Diálogo com um andarilho, Thor Wood:
TW: Temos ao menos de ter algo em que ter fé.
EU: Ter fé é que fode. Tem é que fazer.
TW: Capitulo… concordo com você.
EU: “Ui, ui, nós teremos escolas melhores, meu povo”. NÃO. Tem que dizer assim: “se você não tirar esse traseiro gordo do seu sofá, desligar esse Domingão do Faustão e mandar seu filho fazer o mesmo, tudo vai continuar do jeito que está. Você, cidadão, irá morrer de fome. Seu filho será um analfabeto funcional, limpará o chão para os poderosos. Não por coincidência muitos dos tais poderosos “sofreram” na infância de tanto ler livros. Ah, se você soubesse o prazer que dá degustar as palavras impressas… Que sofrimento que nada! Tendo eles gostado ou não de tanto ler, enfim, fato é que no futuro cuspirão na cara do seu filho, sem que ele possa fazer nada. Isso de “brasileiro é tudo igual” é mentira das boas. Todo país tem sua elite. Raramente elite intelectual não se mistura com elite financeira (Cuba não entra no nosso assunto). E num país de iletrados como o nosso, saber um pouquinho já é larga vantagem, você não acha? Em terra de asno, esforçado é gênio. Há aqueles que nascem para ser tapetes. No regime que vivenciamos há fluxo. Fluxo de capitais? Claro, mas veja só: a condição social do indivíduo dependerá invariavelmente de seus anos de estudo e da qualidade desses estudos (se provindo do governo, de corporações lucrativas…). É claro que quem nasce pobre terá de estudar o dobro porque o nível educacional de seus pais e da vizinhança são inferiores e a escola municipal/estadual/federal é uma palhaçada, mas ficar de braços cruzados é pedir para agravar essa situação. O filhinho de papai precisa estudar muito menos que o pobretão para chegar no mesmo lugar, não nego. Quem disse que o mundo era justo? Não é papel do Estado (talvez fosse, mas, sabe como é, o nosso – em específico – é deveras preguiçoso, um mantenedor dos hiatos sociais) nivelar a instrução de todos. É a função de cada um. Pensem nos próprios narizes. Quando muito nos narizes de sua família. Pare de futucar este Blog e vá ler um livro.
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Rafael Aguiar