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Carlos Alberto Jr.

November 24, 2008 by admin  
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Carlos Alberto Jr.

- A imprensa em Angola é muito distinta da imprensa brasileira?

 

 Sim. Há apenas um diário, o Jornal de Angola (www.jornaldeangola.com),

 controlado pelo governo. Também há uma única emissora de televisão

 aberta, a Televisão Pública de Angola (TPA). Ela transmite em dois

 canais, TPA 1 e TPA 2. Quem tem dinheiro pode assinar TV a cabo, com

 canais do Brasil, Índia, China, EUA, Europa etc. As novelas

 brasileiras fazem grande sucesso por aqui. A TPA 1, no momento,

 transmite Celebridade. A única emissora de rádio com autorização para

 transmitir para todo o país é a Rádio Nacional de Angola, também

 controlada pelo governo.

 

 As demais emissoras de rádio, privadas, têm alcance limitado (também

 basicamente em Luanda e entorno) e o governo exerce controle sobre os

 programas que transmitem. Não é raro um programa ser suspenso porque

 houve críticas ao governo.

 

 Há vários jornais semanais em Angola, mas todos têm distribuição

 reduzida. São lidos basicamente na capital, Luanda. O Jornal de

 Angola é distribuído gratuitamente no interior do país. As pessoas se

 informam mesmo pela televisão e pelas rádios, pois mais da metade da

 população é analfabeta. Em algumas províncias do interior, ainda há

 muita gente com dificuldade para entender o português e só fala os

 idiomas locais. A TPA e as emissoras de rádio estatais transmitem

 programas falados nas línguas locais.

 

 Como os principais veículos de comunicação são estatais, quase não há

 críticas ao governo. As denúncias, quando chegam a ser publicadas, são

 feitas pelos semanários ditos independentes.

 

 Mas não há como comparar a imprensa angolana com a brasileira. O

 Brasil tem uma tradição de imprensa livre desde o tempo do Império,

 com exceção dos períodos da ditadura do Getúlio e do regime militar.

 

 Angola foi controlada pelos portugueses até 1975. Depois da

 independência, o país mergulhou numa guerra civil que durou até 2002,

 com a morte do líder da Unita, Jonas Savimbi. Milhares de pessoas

 morreram.

 

 Além disso, a África do Sul, que não queria o MPLA (partido do

 governo) no poder, invadiu Angola mais de uma vez. Os tanques

 sul-africanos chegaram a ficar a cerca de 100km da capital, Luanda. E

 isso nos anos 80.

 

 Angola, na prática, foi uma das vítimas da guerra fria. Países como a

 antiga União Soviética, Estados Unidos, Cuba, Inglaterra e outros

 financiavam, forneciam armas e treinavam exércitos do MPLA, da Unita e

 do FNLA. Os russos davam apoio aos angolanos. Aí os americanos

 financiavam a Unita para impedir que Angola virasse um país comunista.

 

 Angola é o país com maior número de minas terrestres. Ainda hoje não

 se pode construir estradas nem desenvolver a agricultura em enormes

 extensões de terra por causa das minas.

 

 O trabalho de desminagem é lento e caro. Colocar uma mina terrestre

 custa entre US$ 1 e US$ 10. Identificar e destruir uma mina pode

 custar até US$ 1 mil. Limpar uma área de um metro quadrado (ou seja,

 descobrir se ali há minas ou não) pode levar um dia inteiro. As minas

 mataram e mutilaram milhares de pessoas. Vários deles podem ser vistos

 pelas ruas de Luanda.

 

 O importante é não cair na armadilha de querer analisar Angola (ou

 qualquer outra país) a partir da nossa perspectiva. O processo

 histórico, as pessoas, o ritmo, o jeito de pensar, de falar são

 diferentes. Também não se pode chegar aqui e apenas ficar apontando o

 que está errado porque não somos os salvadores da pátria. O povo

 angolano é que tem de achar seu caminho. E cabe a nós respeitá-los.

 

 

 

 - Como tem sido a sua vivência em Angola? As pessoas, os lugares, as

 músicas, a comida, os filmes, os esportes, trata-se realmente de um

 mundo diferente?

 

 A vida em Angola é mais difícil do que no Brasil. Por causa da guerra,

 muitos investimentos em infra-estrutura deixaram de ser feitos. A

 coleta de lixo é irregular. As ruas são esburacadas, há muito

 desemprego. Dependendo do lugar da cidade, faltam água e luz de duas a

 três vezes por semana. É um processo de reeducação. Quando sair de

 Angola, serei uma pessoa mais econômica e menos consumista. Só quando

 se convive com a escassez é que se dá valor ao que temos. É comum

 encontrarmos pessoas que estão há uma semana, 20 dias sem água e luz

 em casa. Se você tem dinheiro para comprar um gerador, ótimo. Se não

 tem, fica à luz de velas. E o banho é de balde mesmo.

 

 A música angolana, como a africana, é ótima. Há vários ritmos como o

 semba (que dizem ser o pai do samba), a massemba, kizomba, ritmos

 tribais, o kuduru e vários outros.

 

 Pela comida ainda não me aventurei muito, mas há um prato muito comum

 chamado funge, à base de mandioca ou de milho. Come-se muito peixe e

 frango.

 

 Os esportes preferidos são o futebol e o basquete. A seleção angolana

 de basquete é estrela de uma série de comerciais de telefone celular

 na TV. Angola será sede da Copa Africana de futebol, em 2010, pouco

 antes da Copa do Mundo. A seleção é conhecida como Palancas Negras. A

 palanca é um antílope que só existe em Angola. Há poucos exemplares.

 Quase todos morreram ou serviram de alimento durante a guerra. Agora

 começam a reaparecer na província de Malange.

 

 

 - Existe uma relação de intercâmbio cultural e comercial entre Brasil

 e Angola? Qual a importância dessa relação e o papel da influência do

 Brasil sobre Angola?

 

 O governo brasileiro tem grande interesse em Angola. Além do petróleo,

 Angola já é o segundo maior produtor da África, atrás apenas da

 Nigéria, há fortes laços históricos. O governo brasileiro, pelo menos

 do que vi declarações públicas do presidente Lula, está empenhado numa

 espécie de resgate histórico. Também há várias cooperações técnicas

 entre os dois países, com o envio de técnicos e especialistas

 brasileiros para treinar os servidores públicos angolanos em

 praticamente todas as áreas.

 

 O Brasil foi o primeiro país do mundo a reconhecer a independência de

 Angola, em 11 de novembro de 1975. É difícil dizer quem tem ou teve

 mais influência sobre quem. Os negros do Brasil vieram basicamente da

 região do que hoje é Angola. O tipo físico do negro brasileiro é o

 mesmo do angolano.

 

 Temos forte herança cultural e culinária de Angola. Como o Brasil está

 mais desenvolvido que Angola (nossa última guerra foi no século XIX

 contra o Paraguai. Aqui havia guerra até seis anos atrás…), é

 natural que nossa influência seja mais forte. Principalmente cultural.

 Milhões de angolanos assistem diariamente aos canais internacionais da

 Globo e da Record. Não sei se os números são verdadeiros, mas a última

 estimativa que ouvi dava conta que, dos cerca de 300 mil assinantes da

 Globo Internacional, 160 mil estariam em Angola.

 

 Isso influencia o jeito de falar, de se vestir e de se comportar dos

 jovens angolanos. Não há números exatos, mas estima-se que haja pelos

 menos 16 mil brasileiros vivendo em Angola. O número de angolanos no

 Brasil também é enorme. Os vôos Rio-Luanda só decolam lotados.

 

 

 

 - As diferenças culturais já resultaram em alguma gafe?

 

 Achamos que todos falamos português, mas ao chegar aqui percebemos que

 há grandes diferenças. O jeito de falar é diferente, então é comum

 termos de repetir as frases duas ou três vezes para sermos entendidos.

 E vice-versa. Algumas palavras também têm significado diferente. A pia

 da cozinha, por exemplo, chama-se lava-loiça. Se você pedir para

 alguém colocar a louça na pia, vão achar que você é maluco. Pia, para

 eles, é vaso sanitário. E tem aqueles heranças portuguesas. Bicha, por

 exemplo, quer dizer fila. Aqui não dizem jogar fora, dizem deitar

 fora. E por aí vai. São diferenças que rendem boas risadas.

 

 Mas cometi uma gafe durante encontro com um vice-ministro de Estado

 angolano. Ele me perguntou o que eu achava da possibilidade de o

 presidente Lula se reeleger para um terceiro mandato. Avaliei que não

 seria bom para o país e disse que a alternância de poder era

 

 importante para a democracia. O vice-ministro ficou em silêncio e foi

 meio constrangedor. Afinal, Angola tem o mesmo presidente desde 1979 e

 não há eleições desde 1992. Realmente eu não poderia ter escolhido

 pior interlocutor para falar em alternância de poder. Pelo menos é uma

 boa história para ser contada.

 

 

 - O que você recomenda a um brasileiro que pretende ir a Angola?

 

 Que venha. Será uma experiência única num momento muito especial do

 país. Momento de reconstrução nacional, de resgate de valores

 importantes como patriotismo, cidadania, unificação e cicatrização de

 feridas. Mas venha com o espírito desarmado. Angola passa por grandes

 mudanças. Tudo funciona num ritmo diferente. Chegar aqui imaginando

 que as coisas vão acontecer como no Brasil será um erro.

 

 Também é importante ter em mente que o custo de vida é altíssimo.

 Luanda é, atualmente, uma das capitais mais caras do mundo (se não for

 a mais cara). O aluguel de uma casa de dois quartos está entre US$ 7,5

 mil e US$ 9 mil. E nem sempre em boas condições. O aluguel de casas um

 pouco maiores começam em US$ 10 mil, US$ 12 mil. E aqui os aluguéis

 são pagos com um ano de antecedência.

 

 Há alguns sites feitos por brasileiros, portugueses e angolanos que

 relatam o cotidiano dos estrangeiros em Angola. Há histórias

 divertidas, tristes, inusitadas. Vale a pena dar uma navegada em

 alguns deles. Nos próprios sites há links para outros bem

 interessantes. Os endereços são: www.casadeluanda.blogspot.com ;

 www.diariodaafrica.blosgspot.com ; www.seguindoadiante.blogspot.com e

 http://afonsoloureiro.net/blog/ .

 

 Para quem se aventurar, boa-viagem.

 

Perguntas elaboradas por Andrei Almeida

Aisha Paulo Fonseca

November 24, 2008 by admin  
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Aisha Paulo Fonseca
Biólogo pela USP e Mestre em novas tecnologias do ensino – UnB.

 

Trabalha há 10 anos com Educação a Distância. Atualmente integra a equipe de EaD no Ministério da Justiça.

 

O que seria um aluno aplicado de educação a distância?

 

É muito difícil definir. Diferente do que acontece no ensino presencial tradicional, na EaD o aluno assume um papel muito mais pró-ativo. Muitas pessoas que estão acostumadas ao conforto da carteira de uma sala de aula possuem muita dificuldade nos cursos de EaD. A presença do professor torna cômodo o acesso ao aprendizado.

 

Em um curso de EaD, por vezes nem a figura do professor existe. Cabe ao aluno entender a forma que o conteúdo está disponibilizado e ir em busca do seu aprendizado.

 

Devido à flexibilidade de horários, o aluno necessita de maior responsabilidade.

 

Acima de tudo tem que ser um aluno que queira assimilar o conteúdo, que seja organizado e que esteja disposto a se dedicar, pois o esforço será maior.

 

O que é mais fácil: um curso presencial ou de EaD?

 

Depende do perfil do aluno. O aluno que faz o curso apenas em busca de um certificado, sem se interessar pelo conteúdo, terá mais facilidade com a EaD. O aluno poderá encontrar varias formas de burlar: colocar outra pessoa para realizar trabalhos e provas, utilizar consultas diversas durantes as provas, tentar ter acesso à prova antes, vendo a de um colega, etc. O que fazer para evitar isso? Na minha opinião, nada! Não devemos sacrificar o curso ou o bom aluno para tentar coibir a malandragem. O foco deve ser a qualidade, e afetá-la provavelmente pouco servirá para impedir esses problemas. Quem quer faz, quem não quer sempre encontrará o seu jeitinho, sem saber que o grande prejudicado é o mesmo.

 

Qual é o panorama da EaD no país atualmente?

 

Bastante promissor e muita previsão já está se concretizando. Tivemos a primeira turma de EaD que conseguiu a graduação pela Universidade Aberta (ensino público e a distância). Eles foram submetidos ao Enade e em alguns cursos obtiveram notas melhores do que as conseguidas pelos alunos dos mesmos cursos só que presenciais.

 

Isso serve para mostrar que a EaD tem evoluído bastante, e saído do espaço corporativo para invadir o acadêmico também.

 

Qual seria a diferença da Ead corporativa para a acadêmica?

 

Uma busca conhecimentos, a outra eficiência. A acadêmica é mais dotada de recursos de interação. A corporativa busca economia e rapidez.

 

Como é a estrutura de um curso de EaD?

 

Varia bastante dependendo dos objetivos.

 

Geralmente existe uma plataforma (também chamada ambiente virtual de aprendizagem - AVA). É neste local que acontece o curso. Ela disponibilizará para os alunos: Chat, fóruns, agenda, cronograma, fluxograma e o conteúdo do curso.

 

Também existe a figura do tutor. Ele é responsável pelo acompanhamento do aluno ao longo do curso. Ele é responsável por tirar dúvidas que aluno possa ter em relação ao conhecimento bem como em relação à estrutura administrativa. Outra função importantíssima do tutor é a motivacional. Uma das maiores causas de evasão é o sentimento de solidão que traz a EaD. Nesse ponto o tutor faz a diferença.

 

As avaliações geralmente são presenciais, de acordo com a legislação brasileira.

 

Como que acontecem as interações?

 

Chat, fórum e troca de e-mail são as mais comuns. Teleconferência, telefone e correio também são soluções.

 

O Chat parece à primeira vista uma boa solução, até que você presencie um Chat com ao menos 10 colegas tentando debater um tema. È uma torre de Babel, ninguém se entende.

 

Já o fórum é muito eficiente, pois permite que o aluno participe quando, onde e como quiser. Estudos indicam que em um fórum os alunos conseguem uma interação mais profunda do que a da sala de aula.

 

Quais seriam bons exemplos de cursos de EaD?

 

O bom e o ruim vão sempre variar de acordo com o público a qual ele é submetido. Faixa etária, nível de conhecimento de informática, prazer com o computador são alguns dos elementos que devem ser levados em consideração na hora de montar um curso.

 

Como exemplo de cursos livres, sem necessidade de tutores ou qualquer acompanhamento eu indico:

 

http://www.centredessciencesdemontreal.com/autopsy/index.htm

 

Qual é o seu trabalho?

 

O que eu faço se chama modelador de conteúdo ou designer instrucional. A minha função é, surgida a demanda de algum curso, busca-se uma pessoa que tenha conhecimento sobre a área demandada para que ela selecione o material adequado. Uma vez selecionado esse conteúdo cabe a mim prepará-lo para que possa ser adequado a EaD. Baseado nas possibilidades da EaD, eu busco a melhor maneira de integrá-lo com a ferramenta educacional utilizada (geralmente a internet), e com o público-alvo.

 

Além disso, sou responsável pela capacitação dos tutores para os cursos de EaD. 

 

Perguntas elaboradas por Andrei Almeida

Naomar de Almeida Filho (reitor da UFBA) - REUNI

November 24, 2008 by admin  
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Comments Off

Naomar Almeida

- Em que consiste o REUNI? É uma mudança verdadeira? 

 

Creio que sim. O REUNI é um programa do Governo Lula de reestruturação e expansão das universidades federais que faz parte do PAC da Educação, lançado em abril deste ano. É o maior plano de investimento na universidade pública brasileira, depois de uma década inteira de apoio ao setor privado de ensino. As universidades federais vão receber um aumento nos recursos de custeio e de pessoal. Mais de 5 bilhões em cinco anos. Além disso, vamos aplicar mais de dois bilhões em obras e instalações para renovar o parque tecnológico de ensino. Em troca, teremos que abrir mais vagas, principalmente em cursos noturnos, alcançando a média de 18 alunos por docente, e teremos que reduzir a evasão, que atualmente é vergonhosamente alta. A meta nesse caso é atingir uma taxa de formatura de 90 % no final do programa. Mas a mudança verdadeira está na abertura de novas modalidades de cursos, como novos tipos de cursos de tecnólogo e os Bacharelados Interdisciplinares em Ciências, Humanidades, Artes e Saúde, sempre como opção. 

 

- Isto não afetaria a produção científica? Se não, em que medida? 

 

De modo algum. Possivelmente a produção científica das universidades federais vai aumentar com a contratação de novos professores e com os incentivos de integrar a graduação com a pós-graduação. A pesquisa será fomentada principalmente nos Bacharelados interdisciplinares, que é um sistema de ciclos de formação, com flexibilidade e mobilidade de escolha dos campos de estudos. Só pra dar um exemplo disso. O Brasil é o 15º. país em produção científica no mundo. Todos, exceto a Rússia, que têm maior produção científica adotam, desde certo tempo, sistemas de ciclos similares ao Bacharelado Interdisciplinar. Afinal, pesquisa é criatividade e flexibilidade.

 

- O REUNI já é uma mobilização nacional? De um novo modelo? 

 

É verdade. Começou com muitas dúvidas, os reitores das federais estavam inicialmente desconfiados da capacidade do Governo Federal de bancar os recursos necessários para tal revolução no ensino superior. Com a assinatura do decreto presidencial em abril de 2007, a colaboração dos reitores na regulamentação da proposta resultou em uma grande mobilização. Houve um primeiro prazo, em 29 de outubro, que foi cumprido por 36 das 53 universidades federais. Quem entrou nesse prazo, poderá receber os financiamentos a partir de janeiro 2008. Os que decidiram esperar mais, ainda têm cinco anos para fazê-lo. Só que ninguém é bobo de esperar muito. Todas as grandes universidades, inclusive a nossa UFBA, entraram na primeira hora, apesar de todo o boicote de minorias estudantis, em todo o país. 

 

- Os ensinos fundamental e médio são desprezados demais pelo mercado de trabalho. O aumento da escolarização superior vai ajudar a resolver esse problema? 

 

Concordo. Hoje em dia, ninguém mais oferece empregos de renda satisfatória a quem só tem o segundo grau. Cada vez mais se exige o terceiro grau, porém a baixa qualidade de muitas instituições particulares não garante a inserção imediata no mercado de trabalho. Por isso o REUNI também aparece como uma perspectiva de revolucionar a relação universidade-mercado com a abertura maciça de vagas universitárias públicas, em instituições que se destacam pela qualidade do ensino. 

 

- Qual é o verdadeiro papel das universidades e quando as universidades brasileiras irão começar a cumpri-lo? 

 

A universidade é uma instituição muito curiosa. Seu primeiro papel foi preservar a cultura medieval da Igreja Católica Romana, porém fora dos espaços sagrados. Depois, agregou-se o papel de formador de profissionais, mão de obra qualificada para a Revolução Industrial. No século XIX, depois da reforma de Humboldt na Alemanha, instalou-se a universidade de pesquisa, centro da produção do conhecimento científico e tecnológico. Somente na década de 1960 foi que a universidade começou a se preocupar com o seu papel social, com as revoltas estudantis em muitos países do mundo. No que se refere ao papel histórico e social, as universidades brasileiras estão muito atrasadas, com defasagem tecnológica e, pior, alienação cultural. Espero que o REUNI e as mudanças que ele trará contribuam para este desejado cumprimento de papel da mais antiga instituição do saber ainda existente no mundo. 

 

- Em sua percepção a educação à distância foge da finalidade de socialização da educação? 

 

Há controvérsias importantes sobre a chamada EAD. Muitos acham que ela não deve ser uma proposta de completa auto-aplicação da aprendizagem porque assim fomenta o egoísmo e o isolamento, traços da modernidade urbana que devem ser superados. De fato, quem se isola na frente dos computadores perde a capacidade de vida social plena, perdendo também a atitude crítica e criativa perante a vida. Eu creio que se deve qualificar de que EAD se está falando, porque é possível combinar os processos de auto-instrução com momentos de reconcentração e avaliação mais socializada. De todo modo, a aplicação intensiva de tecnologia deve ser a vertente do futuro da educação superior. 

 

Perguntas elaboradas por Andrei Almeida 

Alexandre R. Pires

November 24, 2008 by admin  
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Alexandre R. Pires

Alexandre R. Pires, criador dos programas Orkut Cute e Flood Tudo e proprietário da empresa de software APC SOFTWARE:

 

Pergunta: -Como foi criada a empresa APC Software?

 

Resposta: A APC Software foi criado no começo de 2006, porem o programa que deu origem a APC Software nasceu em meados de 2005. Tudo iniciou com um programa desenvolvido por mim chamado FloodTudo, foi o primeiro programa do mercado desenvolvido para enviar scraps para todos os membros de uma comunidade do orkut.

 

Pergunta: - Qual foi o objetivo inicial ao criar o Orkut Cute?

 

Resposta: A idéia era desenvolver um programa para facilitar a vida das pessoas que utilizam muito o orkut, criando algumas facilidades, com enviar scraps para todos os amigos, entrada automática em sua conta do Orkut e uma melhor interação com os scraps. O programa funciona como um carro chefe do nosso site www.apcsoftware.com.br, pois comercialmente o Orkut Cute funciona como um meio de divulgação dos demais programas comerciais desenvolidos pela nossa empresa.

 

Pergunta: - A empresa APC Software tem alguma pretensão comercial?

 

Resposta: Sim, atualmente possuímos 8 programas comerciais, sendo que sete deles voltados a e-marketing e um de biometria para controle de funcionários.

 

Pergunta: - Porquê criar um site (www.apcsoftware.com.br) que oferece programas gratuitos?

 

Resposta: Somente um programa é gratuito (Orkut Cute), os demais é comercializado.

 

Pergunta: - Como é trabalhar com um programa essencial para diversos profissionais e ao mesmo tempo mal visto pelas pessoas?

 

Resposta: O problema é o uso que se faz do programa, o programa é extremamente útil é pode facilitar muito a interação com o orkut, porem deve ser usado de forma consciente.

 

Pergunta: - Como evitar o mal uso do programa Orkut Cute por spammers (propagandas em massa)?

 

Resposta: Como disse anteriormente, depende de como a pessoa resolva fazer a divulgação de seu produto, se a propaganda for direcionada e segmentada o retorno é muito positivo, não vejo nenhum inconveniente nisso, sempre orientamos nossos clientes e usuários a seguirem essas recomendações.

 

Pergunta: - Como passar uma imagem positiva do programa?

 

Resposta: Tentamos mostrar para as pessoas que utilizando as ferramentas do programa de forma consciente elas somente irão ter benefícios, afinal de contas até mesmo um carro pode ser muito útil ou pode se tornar uma arma, depende do uso que o condutor fizer dele.

 

Pergunta: - O programa Orkut Cute vai passar a ser pago?

 

Resposta: Atualmente não temos nenhum plano de tornar o Orkut Cute pago. O programa serve de demonstração de nosso trabalho e como marketing para os outros programas produzidos pela APC Software.

 

Pergunta: - Como é trabalhar com um produto que precisa ser sempre atualizado por ser considerado uma ameaça?

 

Resposta: Nossos programas precisam ser constantemente atualizados devido a mudanças freqüentes no Orkut, essa mudanças demandam tempo e dinheiro. Hoje possuímos uma equipe treinada para dar manutenção, suporte de todos os nossos softwares.

 

Pergunta: - Você acredita no princípio básico da internet, que ela deve ser gratuita e para todos?

 

Resposta: Sim acredito, hoje a Internet é a maior democracia existente no mundo e deve continuar assim, claro que como em toda democracia, deve seguir algumas regras para o bem star de todos. Crimes como pedofilia, racismo e fraudes eletrônicas devem ser combatidos com muito rigor.

 

Pergunta: - Você acredita que a luta pelo software livre pode ser na verdade a luta pela pirataria?

 

Resposta: Não acredito, sempre irão existir softwares comerciais e softwares livres pois eles desempenham papeis diferentes e fundamentais na nossa sociedade, até mesmo os maiores criadores de softwares livre do mundo, também produzem softwares comerciais.

 

Pergunta: - Deixe uma mensagem final para o leitores sobre essa poderosa ferramenta de marketing chamada Orkut Cute.

 

Resposta: O Orkut Cute pode ser um grande aliado e trazer grandes benefícios para o seu negócio, lembre-se que utilizando o programa com consciência você poderá atingir seus objetivos rapidamente, tanto comercial como pessoal.

 

Alexandre R. Pires

 

Perguntas Elaboradas Por Roberto Pantoja (Demorô)

Paulo Fona

November 24, 2008 by admin  
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Paulo Fona

Paulo Founa, jornalista premiado:

Sendo jornalista, qual perspectiva você faz do mais recente meio de comunicação de massa, a Internet?

Resposta: A de uma mudança completa de hábitos de leitura e divulgação de informação. A internet de fato acaba com as fronteiras entre países, povos e pessoas. Qualquer ação, em qualquer lugar do mundo, pode ser conhecida e assistida em todo o mundo. Basta apenas uma câmara e um laptop e o que ocorre no Cazaquistão pode ser acompanhado em Brasília. Imagino, também, que em muito breve instrumentos físicos como jornais e revistas impressas se transformarão em nichos de mercado – a nova geração nascida e criada em tempos de computador terá outros hábitos como ler os periódicos no seu laptop.

 

- Como se dá o processo de comunicação ou da veiculação da informação entre os mais carentes e os analfabetos?

 

Resposta: Esse é um ponto importante que eu gostaria de abordar. Antes de discutirmos isso, o Brasil precisa se voltar para erradicar o analfabetismo – hoje temos cerca de 46% da população analfabeta e semi-alfabetizada. Nenhum analfabeto consegue manipular um computador. O que devemos fazer é usar esse instrumento como meio de alfabetizar essa massa de brasileiros que podem se transformar em analfabetos funcionais. É preciso que o Estado tenha políticas públicas objetivas de inclusão digital para jovens e crianças, das escolas de primeiro grau até as de terceiro grau. 

 

- Como a mídia impressa pode concorrer com o rádio e os sites, que são sempre muito mais instantâneos? A seleção da notícia é cada vez mais importante?

 

Resposta: Sem dúvida. É preciso identificar o público alvo de seu jornal ou revista e usar os sites própios como meio de atrair os seus leitores fiéis e os eventuais. Veicular aquelas informações que interessam ao seu leitor ou internauta, com a maior rapidez possível.

 

- Hoje em dia para o avanço do país (Brasil) o analfabetismo é barreira quase intransponível? 

 

Resposta: De algum modo já respondia essa pergunta anteriormente. É fundamental que o Brasil se debruce sobre esse problema – o analfabetismo – e encontre soluções rápidas para não aumentarmos as distâncias econômicas, sociais e políticas dos poucos que têm muito e dos muitos que têm pouco.

 

 

- Qual o papel da mídia na construção dos ídolos de uma Nação?

 

Resposta: É muito importante. Arte e política, no Brasil têm a ver com os meios de comunicação. Se faz muita arte e políticas através da mídia. No caso da política, quase que exclusivamente pela mídia. Então, nossos ídolos são aqueles que têm espaço generoso na mídia, por suas qualidades e respaldo na população. Diria que, no mundo de hoje, boa parte do sucesso de um cantor e ator depende também de sua maior ou menor inteiração com representantes da mídia. 

 

Perguntas Elaboradas Por Andrei Almeida

Deputado Federal Daniel Almeida (PC do B)

November 24, 2008 by admin  
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Daniel Almeida

- Como surgiu a idéia de limitar o tempo nas filas de banco?

 

Pela constatação visitando agências bancárias, percebendo a existência de enormes filas e a permanência de pessoas por mais de duas horas esperando para serem atendidas além da sugestão de alguns sindicatos.

 

- Qual avaliação que o Sr. faz da questão dos Direitos Humanos no Brasil?

 

O Brasil está longe de um modelo que assegure os direitos elementares da pessoa humana. A falta de acesso aos Direitos Humanos se dá em todos os setores, como na falta de emprego, falta de moradia, falta de saúde e segurança aos cidadãos. Falta de acesso a bens culturais e a forma mais explícita de violação de Direitos Humanos é a matança de pessoas que assistimos todos os dias em todos os cantos do Brasil.

 

- O Estado do Sr., a Bahia, carece de muita atenção por parte das autoridades do Executivo? Ou o problema é na região Nordeste como um todo?

 

As carências da Bahia se inserem na carência do Nordeste como um todo, porém, são mais graves no estado da Bahia, por maior ausência da distribuição de riqueza gerada no estado.

 

- Que perspectivas o Sr. tem em relação ao parlamento brasileiro?

 

Espero que o parlamento brasileiro recupere o espaço que perdeu nesse período recente e avance no sentido de ser um espaço de debate, de formulação de políticas públicas e de leis de interesse nacional.

 

- O turismo na Bahia vive um momento promissor? 

 

O turismo na Bahia tem crescido como em todo o Nordeste, mas ainda é menor que o crescimento que existe no mundo inteiro e precisa desenvolver todo o seu potencial que ainda está longe de ser alcançado.

 

Perguntas Elaboradas Por Andrei Almeida

Rodrigo Rollemberg

November 22, 2008 by admin  
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Rodrigo Rollemberg

Rodrigo Rollemberg - Ex- secretário de Inclusão Social - Ministério da Ciência e Tecnologia

 

- De que forma você analisa o acesso da população em geral aos avanços tecnológicos e científicos?

 

Até bem pouco tempo atrás quando se falava em CeT se imaginava algo como programa espacial, programa nuclear, biotecnologia, etc todos temas da maior importância. A novidade e o desafio que se coloca hoje é como a ciência e a tecnologia podem melhorar a vida da população comum. Essa é uma preocupação nova do ponto de vista das políticas públicas. 

De qualquer forma a nossa população encontra-se distante dos benefícios produzidos pelo desenvolvimento científico e tecnológico.. 

 

- A Internet ainda é privilégio de poucos?

 

Infelizmente a internet ainda é privilégio de muitos poucos.

 

- Por que o Brasil foi ao espaço com um representante astronauta, cosmonauta tão qualificado quanto o Marcos Pontes e, no entanto, o Brasil é cheio de problemas domésticos e terráqueos? Como explicar este contraste?

 

São as contradições do Brasil. Ao mesmo tempo que temos áreas que se desenvolveram bastante com o apoio do Estado como o setor petrolífero com a Petrobrás, o setor aeronáutico com a EMBRAER , a agricultura e a pecuárias tropicais com EMBRAPA e a recuperação motora com a Rede Sara de hospitais temos problemas de saneamento básico e de desnutrição. Ao meu ver o problema não está na ausência de conhecimento mas na sua apropriação, feita apenas pelos mais ricos. 

 

- Em relação aos eventos culturais? Qual a sua real importância?

 

Os eventos culturais são fudamentais por diversos motivos: promovem a cultura local, reforçam as identidades culturais, promovem a interação entre pessoas e são alternativas de entretenimento e lazer.

 

- Que mensagem gostaria de deixar aos futuros e já iniciados no meio científico?

 

O conhecimento é o maior bem que podemos adquirir. Mas o seu valor está diretamente ligado ao uso que se fará dele. Que ele possa servir para construir um mundo melhor. Para todos!

 

Perguntas Elaboradas Por Andrei Almeida

 

Danilo Caymmi

November 22, 2008 by admin  
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danilo caymmi

Perguntas relacionadas a música nacional:

 

- Em que momento da sua vida você decidiu que seria compositor? O ambiente familiar o influenciou?

 

Aconteceu naturalmente aos 20 anos de idade muito por conta do ambiente familiar.

 

- O que você recomendaria a jovens músicos iniciantes?

 

Muito estudo porque o mercado de música é altamente competitivo e seletivo.

 

- Ter seu trabalho reconhecido fora do país lhe traz a sensação de estar levando além da boa música, também o nome do Brasil para o mundo?

 

Com toda certeza , embora nossa música atualmente não consiga ser tocadas em mercados importantes ( principalmente os de língua inglesa) , muito por conta da qualidade.

 

- O que você pensa dos produtos pirateados, principalmente, os CD’s de música?

 

Tudo isso é muito ruim porque prejudica diretamente o compositor mas por outro lado seria bom observar que foram as próprias gravadoras que começaram o processo (na prática de venda de cds sem nota fiscal o que explica a resistência à numeração dos produtos).

 

- Será mais eficaz no combate à pirataria uma conscientização do público e preços mais acessíveis dos originais?

 

A conscientização é um fator importante mas devemos lembrar que o pirata não paga direitos conexos , produção , etc…

 

- Como você avalia as novas tecnologias, como o MP3, troca de arquivos, etc., para a indústria da música?

 

Muito bom e faz parte da evolução natural das coisas.

 

- Dos novos artistas quais os que lhe chamam atenção pelo estilo e musicalidade?

 

Atualmente a música alternativa paulista.

 

- A que você atribui o fato do público estar menos seletivo quanto ao que ler, ouvir e ver?

 

Principalmente políticas culturais dos últimos anos e a pobreza que é a tv aberta no Brasil.

 

Perguntas Elaboradas Por Andrei Almeida, Camille Almeida & Roberto Pantoja

 

 

Naomar de Almeida Filho (reitor da UFBA)

November 22, 2008 by admin  
Filed under Entrevistas

Naomar Almeida

Perguntas relacionadas ao futuro do ensino no Brasil:

- O que o senhor acha do ensino fundamental e médio brasileiro (público e particular)? O que é necessário além de altos investimentos?

Há um consenso no país: o ensino de primeiro e segundo graus é de baixíssima qualidade na escola pública e de ótimo nível na escola privada. Na escola pública, não vai ser necessário somente maiores investimentos. Vai ser preciso melhores investimentos. Além da universalização do acesso, que parece estar sendo atingido, é preciso investir na qualidade do ensino, na formação de professores e no reequipamento das escolas.

- Como conciliar qualidade de ensino com arrocho de verbas?

Com mais controle da corrupção e da fraude. Os políticos, principalmente os gestores municipais, vão ter de descobrir que deixar de alfabetizar uma criança e reduzir as chances de formação de um jovem constituem crimes tão sérios quanto latrocínio ou tráfico de drogas.

- Qual a solução para o ensino superior se tornar realmente público, ou

seja, para todos?

Ampliar as vagas de vestibular, melhorar as instalações das universidades públicas, pagar melhor aos professores e, principalmente, aumentar a eficiência e a qualidade da gestão acadêmica. Quando a escola pública superior estiver em boas condições, então o setor privado fará seu verdadeiro papel de eixo complementar.

- Com tantos anos de experiência, o que o senhor recomendaria para um

jovem? O que seria ideal para sair da universidade empregado?

Claro que sair da universidade empregado é o sonho de todos os que nela entram. O meu conselho é ficar atento às chances que sempre aparecem e começar a trabalhar cedo, desde o começo do curso superior, buscando estágios e treinamentos. Além das oportunidades que sempre aparecem, acredito muito nas oportunidades criadas pelo empenho de cada um. Cabe construir o próprio caminho. Bill Gates não será o último a abrir um espaço novo ainda nos bancos universitários.

- Na sua opinião, existe no Brasil alguma profissão que garanta uma vida

financeira tranqüila?

Não. Neste mundo globalizado e cada vez mais inseguro, todas as profissões são fonte de inquietação para o profissional. Aliás, retifico. Sempre foi assim, mesmo antes da velocidade da vida moderna. O bom profissional tem que ser inquieto para ser competente e criativo. A tranquilidade absoluta não é fator que conduz ao progresso.

Perguntas Elaboradas Por Andrei Almeida & Roberto Pantoja

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