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A voz do Brasil.

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A Voz do Brasil!
Mesmo que nos autoproclamamos uma democracia capitalista, não nos vejo como tal. O Brasil vive uma pseudo democracia e um pseudo capitalismo. Vivemos em uma nação com mínima liberdade de expressão, onde as maiores empresas são estatais e os cargos mais almejados são públicos.

 

A maior prova que vivemos em um país com raízes socialistas, disfarçado em uma democracia populista é “A Voz do Brasil”. Um noticiário diário, público e obrigatório nas rádios. Sem contar os outros braços do Estado inseridos dentro do jornalismo nacional, pagos com o nosso dinheiro e sem a nossa autorização.

 

O governo brasileiro está aumentando seus tentáculos distribuindo cargos públicos e assim dificultando a vida dos que tentam a iniciativa privada. A única solução para muitos é tornar-se funcionário público, emprego que promete estabilidade financeira. Assim o Estado desestimula propositalmente as ambições dos jovens. Pessoas brilhantes que vão ter seu brilho apagado nos corredores cinzentos das instituições públicas. Essa é uma forma de manipulação que a grande massa nem sequer compreende e entra sem pudor neste círculo vicioso.

 

O futuro de um país que aumenta o poder público e nega oportunidades é desastroso. Os anos vão passar e nem vamos sentir, afinal estamos e vamos continuar parados no tempo.

 

Roberto Pantoja (Demorô)

Andrei Almeida

Andrei Almeida mistura a aridez dos sertões brasileiros com os campos de algodão do Blues. Nascido em Salvador, Andrei cresceu em Brasília, onde foi DJ nos primórdios da Dance Music e do Hip-Hop (de onde extraiu uma noção particular de tempo, beat e marcação). Suas experiências fora do país (Berkeley, California, 1991; Montréal, Canada, 1994) proporcionaram um contato intenso com músicos de Jazz, que se somou a sua relação com a Bossa Nova, MPB e World Music. Sua dedicação recente à guitarra como instrumento principal, tocada com groove e filtrada pelo over drive, resultou na gravação de alguns samples dos seus improvisos e composições. Andrei Almeida é também poeta – lançou “Elixir: poemas vários” em 2002 pela editora UniverCidade (Rio de Janeiro).

Site do artista:

+ Novas músicas! Rua – Índio-Cigano

http://tramavirtual.uol.com.br/artista.jsp?id=85522

Cinco anos em cinquenta.

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50 anos em 5
Viaje, conheça o mundo. Esse é o melhor conselho que posso dar para quem defende o Brasil. O mundo gira e gira rápido, conheça os países e veja mudanças, veja o futuro na sua frente. O futuro está nas conversas, nas roupas, na música e na televisão. Vivemos no passado, estamos atrasados até mesmo nas nossas ambições, até mesmo nas profissões que almejamos. 

 

O Brasil fica parado, mas finge que anda, o crescimento do PIB nos últimos anos só existe pela demanda de commodites e não porque o país realmente cresceu e/ou mudou. O nosso país não cresce porque temos um Estado fajuto, universidades fajutas e principalmente um discurso fajuto. Enchemos a boca para falar que aqui é o melhor lugar do mundo, isso só vale para quem não conhece o mundo, ou então para quem o viu de olhos fechados. 

 

Se voce quer ver alguma mudança, primeiro deve admitir que esse país não tem futuro como funciona, deve se olhar no espelho, ser autocrítico. Não adianta fingir que está tudo bem, que estamos no caminho certo, que alguma coisa mudou, isso é papo furado. O Lula não foi a melhor escolha, não é um bom presidente e não é culpa dele que a economia melhorou. Precisamos de mudanças radicais, precisamos fugir de populistas, precisamos de um político agressivo, de um capitalista. 

 

Mais uma vez esqueça esse discurso de esquerda, comunista. Somos o único país democrático do mundo em que os economistas defendem as políticas de Cuba e da Venezuela. Acredite, alguma coisa está errada, esse discurso esquerdista é infantil. O tempo passou e nada aconteceu, chegou a hora de mudar! Abra sua cabeça, conheça o mundo, ele é bem maior do que o seu orgulho de ser brasileiro. 

 

Roberto Pantoja (Demorô)

Crise na Argentina.

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Argentina

Coitada da Argentina, tão longe de Deus e tão perto do Brasil. Como é possível um país tão próximo do nosso esteja tão distante das nossas vidas? Para quem não sabe, “nuestros hermanos” estão em uma das mais difícies situações de sua história. Que diferença isso faz na vida de um brasileiro? 

 

O governo Argentino resolveu tomar o dinheiro da previdência privada da população, demonstrando um total abuso de poder. Isso serve de lição para países instáveis, como o nosso, que nem mesmo a previdência privada está livre das mãos do Estado.

 

 O que acontece na Argentina se repete em vários países em prol de políticas populistas, que na verdade destroem a democracia por toda a Ámerica Latina e África. Esqueça establidade e facilidade em países assim, acostume-se com a dificuldades e o medo. Reze pelos argentinos e por você.

Roberto Pantoja (Demorô)

 

Hugo Chavez = idiota

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Hugo Chavez

Hugo Chavez é mesmo um idiota. Marcou um encontro com o presidente russo Medvedev para um treino militar no mar do caribe. A provocação é tanto russa quanto venezuelana, estes que aproveitam a conturbada transição política nos EUA para o encontro. Além dos exercícios militares, propôs uma aliança com a Rússia para o desenvolvimento nuclear para bens “pacíficos”.

O presidente da Venezuela mal sabe no que está se metendo. Visto como um calo no pé para a democracia mundial, passará para os alvos prioritários na Agenda americana para 2009. Ou seja, espere uma intervenção americana no país. 

A Rússia tem como pretenção, com essa visita à Ámerica Latina, aumentar sua influência mundial e voltar a ser uma potência. Hugo Chavez tem como pretenção cometer um dos maiores erros da sua vida.

Roberto Pantoja (Demorô)

 

Justin.tv

Justin.tv é um canal na internet que transmite a webcam de seus usuários ao vivo. Na semana passada, em um dos canais estava um jovem de 19 anos, da Flórida, EUA. Na hora estavam 185 pesoas assistindo ao canal, quando o garoto anunciou que iria se matar. O canal ficou lotado de cometários do tipo “frouxo”, “covarde”, “hahahahaha” e assim por diante. 

 

Ás seis da tarde o garoto matou-se na frente de todos usando remédios. Após cinco horas vasculhando a internet, alguns usuários descobriram de onde vinha a transmissão e ligaram para a polícia, que invadiu o apartamento e achou o menino morto, tudo ao vivo. Os policiais desligaram a transmissão para a tristeza dos internautas.

 

Roberto Pantoja (Demorô)

 

Vida fácil.

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easy life
Demorei muito para entender o comportamento de estrangeiros de nações desenvolvidas, muitas vezes os julguei irresponsáveis. O tempo passou, aprendi um bocado de coisas e só agora entendo o porquê.

 

Uma nação desenvolvida dá condições de você ser praticamente o que bem entender. Você gosta de skate? As melhores pistas, os melhores instrutores, patrocinadores, campeonatos e etc. Você prefere ser músico? As melhores escolas, shows com os melhores artitas todos os dias, concursos, premiações, patrocinadores e etc. Cientista? As melhores universidades, bolsas de estudo, as melhores bibliotecas, os melhores laboratórios e etc. Você prefere não fazer nada? Tudo bem, você pode viver por conta do Estado, com direito a um apartamento e mesada. Claro que as regalias diferem de país para país, o que não muda são as condições para o desenvolvimento humano.

 

Um país justo é um país que dá oportunidades, onde a vida é fácil, onde seus habitantes não tenham preocupações quanto ao seu futuro. Agora pense no Brasil, no que ele facilita a sua vida? O que te proporciona? Qual futuro você vê para você? Só ainda não entendo uma coisa, porque continuamos a defender o Brasil?

 

Roberto Pantoja (Demorô)

Carlos Alberto Jr.

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Carlos Alberto Jr.

- A imprensa em Angola é muito distinta da imprensa brasileira?

 

 Sim. Há apenas um diário, o Jornal de Angola (www.jornaldeangola.com),

 controlado pelo governo. Também há uma única emissora de televisão

 aberta, a Televisão Pública de Angola (TPA). Ela transmite em dois

 canais, TPA 1 e TPA 2. Quem tem dinheiro pode assinar TV a cabo, com

 canais do Brasil, Índia, China, EUA, Europa etc. As novelas

 brasileiras fazem grande sucesso por aqui. A TPA 1, no momento,

 transmite Celebridade. A única emissora de rádio com autorização para

 transmitir para todo o país é a Rádio Nacional de Angola, também

 controlada pelo governo.

 

 As demais emissoras de rádio, privadas, têm alcance limitado (também

 basicamente em Luanda e entorno) e o governo exerce controle sobre os

 programas que transmitem. Não é raro um programa ser suspenso porque

 houve críticas ao governo.

 

 Há vários jornais semanais em Angola, mas todos têm distribuição

 reduzida. São lidos basicamente na capital, Luanda. O Jornal de

 Angola é distribuído gratuitamente no interior do país. As pessoas se

 informam mesmo pela televisão e pelas rádios, pois mais da metade da

 população é analfabeta. Em algumas províncias do interior, ainda há

 muita gente com dificuldade para entender o português e só fala os

 idiomas locais. A TPA e as emissoras de rádio estatais transmitem

 programas falados nas línguas locais.

 

 Como os principais veículos de comunicação são estatais, quase não há

 críticas ao governo. As denúncias, quando chegam a ser publicadas, são

 feitas pelos semanários ditos independentes.

 

 Mas não há como comparar a imprensa angolana com a brasileira. O

 Brasil tem uma tradição de imprensa livre desde o tempo do Império,

 com exceção dos períodos da ditadura do Getúlio e do regime militar.

 

 Angola foi controlada pelos portugueses até 1975. Depois da

 independência, o país mergulhou numa guerra civil que durou até 2002,

 com a morte do líder da Unita, Jonas Savimbi. Milhares de pessoas

 morreram.

 

 Além disso, a África do Sul, que não queria o MPLA (partido do

 governo) no poder, invadiu Angola mais de uma vez. Os tanques

 sul-africanos chegaram a ficar a cerca de 100km da capital, Luanda. E

 isso nos anos 80.

 

 Angola, na prática, foi uma das vítimas da guerra fria. Países como a

 antiga União Soviética, Estados Unidos, Cuba, Inglaterra e outros

 financiavam, forneciam armas e treinavam exércitos do MPLA, da Unita e

 do FNLA. Os russos davam apoio aos angolanos. Aí os americanos

 financiavam a Unita para impedir que Angola virasse um país comunista.

 

 Angola é o país com maior número de minas terrestres. Ainda hoje não

 se pode construir estradas nem desenvolver a agricultura em enormes

 extensões de terra por causa das minas.

 

 O trabalho de desminagem é lento e caro. Colocar uma mina terrestre

 custa entre US$ 1 e US$ 10. Identificar e destruir uma mina pode

 custar até US$ 1 mil. Limpar uma área de um metro quadrado (ou seja,

 descobrir se ali há minas ou não) pode levar um dia inteiro. As minas

 mataram e mutilaram milhares de pessoas. Vários deles podem ser vistos

 pelas ruas de Luanda.

 

 O importante é não cair na armadilha de querer analisar Angola (ou

 qualquer outra país) a partir da nossa perspectiva. O processo

 histórico, as pessoas, o ritmo, o jeito de pensar, de falar são

 diferentes. Também não se pode chegar aqui e apenas ficar apontando o

 que está errado porque não somos os salvadores da pátria. O povo

 angolano é que tem de achar seu caminho. E cabe a nós respeitá-los.

 

 

 

 - Como tem sido a sua vivência em Angola? As pessoas, os lugares, as

 músicas, a comida, os filmes, os esportes, trata-se realmente de um

 mundo diferente?

 

 A vida em Angola é mais difícil do que no Brasil. Por causa da guerra,

 muitos investimentos em infra-estrutura deixaram de ser feitos. A

 coleta de lixo é irregular. As ruas são esburacadas, há muito

 desemprego. Dependendo do lugar da cidade, faltam água e luz de duas a

 três vezes por semana. É um processo de reeducação. Quando sair de

 Angola, serei uma pessoa mais econômica e menos consumista. Só quando

 se convive com a escassez é que se dá valor ao que temos. É comum

 encontrarmos pessoas que estão há uma semana, 20 dias sem água e luz

 em casa. Se você tem dinheiro para comprar um gerador, ótimo. Se não

 tem, fica à luz de velas. E o banho é de balde mesmo.

 

 A música angolana, como a africana, é ótima. Há vários ritmos como o

 semba (que dizem ser o pai do samba), a massemba, kizomba, ritmos

 tribais, o kuduru e vários outros.

 

 Pela comida ainda não me aventurei muito, mas há um prato muito comum

 chamado funge, à base de mandioca ou de milho. Come-se muito peixe e

 frango.

 

 Os esportes preferidos são o futebol e o basquete. A seleção angolana

 de basquete é estrela de uma série de comerciais de telefone celular

 na TV. Angola será sede da Copa Africana de futebol, em 2010, pouco

 antes da Copa do Mundo. A seleção é conhecida como Palancas Negras. A

 palanca é um antílope que só existe em Angola. Há poucos exemplares.

 Quase todos morreram ou serviram de alimento durante a guerra. Agora

 começam a reaparecer na província de Malange.

 

 

 - Existe uma relação de intercâmbio cultural e comercial entre Brasil

 e Angola? Qual a importância dessa relação e o papel da influência do

 Brasil sobre Angola?

 

 O governo brasileiro tem grande interesse em Angola. Além do petróleo,

 Angola já é o segundo maior produtor da África, atrás apenas da

 Nigéria, há fortes laços históricos. O governo brasileiro, pelo menos

 do que vi declarações públicas do presidente Lula, está empenhado numa

 espécie de resgate histórico. Também há várias cooperações técnicas

 entre os dois países, com o envio de técnicos e especialistas

 brasileiros para treinar os servidores públicos angolanos em

 praticamente todas as áreas.

 

 O Brasil foi o primeiro país do mundo a reconhecer a independência de

 Angola, em 11 de novembro de 1975. É difícil dizer quem tem ou teve

 mais influência sobre quem. Os negros do Brasil vieram basicamente da

 região do que hoje é Angola. O tipo físico do negro brasileiro é o

 mesmo do angolano.

 

 Temos forte herança cultural e culinária de Angola. Como o Brasil está

 mais desenvolvido que Angola (nossa última guerra foi no século XIX

 contra o Paraguai. Aqui havia guerra até seis anos atrás…), é

 natural que nossa influência seja mais forte. Principalmente cultural.

 Milhões de angolanos assistem diariamente aos canais internacionais da

 Globo e da Record. Não sei se os números são verdadeiros, mas a última

 estimativa que ouvi dava conta que, dos cerca de 300 mil assinantes da

 Globo Internacional, 160 mil estariam em Angola.

 

 Isso influencia o jeito de falar, de se vestir e de se comportar dos

 jovens angolanos. Não há números exatos, mas estima-se que haja pelos

 menos 16 mil brasileiros vivendo em Angola. O número de angolanos no

 Brasil também é enorme. Os vôos Rio-Luanda só decolam lotados.

 

 

 

 - As diferenças culturais já resultaram em alguma gafe?

 

 Achamos que todos falamos português, mas ao chegar aqui percebemos que

 há grandes diferenças. O jeito de falar é diferente, então é comum

 termos de repetir as frases duas ou três vezes para sermos entendidos.

 E vice-versa. Algumas palavras também têm significado diferente. A pia

 da cozinha, por exemplo, chama-se lava-loiça. Se você pedir para

 alguém colocar a louça na pia, vão achar que você é maluco. Pia, para

 eles, é vaso sanitário. E tem aqueles heranças portuguesas. Bicha, por

 exemplo, quer dizer fila. Aqui não dizem jogar fora, dizem deitar

 fora. E por aí vai. São diferenças que rendem boas risadas.

 

 Mas cometi uma gafe durante encontro com um vice-ministro de Estado

 angolano. Ele me perguntou o que eu achava da possibilidade de o

 presidente Lula se reeleger para um terceiro mandato. Avaliei que não

 seria bom para o país e disse que a alternância de poder era

 

 importante para a democracia. O vice-ministro ficou em silêncio e foi

 meio constrangedor. Afinal, Angola tem o mesmo presidente desde 1979 e

 não há eleições desde 1992. Realmente eu não poderia ter escolhido

 pior interlocutor para falar em alternância de poder. Pelo menos é uma

 boa história para ser contada.

 

 

 - O que você recomenda a um brasileiro que pretende ir a Angola?

 

 Que venha. Será uma experiência única num momento muito especial do

 país. Momento de reconstrução nacional, de resgate de valores

 importantes como patriotismo, cidadania, unificação e cicatrização de

 feridas. Mas venha com o espírito desarmado. Angola passa por grandes

 mudanças. Tudo funciona num ritmo diferente. Chegar aqui imaginando

 que as coisas vão acontecer como no Brasil será um erro.

 

 Também é importante ter em mente que o custo de vida é altíssimo.

 Luanda é, atualmente, uma das capitais mais caras do mundo (se não for

 a mais cara). O aluguel de uma casa de dois quartos está entre US$ 7,5

 mil e US$ 9 mil. E nem sempre em boas condições. O aluguel de casas um

 pouco maiores começam em US$ 10 mil, US$ 12 mil. E aqui os aluguéis

 são pagos com um ano de antecedência.

 

 Há alguns sites feitos por brasileiros, portugueses e angolanos que

 relatam o cotidiano dos estrangeiros em Angola. Há histórias

 divertidas, tristes, inusitadas. Vale a pena dar uma navegada em

 alguns deles. Nos próprios sites há links para outros bem

 interessantes. Os endereços são: www.casadeluanda.blogspot.com ;

 www.diariodaafrica.blosgspot.com ; www.seguindoadiante.blogspot.com e

 http://afonsoloureiro.net/blog/ .

 

 Para quem se aventurar, boa-viagem.

 

Perguntas elaboradas por Andrei Almeida

Aisha Paulo Fonseca

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Aisha Paulo Fonseca
Biólogo pela USP e Mestre em novas tecnologias do ensino – UnB.

 

Trabalha há 10 anos com Educação a Distância. Atualmente integra a equipe de EaD no Ministério da Justiça.

 

O que seria um aluno aplicado de educação a distância?

 

É muito difícil definir. Diferente do que acontece no ensino presencial tradicional, na EaD o aluno assume um papel muito mais pró-ativo. Muitas pessoas que estão acostumadas ao conforto da carteira de uma sala de aula possuem muita dificuldade nos cursos de EaD. A presença do professor torna cômodo o acesso ao aprendizado.

 

Em um curso de EaD, por vezes nem a figura do professor existe. Cabe ao aluno entender a forma que o conteúdo está disponibilizado e ir em busca do seu aprendizado.

 

Devido à flexibilidade de horários, o aluno necessita de maior responsabilidade.

 

Acima de tudo tem que ser um aluno que queira assimilar o conteúdo, que seja organizado e que esteja disposto a se dedicar, pois o esforço será maior.

 

O que é mais fácil: um curso presencial ou de EaD?

 

Depende do perfil do aluno. O aluno que faz o curso apenas em busca de um certificado, sem se interessar pelo conteúdo, terá mais facilidade com a EaD. O aluno poderá encontrar varias formas de burlar: colocar outra pessoa para realizar trabalhos e provas, utilizar consultas diversas durantes as provas, tentar ter acesso à prova antes, vendo a de um colega, etc. O que fazer para evitar isso? Na minha opinião, nada! Não devemos sacrificar o curso ou o bom aluno para tentar coibir a malandragem. O foco deve ser a qualidade, e afetá-la provavelmente pouco servirá para impedir esses problemas. Quem quer faz, quem não quer sempre encontrará o seu jeitinho, sem saber que o grande prejudicado é o mesmo.

 

Qual é o panorama da EaD no país atualmente?

 

Bastante promissor e muita previsão já está se concretizando. Tivemos a primeira turma de EaD que conseguiu a graduação pela Universidade Aberta (ensino público e a distância). Eles foram submetidos ao Enade e em alguns cursos obtiveram notas melhores do que as conseguidas pelos alunos dos mesmos cursos só que presenciais.

 

Isso serve para mostrar que a EaD tem evoluído bastante, e saído do espaço corporativo para invadir o acadêmico também.

 

Qual seria a diferença da Ead corporativa para a acadêmica?

 

Uma busca conhecimentos, a outra eficiência. A acadêmica é mais dotada de recursos de interação. A corporativa busca economia e rapidez.

 

Como é a estrutura de um curso de EaD?

 

Varia bastante dependendo dos objetivos.

 

Geralmente existe uma plataforma (também chamada ambiente virtual de aprendizagem – AVA). É neste local que acontece o curso. Ela disponibilizará para os alunos: Chat, fóruns, agenda, cronograma, fluxograma e o conteúdo do curso.

 

Também existe a figura do tutor. Ele é responsável pelo acompanhamento do aluno ao longo do curso. Ele é responsável por tirar dúvidas que aluno possa ter em relação ao conhecimento bem como em relação à estrutura administrativa. Outra função importantíssima do tutor é a motivacional. Uma das maiores causas de evasão é o sentimento de solidão que traz a EaD. Nesse ponto o tutor faz a diferença.

 

As avaliações geralmente são presenciais, de acordo com a legislação brasileira.

 

Como que acontecem as interações?

 

Chat, fórum e troca de e-mail são as mais comuns. Teleconferência, telefone e correio também são soluções.

 

O Chat parece à primeira vista uma boa solução, até que você presencie um Chat com ao menos 10 colegas tentando debater um tema. È uma torre de Babel, ninguém se entende.

 

Já o fórum é muito eficiente, pois permite que o aluno participe quando, onde e como quiser. Estudos indicam que em um fórum os alunos conseguem uma interação mais profunda do que a da sala de aula.

 

Quais seriam bons exemplos de cursos de EaD?

 

O bom e o ruim vão sempre variar de acordo com o público a qual ele é submetido. Faixa etária, nível de conhecimento de informática, prazer com o computador são alguns dos elementos que devem ser levados em consideração na hora de montar um curso.

 

Como exemplo de cursos livres, sem necessidade de tutores ou qualquer acompanhamento eu indico:

 

http://www.centredessciencesdemontreal.com/autopsy/index.htm

 

Qual é o seu trabalho?

 

O que eu faço se chama modelador de conteúdo ou designer instrucional. A minha função é, surgida a demanda de algum curso, busca-se uma pessoa que tenha conhecimento sobre a área demandada para que ela selecione o material adequado. Uma vez selecionado esse conteúdo cabe a mim prepará-lo para que possa ser adequado a EaD. Baseado nas possibilidades da EaD, eu busco a melhor maneira de integrá-lo com a ferramenta educacional utilizada (geralmente a internet), e com o público-alvo.

 

Além disso, sou responsável pela capacitação dos tutores para os cursos de EaD. 

 

Perguntas elaboradas por Andrei Almeida

Naomar Almeida

- Em que consiste o REUNI? É uma mudança verdadeira? 

 

Creio que sim. O REUNI é um programa do Governo Lula de reestruturação e expansão das universidades federais que faz parte do PAC da Educação, lançado em abril deste ano. É o maior plano de investimento na universidade pública brasileira, depois de uma década inteira de apoio ao setor privado de ensino. As universidades federais vão receber um aumento nos recursos de custeio e de pessoal. Mais de 5 bilhões em cinco anos. Além disso, vamos aplicar mais de dois bilhões em obras e instalações para renovar o parque tecnológico de ensino. Em troca, teremos que abrir mais vagas, principalmente em cursos noturnos, alcançando a média de 18 alunos por docente, e teremos que reduzir a evasão, que atualmente é vergonhosamente alta. A meta nesse caso é atingir uma taxa de formatura de 90 % no final do programa. Mas a mudança verdadeira está na abertura de novas modalidades de cursos, como novos tipos de cursos de tecnólogo e os Bacharelados Interdisciplinares em Ciências, Humanidades, Artes e Saúde, sempre como opção. 

 

- Isto não afetaria a produção científica? Se não, em que medida? 

 

De modo algum. Possivelmente a produção científica das universidades federais vai aumentar com a contratação de novos professores e com os incentivos de integrar a graduação com a pós-graduação. A pesquisa será fomentada principalmente nos Bacharelados interdisciplinares, que é um sistema de ciclos de formação, com flexibilidade e mobilidade de escolha dos campos de estudos. Só pra dar um exemplo disso. O Brasil é o 15º. país em produção científica no mundo. Todos, exceto a Rússia, que têm maior produção científica adotam, desde certo tempo, sistemas de ciclos similares ao Bacharelado Interdisciplinar. Afinal, pesquisa é criatividade e flexibilidade.

 

- O REUNI já é uma mobilização nacional? De um novo modelo? 

 

É verdade. Começou com muitas dúvidas, os reitores das federais estavam inicialmente desconfiados da capacidade do Governo Federal de bancar os recursos necessários para tal revolução no ensino superior. Com a assinatura do decreto presidencial em abril de 2007, a colaboração dos reitores na regulamentação da proposta resultou em uma grande mobilização. Houve um primeiro prazo, em 29 de outubro, que foi cumprido por 36 das 53 universidades federais. Quem entrou nesse prazo, poderá receber os financiamentos a partir de janeiro 2008. Os que decidiram esperar mais, ainda têm cinco anos para fazê-lo. Só que ninguém é bobo de esperar muito. Todas as grandes universidades, inclusive a nossa UFBA, entraram na primeira hora, apesar de todo o boicote de minorias estudantis, em todo o país. 

 

- Os ensinos fundamental e médio são desprezados demais pelo mercado de trabalho. O aumento da escolarização superior vai ajudar a resolver esse problema? 

 

Concordo. Hoje em dia, ninguém mais oferece empregos de renda satisfatória a quem só tem o segundo grau. Cada vez mais se exige o terceiro grau, porém a baixa qualidade de muitas instituições particulares não garante a inserção imediata no mercado de trabalho. Por isso o REUNI também aparece como uma perspectiva de revolucionar a relação universidade-mercado com a abertura maciça de vagas universitárias públicas, em instituições que se destacam pela qualidade do ensino. 

 

- Qual é o verdadeiro papel das universidades e quando as universidades brasileiras irão começar a cumpri-lo? 

 

A universidade é uma instituição muito curiosa. Seu primeiro papel foi preservar a cultura medieval da Igreja Católica Romana, porém fora dos espaços sagrados. Depois, agregou-se o papel de formador de profissionais, mão de obra qualificada para a Revolução Industrial. No século XIX, depois da reforma de Humboldt na Alemanha, instalou-se a universidade de pesquisa, centro da produção do conhecimento científico e tecnológico. Somente na década de 1960 foi que a universidade começou a se preocupar com o seu papel social, com as revoltas estudantis em muitos países do mundo. No que se refere ao papel histórico e social, as universidades brasileiras estão muito atrasadas, com defasagem tecnológica e, pior, alienação cultural. Espero que o REUNI e as mudanças que ele trará contribuam para este desejado cumprimento de papel da mais antiga instituição do saber ainda existente no mundo. 

 

- Em sua percepção a educação à distância foge da finalidade de socialização da educação? 

 

Há controvérsias importantes sobre a chamada EAD. Muitos acham que ela não deve ser uma proposta de completa auto-aplicação da aprendizagem porque assim fomenta o egoísmo e o isolamento, traços da modernidade urbana que devem ser superados. De fato, quem se isola na frente dos computadores perde a capacidade de vida social plena, perdendo também a atitude crítica e criativa perante a vida. Eu creio que se deve qualificar de que EAD se está falando, porque é possível combinar os processos de auto-instrução com momentos de reconcentração e avaliação mais socializada. De todo modo, a aplicação intensiva de tecnologia deve ser a vertente do futuro da educação superior. 

 

Perguntas elaboradas por Andrei Almeida