
Perguntas relacionadas ao futuro do ensino no Brasil:
- O que o senhor acha do ensino fundamental e médio brasileiro (público e particular)? O que é necessário além de altos investimentos?
Há um consenso no país: o ensino de primeiro e segundo graus é de baixíssima qualidade na escola pública e de ótimo nível na escola privada. Na escola pública, não vai ser necessário somente maiores investimentos. Vai ser preciso melhores investimentos. Além da universalização do acesso, que parece estar sendo atingido, é preciso investir na qualidade do ensino, na formação de professores e no reequipamento das escolas.
- Como conciliar qualidade de ensino com arrocho de verbas?
Com mais controle da corrupção e da fraude. Os políticos, principalmente os gestores municipais, vão ter de descobrir que deixar de alfabetizar uma criança e reduzir as chances de formação de um jovem constituem crimes tão sérios quanto latrocínio ou tráfico de drogas.
- Qual a solução para o ensino superior se tornar realmente público, ou
seja, para todos?
Ampliar as vagas de vestibular, melhorar as instalações das universidades públicas, pagar melhor aos professores e, principalmente, aumentar a eficiência e a qualidade da gestão acadêmica. Quando a escola pública superior estiver em boas condições, então o setor privado fará seu verdadeiro papel de eixo complementar.
- Com tantos anos de experiência, o que o senhor recomendaria para um
jovem? O que seria ideal para sair da universidade empregado?
Claro que sair da universidade empregado é o sonho de todos os que nela entram. O meu conselho é ficar atento às chances que sempre aparecem e começar a trabalhar cedo, desde o começo do curso superior, buscando estágios e treinamentos. Além das oportunidades que sempre aparecem, acredito muito nas oportunidades criadas pelo empenho de cada um. Cabe construir o próprio caminho. Bill Gates não será o último a abrir um espaço novo ainda nos bancos universitários.
- Na sua opinião, existe no Brasil alguma profissão que garanta uma vida
financeira tranqüila?
Não. Neste mundo globalizado e cada vez mais inseguro, todas as profissões são fonte de inquietação para o profissional. Aliás, retifico. Sempre foi assim, mesmo antes da velocidade da vida moderna. O bom profissional tem que ser inquieto para ser competente e criativo. A tranquilidade absoluta não é fator que conduz ao progresso.
Perguntas Elaboradas Por Andrei Almeida & Roberto Pantoja
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