Sexta à noite, um jantar para arrecadar dinheiro para profissionais da área de saúde. Para irem ajudar pessoas necessitadas em Guiné-Bissau, África. Uma parceria com a premiadíssima ONG “Médicos Sem Fronteiras”. Algo lindo, realmente tocante. Foi o que pensei, cheguei lá e já descobri que era o “jantar da igreja”. Tudo bem vamos lá. Cheguei atrasado e dei de cara com um pastor falando sobre a viagem. Primeiro disse que o país tinha diversos deuses, e que não existia uma bíblia traduzida na língua local. E daí? Depois disso o jantar virou missa e a ajuda humanitária virou “missão”. Até rezamos antes de comer, abaxei a cabeça de vergonha. Resumindo, disseram que ajudariam com apoio médico e espiritual, iriam levar fé. Levar fé? Essa foi de doer. Escutei tudo aquilo e fiquei triste. Naquele momento aquele programa humanitário não me interessava mais, parecia mais uma grande hipocrisia. Para começar podiam começar ajudando os moradores do lixão na estrutural, aqui em Brasília mesmo, é mais perto. E acreditem a situação deles pode ser pior. Depois, esse papo de fé me faz lembrar a Idade Média. Quando a igreja católica desembarcou no Brasil no seu descobrimento, e trouxe essa mesma “fé” para os índios. Alguma semelhança com o nazismo? Absurdo? Pensem bem, todos esses exemplos querem impor uma cultura dita como superior. No que Hitler acreditava? Na superioridade da raça ariana. Correto? Principalmente na superioridade das suas crenças. Se Hitler tivesse nascido na Nigéria, iria impor a superioridade da raça negra e nos seus rituais. O resto, lógico, seria considerado inferior. Simples assim. Subjulgar uma raça e suas crenças é um absurdo. Guiné-Bissau não é pior por não ter uma bíblia traduzida, ou por seus habitantes falarem em dialetos. Isso é a cultura deles. Deve ser respeitada, nenhuma cultura ou raça é superior a outra. Isso é um crime contra a humanidade. Deveria dar cadeia. E geneticamente falando não existe raça, somente culturalmente. Impor uma cultura, uma crença é algo abominante. Incrível que existem coisas desse tipo nos dias de hoje e bem aqui em Brasilia. Isso é um atraso, faz de uma causa tão nobre se tornar um motivo irrelevante. Morrer de AIDS, fome ou pisando em minas terrestres parece pouco. Aleluia!
Roberto Pantoja (Demorô)