Se escrevessem um livro que ensinasse como acabar com um bom negócio, uma boa idéia. Acreditem, quem inventou e acabou com o carnaval fora de época de Brasília seria a pessoa ideal! Engraçado, foram passos, de modo gradativo. O “negócio” micarê seguiu etapas. Assim como uma empresa, teve um começo, meio e fim. Tudo começou há anos atrás, nem faço idéia, e nem importa também. Teve um começo modesto, como tudo. E há uns cinco anos atrás o apogeu, centenas de milhares de foliões, uma festa do povo. Segregação? Claro, como tudo em Brasília. Mas o espírito era outro, a cidade parava. E só parava porque a maior parte da população é humilde, pobre. Eles são a “pipoca”, a alma da festa. Tudo era realizado no centro da cidade, para todos. Foi aí o começo do fim. A violência era enorme, assim como tudo no Brasil. Decidiram mudar o local, criar um espaço para a “pipoca”, ainda mais segregado. O povo não compareceu. E a cada ano diminuíram a participação do povo. Esquecendo que Micarecandanga é uma festa popular, com corda, com cordeiros, com violência, com baixaria. Até se transformar em uma festa elitizada, e o pior que o tiro saiu pela culatra. O ingresso só caiu de preço. E a última edição da Micarê foi uma piada, ninguém comentou, o abadá valia menos que o camarote. Festa vazia, em um local equivocado. Colocaram Ivete Sangalo para tocar no palco. Tiraram o Babado Novo. E uma série de erros. Mataram o evento. Apostaram em publicidade, mas infelizmente propaganda sem produto não tem retorno. Reviravolta? Reinvenção do negócio? Pela última edição do evento, duvido muito! Com acabar com um evento em dez lições. Um bom nome para um livro. Micarecandanga descanse em paz! 

Roberto Pantoja (Demorô)