Minha ex-namorada é o retrato mais cru do atraso mulheril desse Brasil. Especialmente do atraso MENTAL mulheril (não estou generalizando, mas quando falamos em “mente atrasada” a das mulheres – justamente por ser o sexo frágil – logo vem à tona, nem adianta discutir).
Nem sou machista. Sou uma vítima. Vou te explicar: antes de ir ao trabalho, hoje (detalhe: fui e já voltei, foi um ótimo dia. Sou jornalista. Pedi demissão. Sou maluco. Doidão), decidi comprar grafite. É. Não sou pixador não. Queria aquele calibre 0.5mm para minha lapiseira preta. Não é nenhuma analogia de tira, tampouco. SOU JORNALISTA. E como todo jornalista, tenho as minhas manias. Uma delas é encasquetar que devo comprar grafite zero ponto cinco ainda que esteja abastecido de muitos deles. Tão abastecido que hoje não acabaria mesmo se eu passasse todos os minutos de meio-dia até meia-noite só escrevendo, e depressa. Acontece que quis comprar. A papelaria, onde bastante desse tal grafite (que suja nossas mãos, é um saco, prefiro lápis, mas lápis também quebra a ponta muito fácil – não ligue para minha implicância com todas as coisas: pior mesmo é o grafite 0.2; e as lapiseiras que utilizam grafite 0.2!) é vendido, fica acima da parada. A parada. A parada sempre abarrotada, suada e movimentada. Movimento é o contrário de parada (e está no masculino, ademais). Mas é sinônimo, quando é parada de ônibus. Então saí de todo esse movimento, de todo aquele rebuliço. Esse – aquele. Essa transisão demonstra que estava perto da balbúrdia. Daquelas pessoas suadas pelo trabalho no turno da manhã esperando a lotação para embarcar e se melar no suor dos outros. Sim, que estava perto delas. E que de repente me distanciei (“aquela”). Aquela é para coisas distantes. Quanto mais distante da parada, mais perto da tal papelaria (e é um saco: toda hora eles mudam o grafite de prateleira e banco o bobo o tempo todo para aquela caixa/balconista, uma menina que vende toneladas de grafite e quase nunca escreve. Eu hein…). Tá. Cheguei à porta.
Ops.
Eu esqueci que o propósito do texto era demonstrar o atraso mulheril no Brasil. Se fosse só para narrar minhas desventuras até desembolsar 4 reais para comprar duas caixas de grafite (com troco de supostos 2 centavos: só vim a receber 1!), aí sim o parágrafo acima cairia muito bem. Mas no meio do caminho entre a parada (de ônibus) e a papelaria (que me lembra ônibus, porque eu “banco” o bobo para a balconista e no ônibus tem banco – ou algo duro que com este parece), o meio-termo entre o “esse” e o “aquele”, eu cruzei com a melhor amiga. Não tenho melhor amiga. Seria um atraso ter melhor amiga/retrato-do-atraso-mulheril-do-Brasil. Vai que um dia ela sai com um costa-riquenho por aí e… (peraí, não devo entregar o mote desta prosa antes do horário). Tenho boas amigas, mas “melhor” amiga mesmo só quando é melhor amiga dos outros e vem falar comigo. E quanta intimidade. Parece até que era a melhor amiga minha mesmo. Era (é, se bem que aquela pessoa morreu pra mim – aquela: distante, distante, far, far away…) a melhor amiga da minha ex-namorada. Eis o ponto capital! Você que agüentou ler até aqui… eu PROJETEI ISSO! Projetei que quem não leu até aqui não fosse ler mesmo. Esses são de estômago fraco (ou então comem grafites, ao invés de com eles escrever). Enfim: até a sua descrença nos meus projetos e planos é um projeto meu. Eu projetei que você, que chegou até aqui, achasse esse texto aborrecido. Mas vai continuar, porque quer saber a relação entre grafite, mulher burra e ex-namorada.
Daí que essa amiga (longe de ser melhor: aquela, aquelazinha…) veio me dizer que aquele (aquele… aponto para o vácuo) pedaço grotesco de burrice (minha ex, claro) se arrependera de ter me largado por um estrangeiro. “O melhor do brasileiro é que ele entende essas coisas fácil”. Um costa-riquenho metido à besta, do alto de seus 42 anos (nossa, será que o pinto dele ainda levanta?). Eu tenho 18. Ela 22. Êta mulherada burra. Não sabe se libera o cofre para os recém-nascidos ou para os velhos gagás. Aliás, eu tinha 17 àquele tempo. Ah, férias de janeiro. Janeiro último. Minha barba nem era rala… Rala como um grafite.
Prosseguindo, veja que toda mulher burra se vende. Vende-se para o estrangeiro. Não estou nem aí para o FM…Ih, nem para isso de neoliberalismo. Mas o patrimônio nacional, que nem faço mais questão de proteger (nossas mulheres), quando não devidamente inteligentes, vendem-se ao mercado externo. A um gringozinho qualquer. Só porque quando bêbado ele erguia mas o queixo, o que fazia com que sua cabeleira grisalha ficasse oculta e “para trás”. Para trás no ângulo de visão de quem o olha de frente. E a imbecil/ex-namorada era balconista (de novo isso… e ela também escrevia muito pouco, mas não vendia grafites) do bar. O bar. Não vou falar porque é capaz de ela ainda estar lá. E você leitor não vai pesquisar. E de qualquer modo não vai chifrar ninguém: ela virou uma pobre coitada. Balconista e cliente. Um fica de frente para o outro. Legal. Deve dar para trocar muitos olhares.
Mas, então, o cara, velho, ficou cansado. Além de o tempo tê-lo deixado cansado por si mesmo (deve ter as costas encurvadas), ele cansou dela. HAHAHA. E ela se arrependeu. Vou correndo para a inútil da balconista (ops, aquela?). Não. Mas meu ego inflou. Andava tendo muitos sonhos de corno. Agora isso acabou. Porque descobri que usando esse grafite que não faz mal a ninguém eu posso expressar minhas emoções e esquecer das balconistas que me atendem mal, e atendem aos outros bem…
Não foi de grafite. Eu digitei direto no note pad. Mas tudo nasceu de uma conversa com o dono deste site. Ele está rindo. Um dia vou cobrar participação nos lucros dele aqui. Falo sério. Pedi demissão. Como vou comprar meus grafites?
De: Anônimo [se você sabe meu estilo de escrita é como se tivesse me visto pelado - sabe exatamente quem sou eu]
Wormsaiboty