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Uma luz…

Posted by on August 8, 2012

Acordou sentido uma sensação estranha, precisava levantar, sair da cama, era algo diferente, como um força, algo que lhe chamava. Mesmo estando escuro não sentia medo, saiu da cama devagar, sem pressa, e foi andando como se soubesse o caminho, sem olhar o sofá ou a TV do quarto. Era incapaz de esbarrar em algo, parecia estar possuída ou algo assim. Abriu a porta do quarto, passou pelo corredor com as mãos esticadas, como se pudesse sentir cada textura de tinta. Virou de maneira robótica e desceu as escadas sem olhar para o chão, sem tocar em nada, estava escuro, mas ela se sentia como se o universo fizesse parte dela. Sentia cada molécula do seu corpo e cada partícula ao seu redor. Girou a chave da porta de entrada lentamente, abriu a maçaneta, sentia à noite, mas não o frio, seu corpo estava quente, mais do que todo resto. Estava descalça, usando uma camisola fina e o chão só era mais uma sensação, assim como a grama que entrava entre seus dedos do pé, molhados pelo orvalho, quando entrou no jardim. Andou por alguns minutos, o suficiente para ficar ofegante, de pavor, não de cansaço. Avistou, lá adiante, estava o motivo do seu despertar, era uma luz clara, pulsante, no meio do jardim, cada passo foi dado lentamente para se aproximar daquilo. Agora que estava tão perto, sentiu uma mistura de pavor e surpresa, como uma criança tentando fechar os olhos ao ver o primeiro filme de terror, uma sensação estranha. Quando chegou no clarão só via uma pá e a luz que saia do chão em formato retangular, entendeu que precisava cavar uma cova. E começou, cada vez que a pá entrava no solo era um minuto a menos de tensão, aquele ferro enferrujado entrava no solo com muita facilidade, nem parecia que a sua mão já estava quase sangrando de tanto esforço, apesar de ver as mãos vermelhas e suar muito naquela noite fria, não sentia nenhum tipo de dor ou sensação térmica. Como podia sentir tudo é nada ao mesmo tempo? Não conseguia entender aquele paradoxo, sentia o universo, mas não sentia o corte na mão direita. Quando finalmente cavou os exatos sete palmos, saiu do buraco se sujando ainda mais, levantou, virou e quando olhou para o fundo daquele grande vazio, o clarão saiu das bordas e tomou conta de todo buraco. Aquela luz era forte e trazia uma sensação tão boa quanto os raios do sol quando esquentavam sua pele de manhã. Sentiu uma força puxando o seu ser para aquele calor sem fim, abriu bem os braços e se jogou, caiu lentamente e a luz foi abraçando o seu ser. O calor era maravilhoso, passou e atravessou aquela matéria. No mesmo instante despertou, acordou como em um filme cliché, com o corpo em 45 graus, em sua cama, de manhã. Os olhos estavam abertos, as pupilas dilatadas, parecia ter retornado a si, olhou para o lado e viu a morte e o seu marido.

Roberto faz palestras sobre marketing online e empreendedorismo, faz personal coach e consultoria empresarial e em marketing online, conheça seu trabalho pelo site www.midiamaxx.com

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