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Andava pelas ruas de New York e parei em uma banca, estranhei a publicação que ví, chamava-se High Times. Para quem não conhece, trata-se de uma revista que fala sobre drogas, principalmente, maconha. Conta todas as novidades, ensina a plantar e premia as fotos com os melhores pés de maconha enviadas pelos leitores. Isso é democracia!

 

Em Los Angeles, resolvi comprar um celular, fui à uma loja especializada, perguntei o preço, custava 25 dólares. Entreguei o dinheiro com uma mão e recebi o aparelho com a outra. Ainda recebi dez dólares de crédito para fazer ligações. Não precisei mostrar nenhum comprovante ou qualquer tipo de identidade. Isso é democracia!

 

No meio oeste americano existe uma igreja chamada “Igreja Mundial do Criador”. Seus seguidores acreditam na soberania da raça branca e fretam excursões para disseminar o ódio. Costumam ir à enterros de soldados que estavam na guerra do Iraque e levam placas do tipo “Ele mereceu morrer!” e “Vai direto para o inferno”. Isso é democracia!

 

Em Miami, estava no supermercado e ví uma revista de fofoca muito diferente. Ela humilhava as celebridades, tinha um ranking das mais feias e dos que têm o corpo mais caído. E pior, inventava notícias. Isso é democracia!

 

No centro de Manhattan, exatamente no Times Square, quase todos os dias aparece um sujeito negro que leva consigo um palanque e um sistema de som. Fica xingando os brancos que passam e fala da superioridade negra. Isso é democracia!

 

Claro que nós brasileiros achamos um absurdo tudo isso, afinal isso é inconcebível para a nossa cultura. Isso acontece porque não vivemos em um país realmente democrático, não entendemos nem mesmo como funciona e preferimos falar mal dos Estados Unidos. Na verdade falamos um bando de bobagem por não entender ou por pura ignorância em relação ao país. Não importa se a opinião está errada ou não, o que importa é você ter a liberdade de ter opinião. Um dia chegamos lá! 

 

Demorô (Roberto Pantoja) 

Hoje (05/03/2008) tem votação no STF. Mais uma! Dessa vez a coisa é séria, o país decide de vez se as células-tronco embrionárias serão liberadas para pesquisa. O que deveria ter uma vitória certa, pela importância na vida de milhões, enfrenta um enorme entrave. Qual? A religião!

 

A CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) está revoltada com a proposta de proseguir com as pesquisas por considerar um ato anti-cristão, um aborto. Sendo assim, mais uma vez a religião se mete em assuntos que desconhece, pondo em questão a autoridade do Estado. Se a ação ganhar, as chances de pararmos no tempo, de novo, é grande. Afinal a Terra é redonda ou não é? 

 

A religião usa a ignorância das pessoas para mover montanhas e o seu pensamento crítico. Acredita até hoje em uma ditadura de opinião, que não obedece democracia, liberdade e nem direito individual, que são, no final das contas, a mesma coisa. E assim usa o aborto como tabu para suas investidas contra a evolução, tabu esse que mata milhões de pessoas por ano. 

 

Não se sabe ao certo quantas mulheres morrem em todo o mundo por serem obrigadas a realizar aborto de forma clandestina. Em Brasília chegam todos os dias, nos hospitais públicos, dezenas de meninas com sangramento causado por abortos “involuntários”. Você não sabia disso? Claro, notícias como essas não são divulgadas no maior país católico do mundo. É um desastre o que acontece com essas garotas. 

 

Agora imagine quantas pessoas são contaminadas pelo vírus da AIDS? Quantas crianças são abandonadas? Tudo por conta da proibição religiosa quanto ao uso da camisinha! Para a igreja, o sexo foi criado para a procriação, e se quiser evitar DSTs (doenças sexualmente transmissíveis) prefira a abstinência sexual. Você já parou para pensar nisso? Ou tem medo de tocar nesse assunto? 

 

A melhor solução para quem não concorda em abortar é muito simples, não aborte! Agora não se meta na vida de alguém que prefira isso a largar um ser humano na rua, com fome e sem futuro. 

 

O filme “Juno” discute de maneira inteligente a gravidez de uma adolecente. Aborda temas de maneira impensável em um país como o nosso, ao tratar com tamanha naturalidade questões como aborto e adoção. Vai ver que é por isso que lá os países são chamados de nações desenvolvidas e aqui de subdesenvolvidas. Vamos ver se mudamos, hoje, de patamar na escala evolutiva do pensamento. Boa sorte Brasil.

 

Demorô (Roberto Pantoja)

Aleluia

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Sexta à noite, um jantar para arrecadar dinheiro para profissionais da área de saúde. Para irem ajudar pessoas necessitadas em Guiné-Bissau, África. Uma parceria com a premiadíssima ONG “Médicos Sem Fronteiras”. Algo lindo, realmente tocante. Foi o que pensei, cheguei lá e já descobri que era o “jantar da igreja”. Tudo bem vamos lá. Cheguei atrasado e dei de cara com um pastor falando sobre a viagem. Primeiro disse que o país tinha diversos deuses, e que não existia uma bíblia traduzida na língua local. E daí? Depois disso o jantar virou missa e a ajuda humanitária virou “missão”. Até rezamos antes de comer, abaxei a cabeça de vergonha. Resumindo, disseram que ajudariam com apoio médico e espiritual, iriam levar fé. Levar fé? Essa foi de doer. Escutei tudo aquilo e fiquei triste. Naquele momento aquele programa humanitário não me interessava mais, parecia mais uma grande hipocrisia. Para começar podiam começar ajudando os moradores do lixão na estrutural, aqui em Brasília mesmo, é mais perto. E acreditem a situação deles pode ser pior. Depois, esse papo de fé me faz lembrar a Idade Média. Quando a igreja católica desembarcou no Brasil no seu descobrimento, e trouxe essa mesma “fé” para os índios. Alguma semelhança com o nazismo? Absurdo? Pensem bem, todos esses exemplos querem impor uma cultura dita como superior. No que Hitler acreditava? Na superioridade da raça ariana. Correto? Principalmente na superioridade das suas crenças. Se Hitler tivesse nascido na Nigéria, iria impor a superioridade da raça negra e nos seus rituais. O resto, lógico, seria considerado inferior. Simples assim. Subjulgar uma raça e suas crenças é um absurdo. Guiné-Bissau não é pior por não ter uma bíblia traduzida, ou por seus habitantes falarem em dialetos. Isso é a cultura deles. Deve ser respeitada, nenhuma cultura ou raça é superior a outra. Isso é um crime contra a humanidade. Deveria dar cadeia. E geneticamente falando não existe raça, somente culturalmente. Impor uma cultura, uma crença é algo abominante. Incrível que existem coisas desse tipo nos dias de hoje e bem aqui em Brasilia. Isso é um atraso, faz de uma causa tão nobre se tornar um motivo irrelevante. Morrer de AIDS, fome ou pisando em minas terrestres parece pouco. Aleluia! 

 

Roberto Pantoja (Demorô)