Pronto, já havia completado o objetivo. A missão espacial voltava à Terra enquanto confirmava via rádio que todo o rito de plantar uma bomba H na Lua estava concluído com sucesso, conforme planejara o Sr. Juvêncio. Ele bem que desconfiava que alguém já tivera esta idéia antes, porque de fato ele nunca entrou em ônibus espacial nenhum. Este era o homem que, de verdade, queria dominar o mundo, e sua chantagem não via fronteiras, raças ou tribos. Ele podia a qualquer momento pôr o mundo numa escuridão só, num breu.
O Sr. Juvêncio tinha um comportamento duvidoso, o que colocava a humanidade em risco maior. Ele nem se importava se a explosão da Lua podia ceifar também toda a estrutura do Sistema Solar. O Sr Juvêncio tinha feito todo seu plano baseado em financiar uma viagem para ele, não espacial, mas sim especial. Tinha recursos suficientes para isso, influência também. Além disso, o Sr. Juvêncio admitia um certo caráter nacionalista, e odiava quando qualquer governo pensava em ser dono ou promotor do amor à pátria. Se bem que para ele pouco importava tais questionamentos, quando o assunto dizia respeito ao seu plano. E ai se algum de seus pedidos não fosse atendido, principalmente, quando ele refletia sobre um assunto muito sério para ele: a guerra. Ninguém jamais duvidou da capacidade de o Sr. Juvêncio acionar o dispositivo da bomba. Portanto, nenhuma de suas exigências, que para ele eram pedidos cordiais, apesar de poder acabar com, no mínimo, as noites iluminadas, ficariam à espera, sem que fossem rapidamente atendidos.
Um belo dia, na sua casa de campo – era onde ele preferia estar, na sua rede bem tecida entre dois pés de jambo –, o Sr Juvêncio não simpatizava muito com ambientes fechados, mas se havia uma coisa da qual não abria mão era da sua maleta com o dispositivo acionador da bomba. Ela também podia ser acionada via voz, mas o Sr. Juvêncio tinha um certo receio de que, em seu cochilo, ressoassem as tais palavras necessárias e bum! Foi então neste cenário, devo confessara, um tanto promissor às reflexões, que o Sr. Juvêncio decidiu: ou não haveria mais guerras e prevaleceria no mínimo o respeito e a tolerância entre os seres humanos ou então ele explodiria o satélite natural que em muito inspirou os boêmios, os poetas.
Isso sem falar no amor.
Andrei Almeida