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É difícil perder, odeio perder. Muito mais para alguém pior que eu, mais feio, menos interessante. E naquele momento que você tem certeza que está dominando a situação, logo nele que quebra a cara. E a única pessoa que você se entrega, normalmente é a que te da um fora. Um belo fora. E ae cabe a pergunta, será que dei tudo de mim? Será que correspondi as espectativas? E aí você percebe que beleza não é tudo, fazer rir também não. Existem detalhes, pequenos. Passar segurança, corresponder afeto, ser fiel, ser o único. E aquele camarada sem graça, meio gordinho, faz isso. E ele ganha, porque está realmente interessado, pelo menos demonstra isso. E toda aquela raiva que você sente dele, repudio, na verdade é inveja. Devia mesmo ter sido assim, mas na maioria das vezes não tem mais tempo. A sua vez passou e ela já é feliz, e o pior, sem você. A rotina volta, sair, sair, sair. Você queria o que? Ficar em casa esperando? Ninguém quer ficar sozinho, domingo e segunda acabam com a gente. Ser solteiro cansa, é aquela eterna busca por alguém especial. Quem disse que temos escolhas? Um dia isso vai acabar, juro que vai. 

 

Roberto Pantoja (Demorô) 

Grafite

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Minha ex-namorada é o retrato mais cru do atraso mulheril desse Brasil. Especialmente do atraso MENTAL mulheril (não estou generalizando, mas quando falamos em “mente atrasada” a das mulheres – justamente por ser o sexo frágil – logo vem à tona, nem adianta discutir).

 

Nem sou machista. Sou uma vítima. Vou te explicar: antes de ir ao trabalho, hoje (detalhe: fui e já voltei, foi um ótimo dia. Sou jornalista. Pedi demissão. Sou maluco. Doidão), decidi comprar grafite. É. Não sou pixador não. Queria aquele calibre 0.5mm para minha lapiseira preta. Não é nenhuma analogia de tira, tampouco. SOU JORNALISTA. E como todo jornalista, tenho as minhas manias. Uma delas é encasquetar que devo comprar grafite zero ponto cinco ainda que esteja abastecido de muitos deles. Tão abastecido que hoje não acabaria mesmo se eu passasse todos os minutos de meio-dia até meia-noite só escrevendo, e depressa. Acontece que quis comprar. A papelaria, onde bastante desse tal grafite (que suja nossas mãos, é um saco, prefiro lápis, mas lápis também quebra a ponta muito fácil – não ligue para minha implicância com todas as coisas: pior mesmo é o grafite 0.2; e as lapiseiras que utilizam grafite 0.2!) é vendido, fica acima da parada. A parada. A parada sempre abarrotada, suada e movimentada. Movimento é o contrário de parada (e está no masculino, ademais). Mas é sinônimo, quando é parada de ônibus. Então saí de todo esse movimento, de todo aquele rebuliço. Esse – aquele. Essa transisão demonstra que estava perto da balbúrdia. Daquelas pessoas suadas pelo trabalho no turno da manhã esperando a lotação para embarcar e se melar no suor dos outros. Sim, que estava perto delas. E que de repente me distanciei (“aquela”). Aquela é para coisas distantes. Quanto mais distante da parada, mais perto da tal papelaria (e é um saco: toda hora eles mudam o grafite de prateleira e banco o bobo o tempo todo para aquela caixa/balconista, uma menina que vende toneladas de grafite e quase nunca escreve. Eu hein…). Tá. Cheguei à porta.

 

Ops.

 

Eu esqueci que o propósito do texto era demonstrar o atraso mulheril no Brasil. Se fosse só para narrar minhas desventuras até desembolsar 4 reais para comprar duas caixas de grafite (com troco de supostos 2 centavos: só vim a receber 1!), aí sim o parágrafo acima cairia muito bem. Mas no meio do caminho entre a parada (de ônibus) e a papelaria (que me lembra ônibus, porque eu “banco” o bobo para a balconista e no ônibus tem banco – ou algo duro que com este parece), o meio-termo entre o “esse” e o “aquele”, eu cruzei com a melhor amiga. Não tenho melhor amiga. Seria um atraso ter melhor amiga/retrato-do-atraso-mulheril-do-Brasil. Vai que um dia ela sai com um costa-riquenho por aí e… (peraí, não devo entregar o mote desta prosa antes do horário). Tenho boas amigas, mas “melhor” amiga mesmo só quando é melhor amiga dos outros e vem falar comigo. E quanta intimidade. Parece até que era a melhor amiga minha mesmo. Era (é, se bem que aquela pessoa morreu pra mim – aquela: distante, distante, far, far away…) a melhor amiga da minha ex-namorada. Eis o ponto capital! Você que agüentou ler até aqui… eu PROJETEI ISSO! Projetei que quem não leu até aqui não fosse ler mesmo. Esses são de estômago fraco (ou então comem grafites, ao invés de com eles escrever). Enfim: até a sua descrença nos meus projetos e planos é um projeto meu. Eu projetei que você, que chegou até aqui, achasse esse texto aborrecido. Mas vai continuar, porque quer saber a relação entre grafite, mulher burra e ex-namorada.

 

Daí que essa amiga (longe de ser melhor: aquela, aquelazinha…) veio me dizer que aquele (aquele… aponto para o vácuo) pedaço grotesco de burrice (minha ex, claro) se arrependera de ter me largado por um estrangeiro. “O melhor do brasileiro é que ele entende essas coisas fácil”. Um costa-riquenho metido à besta, do alto de seus 42 anos (nossa, será que o pinto dele ainda levanta?). Eu tenho 18. Ela 22. Êta mulherada burra. Não sabe se libera o cofre para os recém-nascidos ou para os velhos gagás. Aliás, eu tinha 17 àquele tempo. Ah, férias de janeiro. Janeiro último. Minha barba nem era rala… Rala como um grafite.

 

Prosseguindo, veja que toda mulher burra se vende. Vende-se para o estrangeiro. Não estou nem aí para o FM…Ih, nem para isso de neoliberalismo. Mas o patrimônio nacional, que nem faço mais questão de proteger (nossas mulheres), quando não devidamente inteligentes, vendem-se ao mercado externo. A um gringozinho qualquer. Só porque quando bêbado ele erguia mas o queixo, o que fazia com que sua cabeleira grisalha ficasse oculta e “para trás”. Para trás no ângulo de visão de quem o olha de frente. E a imbecil/ex-namorada era balconista (de novo isso… e ela também escrevia muito pouco, mas não vendia grafites) do bar. O bar. Não vou falar porque é capaz de ela ainda estar lá. E você leitor não vai pesquisar. E de qualquer modo não vai chifrar ninguém: ela virou uma pobre coitada. Balconista e cliente. Um fica de frente para o outro. Legal. Deve dar para trocar muitos olhares.

 

Mas, então, o cara, velho, ficou cansado. Além de o tempo tê-lo deixado cansado por si mesmo (deve ter as costas encurvadas), ele cansou dela. HAHAHA. E ela se arrependeu. Vou correndo para a inútil da balconista (ops, aquela?). Não. Mas meu ego inflou. Andava tendo muitos sonhos de corno. Agora isso acabou. Porque descobri que usando esse grafite que não faz mal a ninguém eu posso expressar minhas emoções e esquecer das balconistas que me atendem mal, e atendem aos outros bem…

 

Não foi de grafite. Eu digitei direto no note pad. Mas tudo nasceu de uma conversa com o dono deste site. Ele está rindo. Um dia vou cobrar participação nos lucros dele aqui. Falo sério. Pedi demissão. Como vou comprar meus grafites?

 

De: Anônimo [se você sabe meu estilo de escrita é como se tivesse me visto pelado - sabe exatamente quem sou eu]

Wormsaiboty

Alguém especial…

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Os melhores momentos da vida são inesperados. Surge uma pessoa, logo aquela idiota. Metida, sisuda… linda. Claro, elas sempre são lindas, mas você não admite. Vai ver tem raiva, ela nunca te deu bola. Só olha pra cima, só dança sozinha. O nariz perfeito mira no teto, exatamente como o seu. No alto da sua auto-estima, arrogância, não admite que não olhem pra você. Nada tira da sua cabeça, nunca me envolveria com ela. Imagina me relacionar com alguém assim, odeio esse tipo de mulher. Mesmo que lá no fundo… Afinal na vida só odiamos quem amamos ou de quem temos inveja, até parece. E não é que um dia algo acontece. Inesperado. Uma chance, um momento. Vai saber, nem era isso mesmo que você queria. A vontade existia, afinal ela é linda demais, mas nada, além disso. Então você conhece, conversa, se interessa. Nada demais. Ficam horas rindo juntos. Nada demais. No outro dia nada aconteceu, você nem lembra direito. Vodka é mesmo uma merda. Vêm umas lembranças, vagas. Verdade, ela é bem diferente. Até que é legal. O tempo passa, você esquece por completo, nem lembra. Finge, no alto do seu pedestal. Prefere assim. Encontra de novo, ela está sempre acompanhada. Nem liga, você é maior que isso. Ela passa, sorri, te cumprimenta. Você nem disfarça. Ela finge, tenho certeza, falsa. Logo que, inesperado, surge outra oportunidade. Dessa vez é pra valer, pelo menos é exatamente o que você espera. É o que você mais quer. E acontece, é especial, é errado, quem liga? Um dia perfeito, ele sempre é ao lado de quem te faz sorrir. Ao seu lado o tempo passa rápido, nem senti. Ela vai embora, dessa vez foi diferente, pelo menos é o que você quer. Sim, foi diferente. Não me sae da cabeça. Ela liga, você adora, ela some, você não sabe como agir. Não quer esperar. E se ela sumir? De novo? Sei lá, vai ver… era mesmo pra ser assim. Tomara que não. Adorei te conhecer.

 

Roberto Pantoja (Demorô) 

Começo de relacionamento… é mesmo uma merda! Conhece alguém, especial, bate um lance, uma química, uma vontade de ver de novo. Então começa: orgulho, ciúme, joguinhos. “Hummm não vou ligar hoje!”, “Ela pode pensar sou chiclete!”, “Se encontrar ela por acaso não tento nada”, “Se não… isso”, “Se não… aquilo”. E todas aquelas atitudes deploráveis e independentes de idade. O ser humano e seus vícios, comportamentais. Erramos e não aprendemos. Tentar nunca mais! E depois? Ninguém é suficientemente bom! E esquecemos como pode ser bom tentar de novo, e errar também. No final o tempo passa, ninguém liga e o orgulho ganha. Ele sempre ganha. E aquela pessoa que você teve um dia especial, “o chão tremeu”, se torna apenas “aquela pessoa”. Como seria bom sentir algo e expressar. Vivemos de mentiras, de omitir sentimentos, desejos. Qual o problema em falar: “eu te amo”, “nunca senti isso antes”, “to me sentindo tão bem ao seu lado”, etc. Tão triste, e vamos continuar mentindo para nós mesmos, sozinhos, e na maioria das vezes acompanhados da pessoa errada. Se vamos aprender com o erro? Nunca. :(

 

Roberto Pantoja (Demorô)

Cego

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A vida é mesmo feita de encontros e desencontros. Quantas pessoas especiais já passaram pela sua vida, quantas cretinas também? Pessoas que dariam certo, seria um relacionamento ideal e você seria muito feliz. Mas por obra do acaso, problemas pessoais, momentos errados, acabaram sumindo. Nunca mais ligou, nunca mais ligaram, e pronto acabou. Ficamos tristes, reviramos o passado, “nossa como poderia ter sido legal”. Já passei por isso dezenas de vezes, mas no final prefiro acreditar que era para ser assim. Talvez nem fosse, mas é melhor pensar que sim. São milhares de vidas paralelas, de destinos que poderiam ter sido cruzados, mas não foram. Talvez porque o futuro nos reserva algo? Acredito que o futuro não nos reserva absolutamente nada. Fazemos nossas escolhas e o futuro é o resultado disso, nada mais. Não existem previsões, só conselhos. Tentamos fugir da realidade, acreditando que entre o céu e a terra existe muitas coisas, mas não se chega muito longe por aí. E no final vejo que não deu certo somente porque não deixamos. E o melhor é não sofrer, e bola pra frente. Por isso acredito que devemos pelo menos dar a chance de acontecer, para qualquer um, de um desenrrolar, de uma história. E então tirar uma conclusão. Não deu certo? Ok. Mas para isso temos que largar esse sentimento cretino chamado preconceito. Então quando esbarrar em alguém, esqueça tudo que falaram e pelo menos dê a chance dele(a) se apresentar a você. Você não tem nada a perder, no máximo encontrar o amor da sua vida.

 

Roberto Pantoja (Demorô)

Infelizes do amor

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Pobre dos infelizes! Mendigando amor, na constante busca pela felicidade. E sabe lá se ela existe mesmo, e se o caminho estiver errado? Ser feliz é algo pessoal e subjetivo, como qualquer sentimento. Sentimento esse que nos amarra e nos atrasa a vida. Pense, quando estamos sozinhos, estamos assim por que “não queremos” ninguém. Nossa vida é: antes e depois de alguém. Percebem? Não existe nada além disso, por que não faz sentido. E por isso, nesse exato momento tem pessoas por aí gritando por carinho, por amor. Coitadas. Não aquentam essa vida injusta e vazia. Uma vida plena é uma vida com alguém? Será? Nos ensinaram isso, concordo. Tipo, “não fique sozinho, mas não dependa de ninguém”. Como assim? Não faz o menor sentido. Essa vida frenética e moderna não combina. E as coisas simples? Um olhar, um beijo, um sorriso. Nada nos satisfaz, tudo é pouco. Agora é: trabalhar, trabalhar, correr, correr, o tempo, o tempo. Esqueça tudo, desista de ser feliz, não tem tempo pra isso. Não tenha filhos, seja solteiro, não tenha vícios. Esse sistema não funciona, não é compatível com o que desejamos. Que confuso, como assim? Ficar sozinho, ou mendigar por alguém? O mundo que conhecemos nos coloca o tempo todo nesse dilema. Alguma coisa tem que mudar. Cadê a razão de viver? Cansei desse papo de viver, trabalhar e morrer. Queremos ser independentes, e quanto mais independentes mais infelizes somos. Ninguém pode viver sozinho, olhe para o lado. Não é Deus que faz estarmos aqui, presos, e ainda vivos. É a recompensa, e nesse mundo não tem recompensa! Ame e foda-se o mundo. 

 

Roberto Pantoja (Demorô)

Mal-amados

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O que é o amor? Talvez mais um ponto de interrogação da vida, mais um. Ás vezes acho que já amei demais. Tanto, que nem quero mais, dói tanto. Me tornei uma pedra ou então uma pessoa sensata e mais feliz. Prefiro ficar sozinho, tão sozinho que acabo precisando de alguém, alguém que fique do meu lado. Alguém que me ajude a catar todos os milhões de pedaços que meu coração foi largado, largado há um bom tempo, tempo em que eu me deixava levar, bons tempos. Ele está em tantos pedaços, o meu coração, que nem sei se saberei montar tudo de novo. É como um brinquedo que você desmonta e quando vai tentar consertar percebe que nunca será como antes. Me sinto assim, minha vida é assim, acho que nunca serei como antes. Nunca sentirei aquele estalo novamente, nunca mais encherei meus olhos de água ao sentir a sua presença, e nunca mais sentirei aquele frio na barriga que só os que amam podem sentir. De sortudo a azarão, a vida é mesmo injusta, nos faz tão feliz só prá perceber o quanto ser feliz pode nos deixar tão tristes, e pronto, agora só não somos felizes porque temos medo de sermos tristes. Tão confuso, mas tão simples prá quem sente isso, eu sinto. Será que sentirei tudo aquilo que nego, será que deixarei sentir? Me pergunto todos os dias, e simplesmente não abro a porta do meu coração por nada nesse mundo, prefiro trancá-la a sofrer de novo, e já percebi que não estou sozinho. Isso mesmo, existe um exército de mal amados como eu. E posso garantir, apesar de termos maturidade o suficiente prá saber que é melhor assim, todos temos aquela vontade de errar de novo. Afinal, qual seria a graça da vida sem essa vontade? Esquecer pode ser sim o melhor remédio, mas afinal a vida não é feita de memórias? Não nos tornamos pessoas melhores por termos mais experiências? É tão difícil escolher, queria tanto apagar tudo que foi ruim prá mim, mas só prá poder viver tudo de novo e lembrar o quanto é importante ficar sem você e como eu daria tudo prá te ter de novo. Você não é alguém, mas apenas o amor. Assistam ao filme “Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças”, é de partir o coração! 

 

Roberto Pantoja (Demorô)