Seu nariz sangrava muito, seu rosto estava coberto de sangue, seu carro havia batido perto de sua casa… acordou suado, assustado. Era a terceira vez que tinha aquele sonho naquela semana, ficou preocupado, provavelmente era uma premonição, mais uma. Algo absurdo, mas uma vez sonhou várias vezes com a mesma coisa, seus dentes estavam quebrados e ele passava a língua lentamente por o que restou deles. Um dia eles quebraram de verdade, exatamente como havia previsto, sonhado.
Contou aquela história para seu irmão, ele, como um ser racional, disse que tudo aquilo era um erro nas suas sinapses nervosas, assim como um déjà vu. Ficção, na verdade não existia premonição, existia uma falha no seu cérebro! O ponto de vista dele era mais inteligente e racional, mas preferia acreditar no desconhecido, assim como todo mundo. A razão e a emoção sempre foram a dualidade óbvia da humanidade, uma não existe sem a outra. A ciência estaria avançando ao ponto que toda ficção iria se tornar realidade? Talvez a sua falha nervosa fosse uma ruptura entre o tempo e o espaço, talvez não.
Aquilo o incomodava, ficava com medo do futuro, do seu sonho se tornar realidade. Sabia que existia uma probabilidade enorme de sofrer um acidente de carro, afinal era estatística, uma probabilidade até grande, mais um número. A chance de bater o carro era maior do que a sua premonição virar realidade. Logo pensou, se a batida realmente acontecesse, obviamente iria culpar o sonho. Pensou direito e teve a impressão que a sua vida era regulada pelo destino. Uma vida fadada ao fracasso, a um mero acidente de carro, achou melhor mudar, criar seu próprio destino, a sua premonição. À partir daquele dia só iria se preocupar com o agora.
Roberto Pantoja
Empreendedor, escritor, especialista em marketing online, mídias sociais e proprietário da
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