O ser humano antigo, ainda quando esteve vulnerável aos predadores usou seu psiquismo para reagir contra um ambiente indefinido, cercado de armadilhas naturais. Foi criando muros e se socializando cada vez mais, chegando à forma urbanística que caracteriza o homem moderno.
Naturalmente, o progresso material foi se transformando em social e os exemplos de melhoria na qualidade de vida das pessoas demonstraram o caráter qualitativo dos avanços científicos. Todavia, a liberdade
adquirida para a profanação das descobertas técnicas foi fruto da revolta social e do pensamento filosófico contra o milenarismo cristão.
Assim, o progresso e a religião se misturaram criando a “religião do progresso” que é o capitalismo. Este, com isso, adquire um caráter não só político e social mas também teológico . Para Max Weber, o capitalismo moderno é uma religião originária de uma transformação do calvinismo, baseada na generalização do desespero.
Segundo a religião do capital, a única salvação reside na intensificação do sistema, na expansão capitalista, no acúmulo de mercadorias e na obsessão por novas tecnologias, mas isso só faz agravar o desespero da expansão global, impossível de deter e da qual não podemos escapar. A inquietude religiosa vem, portanto, constatar o aspecto quantitativo desse sistema dinâmico.
Porém, idéias como as de Jacques Julliard refutam esse conceitos. Ele acredita na similaridade do progresso com o aperfeiçoamento infinito da espécie humana, além de relacionar a moral do cristianismo num mundo pós-cristão como algo sem valor, definindo a sociedade como atéia. Ele esquece, porém, do caráter “culpabilizador” e subconsciente que rege as relações capitalistas.
Portanto, relacionar passado, presente e futuro sob os moldes do progresso é considerarmos toda a dependência e o aprisionamento que o sistema capitalista impôs. Pois, ao invés de cultuarmos santos e deuses em quadros ou estátuas, nós valorizamos “divindades” expostas em notas que regem o sistema monetário internacional.
Isis Aguiar