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O que aconteceu com Brasília? A capital do Brasil sofre de uma bolha imobiliária sem precedentes, os preços dos imóveis em alguns casos chegaram a duplicar em menos de dois anos, rendimento muito superior ao da bolsa de valores. Como um investimento tão conservador consegue rendimentos tão altos?

A princípio o “caso Brasília” não faz o menor sentido, afinal o preço de seus imóveis estão fora da realidade brasileira e brasiliense. Casas simples no bairro Lago Sul que custavam 500 mil reais, hoje custam hum milhão de reais.

A lógica não se aplica para os valores praticados neste mercado, seria necessário mais de dez anos de poupança para um funcionário público de alto cargo comprar uma residência na cidade. A classe A e B é praticamente formada por funcionários públicos, que não possuem este capital, mas mesmo assim os preços não param de subir, existem casas que mudam de preço em uma semana.

Existem teorias que afirmam que a cidade não para de crescer graças a entrada de novas empresas e obviamente ao investimento do Estado, que bateu seu recorde de contratação de funcionários públicos este ano. Mesmo que isto faça algum sentido, continua sendo ilógico os valores dos imóveis.

Existem também teorias que crontadizem tudo isto, afirmam que os imobiliárias prostituem o mercado, oferecendo imóveis com valores irreais. Basta procurar nos classificados para encontrar residências semelhantes, em relação a localização e qualidade do empreendimento, com variações de preços absurdas. Há também casos de casas de mesma qualidade, em que uma está situada em um bairro nobre e a outra no subúrbio e custam o mesmo valor. Quanto ao aluguel dos imóveis os fatos são ainda mais contratantes, como o caso de mansões idênticas, nas quais os aluguéis variam 100%.

Com certeza alguma coisa está errada em Brasília. A teoria mais comentada na cidade é que os servidores públicos e os políticos compram imóveis para a lavagem de dinheiro corrupto. Não acredito em tal teoria, prefiro acreditar que fazemos parte de um círculo vicioso que aumenta o tamanho da bolha imobiliária todos dias, criado pelas corretoras de imóveis e por nós mesmos. Não se preocupe, a bolha logo logo estoura e Brasília irá voltar a sua realidade. A cidade não tem infraestrutura e nem chama atenção devida de investidores para os preços praticados.

Roberto Pantoja (Demorô)

senado

Hoje a politicagem fez mais uma vitima, o então diretor do senado perdeu seu cargo por pura politicagem. Primeiro saiu uma reportagem na Folha de São Paulo sobre sua propriedade avaliada em 5 milhões de reais e em três dias Haciel pediu demissão, leia-se foi deposto do cargo.

Suas declarações sobre sua propriedade são absolutamente verdadeiras, disse que há dez anos atrás vendeu a casa que possuia no Lago Sul em Brasília por 420 mil reais e comprou uma casa menor na beira do lago paranóa por 470 mil reais. Essa afirmação é verdadeira, basta procurar saber quanto custava os imóveis na época.

O valor atual das propriedades em Brasília são fora do normal e os corretores avaliaram a casa em cinco milhões de reais, um preço fora da realidade. E ainda é preciso levar em consideração que o valor do imóvel cotado no imposto de renda é o mesmo do IPTU, um valor sempre muito abaixo do mercado, logo a afirmação do ex-diretor do senado que a casa vale 2,5 milhões de reais é também verdadeira.

Como sempre o povo só abre os olhos para o que a mídia apresenta e não estuda os fatos. A razão pela qual Agaciel perdeu o cargo nada tem a ver com o seu imóvel, o qual o salário é perfeitamente suficiente para manté-lo, mas sim com o atual governo que rola as cabeças de quem não faz parte do jogo. Agaciel foi uma vítima da corrupção do governo e da louca valorização dos imóveis em Brasília.

Roberto Pantoja (Demorô)

Sinal de trânsito, pé preto, sinais das queimaduras do asfalto quente, muito sujo, suado, pobre. Algumas Mercedes paradas, janelas fechadas, olhares distantes. É melhor fingir que nada acontece, seguir em frente, a vida continua, antes ele do que eu. Tenta uma moeda, um olhar, uma atenção. Ninguém dá a mínima. Pedintes na rua se tornou algo comum, corriqueiro, nosso dia a dia.

Tudo isso acontece em pleno Lago Sul, bairro nobre de Brasília. Nos tornamos róbos, desumanos. Cadê aquele papo de irmão, de amar o próximo? Aquele papo de domingo na igreja? O problema não está em não ajudar ninguém e só pensar em si próprio. Afinal faça o que bem entender, isso é uma preocupação só sua. O problema mesmo é fingir que é catôlico, que se importa, que não é racista, que não é machista. O Brasil é exatamente assim, o país da hipocrisia. Seja um cretino, só não esconda de ninguém.

 

Roberto Pantoja (Demorô)