Eu não assopro!
Por que tapar o sol com a peneira? A nova lei de trânsito, a “lei do bafômetro”, não quer resolver nenhum problema. É cultura e hábito do brasileiro o “happy hour”, a confraternização em barzinhos e casas noturnas. Querer submeter ao bafômetro, o motorista, ou tem a intenção de impedir o hábito do brasileiro ou de punição obrigatória. Além do seu caráter arrecadatório. A lei é inconstitucional. Assim afirma o advogado criminalista Mauro Lucas: “É garantido ao brasileiro o direito à ampla defesa, o único princípio absoluto da Constituição Federal. O cidadão tem o direito de se defender, e isso inclui não soprar o bafômetro, mesmo estando embriagado.” O advogado ainda sustenta: ” A lei concede ao agente policial o poder de testar sobre a embriaguez do cidadão. O que fere a estrutura do Estado democrático de direito e o bom senso, sendo que o agente policial não tem treinamento para isso, restanto somente ao médico, especialista que conhece da pessoa humana, para testar sobre as condições de dirigir.” A lei transfere a incapacidade de fiscalizar os excessos do álcool para as pessoas. Isso porque poderia ser solucionado se houvesse transporte público durante a noite. Mas não interessa às autoridades passar esse fardo para quem financia suas campanhas. Por esse motivo, se for parado no bafômetro: “NÃO ASSOPRE”.
Anônimo
Gênio indomável.
Existem três tipos de pessoas, as mediocres, são aquelas que exercem o seu trabalho e nada mais, as medianas, que cumprem seus horários e algumas vezes surpreendem, e as geniais, que sempre vão além de suas funções, mas que sempre deixam se levar pela vaidade e acabam por não cumprir obrigações básicas. As últimas chamo de gênios indomáveis, pois acredito que todo ser humano genial sofre do mesmo problema, a falta de humildade.
Essas pessoas acreditam que estão acima do nós mortais (muitas vezes estão) e que pelo fato de produzirem mais em uma hora do que nós em dez, se sentem no direito de desrespeitar regras. Não cuprem horários e não dão ouvidos a superiores. Esse problema é bem mais comum do que parece, quem realmente sofre são os responsáveis por gerenciar esses talentos natos. Afinal são pessoas que tem problema em se relacionar com os outros “meros mortais” e com frequência agem de maneira arrogante, por imaginarem que estão em um posto superior.
Muitas das vezes a solução é demití-los, mas não a melhor, afinal são pessoas que fazem falta para um negócio. Afinal temos o condicionamento de nos livrar dos problemas, mas muitas das vezes é preciso domar o problema, uma solução mais complicada, porém mais proveitosa.
Demorô (Roberto Pantoja)
A nova Lei Seca.
Volta e meia ouvimos que o Brasil é um país sem leis. Mas isso não é verdade. Muito pelo contrário, o Brasil tem leis demais. Os legisladores criam uma lei, mas esquecem de fiscalizar o seu cumprimento. Para remediar o problema, criam outra lei. O Brasil não precisa de mais leis. Precisamos fazer cumprir as leis que já temos (e se possível até jogar algumas inúteis fora, para diminuir a burocracia desse país).
Um caso recente, porém já clássico para exemplo, é a nova lei seca que está em vigor no Brasil. Os resultados apresentados até agora são extremamente satisfatórios, mas cabe a pergunta : a diminuição no número de acidentes de trânsito e o aumento no número de prisões por embriagez ao volante se deram em razão de uma nova lei ter sido criada ou por, dessa vez , haver fiscalização nas ruas ? É certo que a fiscalização é a grande criadora de resultados.
A legislação brasileira sobre embriaguez no trânsito, mais especificamnete o artigo 165 do Código Brasileiro de Trânsito, constitui que é infração de trânsito dirigir sob a influência de álcool em volume superior a seis decigramas por litro de sangue. Ainda assim, mais de trinta mil pessoas são vítimas de acidentes de trânsito envolvendo o consumo de álcool, no Brasil. Nos EUA, onde o volume de álcool por litro de sangue é de oito decigramas, ou seja, 33% maior do que o nível tolerado pela antiga legislação brasileira, o número de mortes no trânsito chega a pouco mais de dezesseis mil por ano. Deve se deixar claro que os Estados Unidos têm uma populção muito maior que a do Brasil. Ou seja, comparando os dados apresentados, o Brasil sofre com a perda de uma vida para cada grupo de 63 habitantes, enquanto que os EUA sofrem a perda de uma vida a cada grupo de 200 habitantes. Outro comentário pertinente é que a National Highway Traffic Safety Administration (NHTSA), que fornece dados estatísticos sobre o assunto, considera como morte relacionada ao uso de alcool no transito quando qualquer um dos envolvidos no acidente tiver um teor alcóolico superior a um miligrama por litro de sangue, ou seja, o número total de mortes no trânsito relacionadas ao uso de alcool nos EUA poderia ser considerado muito menor do que é se o levantamento estatístico fosse feito de acordo com os oito miligramas de álcool tolerados pela legislação norte-americana. Como pode, então, um país que tem uma telerância de volume alcóolico no sangue maior que o do Brasil ter menos mortes registradas que este ? Simples : fiscalização.
Se o Brasil fiscalizasse sua população dentro da antiga lei, haveria a redução nas mortes no trânsito e nos atendimentos em hospitais públicos e particulares na mesma proporção da que vem ocorrendo. Sem, para tanto, prejudicar a economia local com o fechamento de estabelecimentos comerciais e o consequente aumento do desemprego.
Toda e qualquer medida para combater as mortes no trânsito deve ser adotada em caráter de urgência. E esta urgência é tão grande que não deveriamos perder tempo legislando sobre o mesmo assunto. Primeiro deve-se fazer cumprir a lei que existe e, somente após ter certeza que a legislação não se adequa a realidade da sociedade que deve haver a precupação em legislar novamente sobre o assunto.
Façamos cumprir as leis que temos para depois pensarmos em novos remédios legais. Esse seria o caminho correto a ser seguido. Mas o Brasil se orgulha em não saber reger uma sociedade. Mais uma vez, enfiamos os pés pelas mãos.
Luiz Filipe Couto Dutra
A ilógica do mercado de supérfluos.
O comércio funciona da seguinte maneira… na verdade ele não funciona de maneira alguma. Para pequenas empresas, que vivem ao sabor do vento por não terem verba para divulgação ou até mesmo por preguiça de seus dirigentes, o mercado não tem nenhuma lógica.
Ao tentar explicar o comércio, os empresários, na maior parte das vezes, citam teorias bobas, meros devaneios ou experiências que colocam como verdade. Uns dizem que no final do mês as pessoas ainda não receberam o salário, outros colocam a culpa na economia do país, seja o dólar ou preço do barril de petróleo que subiu. A verdade é que o Brasil é um país pobre e o consumo interno é muito baixo, principalmente para produtos supérfulos.
Nos fazem acreditar que existem milhões de milhonários dispostos a gastar uma fortuna por dia. Isso é uma grande mentira, o que acontece é que existem pouquíssimas pessoas com alto poder aquisitivo e essas gastam muito, mas no mesmo local, pois são uma parcela ínfima da sociedade.
O produto que vende no Brasil é o produto base, coisas básicas, como vestuário e alimentação, e esses produtos também sofrem da sazonalidade da pobreza. As empresas que não tem dinheiro para investir em publicidade vão ter que continuar a inventar teorias para o baixo movimento. O problema está na baixa renda per capita, por isso torça para o Brasil enriquecer que assim os negócios vão melhorar.
Demorô (Roberto Pantoja)

