juno moram distantes. Tem histórico mulherengo e é capaz inclusive de seqüestrar as futuras namoradas nos redutos familiares. Apresentemos o crime: passou-se por alguém mais temerário do que era de fato. Houve tempos em que pronunciar Hades era considerado uma afronta, daí terem encontrado este apelido de Plutão para o líder do país para onde vão todos os do necrotério com exceção do coveiro. Por mais de meio século o meliante insinuou ser um dos grandes, um dos que mereciam ser homenageados no Sistema Solar. As autoridades viram que havia algo errado quando corpos celestes mais corpulentos começaram a aparecer aos montes, sem a “marra” do sujeitinho aqui. Logo, ou os agraciados ficavam na casa das dezenas, ou Plutão perdia seus poderes e o título de planeta, passando a invejar os demais oito, incluindo os dois irmãos. Fratricídio à vista?

 

Apresentemos o júri: um conselho de duas milhas e meia de astrônomos super-importantes do mundo terreno, o único biologicamente sustentável das cercanias.

 

E o veredicto?

 

CULPADO! Plutão é condenado a viver como planeta-anão, marginalizado na “sociedade intergaláctica”, excluído das benesses burguesas. O júri entendeu que sua postura anti-social (sua órbita era muito esquisita) não era proporcional à estatura. Que se recolha ao seu inferninho!

 

Contexto histórico: o julgamento ocorreu numa era anárquica em que os tribunais começavam a ser questionados como balança eficiente da Justiça. Com a punição de Plutão se desenha um novo quadro em que a partir de certa linha todo e qualquer réu será absolvido e que, aquém da mesma, todo réu será punido com prerrogativas suficientemente fortes: subversão em escalas cósmicas! A Inquisição tomou conta. Cacem as bruxas-planeta!

 

Mas atenção!

 

Ainda há um cartaz de procurado na parede da ala central da sede do Conselho Astronômico que julgou o caso: MOST WANTED - o marqueiteiro que ampliou tanto assim a imagem de Plutão e o transformou numa figura temida do Inferno aos Céus. Quando for encontrado e julgado, provalvelmente será jogado na mesma cela que Goebbels e o já-marcado-para-apodrecer-lá Duda Mendonça.

 

***

 

A mistura de Hermes & Renato com faroeste numa roupagem sci-fi + Cavaleiros do Zodíaco acima foi inspirada pela coluna de Roberto Pompeu de Toledo na Revista VEJA de 23 de agosto, uma semana antes da decisão. Tomavam como certa a absolvição do criminoso. Parece que as leis neste país estão passando a valer para os antigos manda-chuva vitalícios! E você, o que achou da decisão? Queria ser um dos jurados? Queria transplantar o resultado para o Brasil, onde os mensaleiros se absolvem com a facilidade com que mentem?

 

Rafael Aguiar 

CPMF - Cê Fode Minha Puta

August 16, 2007 by admin  
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E ganha por 44 votos a prorrogação do CPMF!!! No final da votação a discussão nem era mais se saia ou não a prorrogação, mas sim se o imposto vai ou não ser dividido entre os estados. O CPMF é muito importante para o governo por dois motivos, primeiro porque é mais uma maneira de roubar dinheiro do povo e a segunda porque é a melhor forma que existe de quebrar todos os direitos do cidadão. Com o CPMF o Estado sabe de todas as transações da sua conta bancária e isso é mesma coisa que ter um controle absoluto sobre a sua vida. Burlar imposto nem pensar. Onde já se viu, menino feio!

 

Por isso concordo com uma pessoa muito importante e influente: só ande com dinheiro! Ganhou verdinhas, guarde em baixo do colchão, compra só à vista. Tudo bem que esse sujeito é um bicheiro, mas o conselho não deixa de ser bom. E assim o Brasil anda, na contramão fiscal. Afinal o absurdo para com o cidadão é tamanho que a desobediência civil é a nova lei do mercado, lei da selva. Produtos só pirata, imposto nunca ouvi falar e o Estado é um #%$#$%#$%!!! 

 

Atualmente todos os governos do mundo são à favor dos cartões de crédito, acham o máximo Visa Electron, Visa Pass, afinal é dinheiro eletrônico, tudo on-line! Assim todas as transações passam por um sistema, tudo é rastreado, lindo! E em pouco tempo o dinheiro vai sumir e tudo será a base da “tarjeta”. O cheque por lei não precisa mais ser aceito, já é possível obter troco no cartão de débito. E você espertinho jurando que isso era muito legal. O dinheiro vai sumir sim, e com certeza vai ser antes de 2011, ano marcado para o fim do CPMF. Imposto este que provavelmente será prorrogado mais uma vez, dessa vez não como uma desculpa para rastrear os contribuintes, mas para o real motivo, roubar o povo. E isso vai se perdurar até o dia que você leitor estiver num belo caixão.

 

Roberto Pantoja (Demorô) 

O caos aéreo e o espaçamento entre as poltronas.

August 15, 2007 by admin  
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Era uma vez em um lugar muito muito distante, no hemisfério sul, um povoado exótico chamado país das bananas. Nessa região ninguém dava valor ao seu povo, que era escravizado por um rei muito malvado e semi-alnafabeto. Para aqueles que tentavam se opor ao rei, eram distribuídos empregos no castelo. E assim muitos viviam na miséria e poucos na riqueza. No castelo haviam vários assessores do rei, eles não sabiam nada do assunto do qual eram designados, mas eram muito amigos do rei. 

 

Um dia uma máquina voadora caiu do céu e muita gente morreu. O povoado ficou com raiva e resolveu se rebelar. O rei que era ignorante, mas não era burro resolveu demitir alguns colegas para colocar outros no lugar. O escolhido para representar o reinado nessa crise era um homem muito alto e com cara de malvado. Sua primeira missão foi visitar os pontos da onde saiam as máquinas voadoras, que só não batiam no ar umas nas outras por sorte. O local tinha diversos problemas, o chão onde as máquinas aterrisavam era de areia batida, trazida de uma praia de um reinado vizinho. O controle das máquinas era feito por homens presos a correntes e era considerado um dos piores da Terra Antiga. Porém o assessor do rei resolveu se preocupar com coisas que ele acreditava ser mais importantes, coisas essas que o rei sempre fez em seu reinado. 

 

Uma semana após o desastre, o alto assessor chamou todo o povoado para apontar os problemas que afligiam o reinado. Primeiro ficou muito bravo com o tamanho das letras que mostravam os horários de saída e chegada das máquinas, disse que eram muitos pequenos e que ninguém conseguia ler; vale lembrar que ele já era um ancião e não enxergava muito bem. Depois de mostrar vários problemas graves como esse, apontou o mais grave deles: o espaçamento entre as poltronas das máquinas voadoras! Realmente era muito apertado e as pernas doiam muito na hora de voar, principalmente para reinos distantes. Assim o povoado ficou muito animado, afinal alguma coisa iria mudar. E depois de duas semanas tudo foi esquecido e todos continuam voando por todo reinado. E a viver felizes para sempre.

Roberto Pantoja (Demorô) 

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