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Muros sociais

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A cada dia o mundo se torna mais dividido e individualista. Afinal, quem é que está preocupado com alguma outra pessoa senão consigo mesmo nos dias de hoje. Este é um reflexo da sociedade em nós, fazemos parte de um esquema muito maior, que abrange não só nossa vizinhança ou outros estados de nosso país, abrange o mundo! O mundo hoje se mostra a cada dia mais fragmentado, em pró da defesa dos interesses próprios, em pró da filosofia do umbigo. Cada um olhando para o próprio umbigo e ponto. 

 

A notícia provoca incômodo, provoca indignação, provoca risos e provoca medo. A notícia a que me refiro é a de que os Estados Unidos da América (EUA), está aprovando a construção de um muro na fronteira do país com o México. Os EUA que há muito tempo enfrenta problemas imigratórios neste trecho, como foi retratado pela novela “América” realizada pela Rede Globo, onde a protagonista “Sol”, personagem da atriz Débora Seco, imigrava para os EUA em busca de oportunidades de emprego. Quem não se lembra dessa história? Esse é o retrato daquilo que os EUA buscam controlar com a construção de um muro, dividindo os dois países. Resolvendo assim, por meio dessa solução mágica, um problema que é socieconômico e foge ao controle dos Norte Americanos. 

 

Vai-se o muro de Berlim em 9 de novembro de 1989, reunificando duas Alemanhas divididas e agora pensa-se na construção de um novo muro, com uma justificativa distinta para sua construção, mas com o mesmo pensamento, que acredito ser limitado, o de “isolar” aquilo que incomoda, como se isso fosse possível ou fosse a solução dos problemas imigratórios nos EUA. A diferença entre os muros que procuro comparar é que em 1961 um muro foi erguido para que pessoas não saíssem de determinado país, e agora em 2007 um muro pode ser erguido para que pessoas não entrem em determinado país. 

 

 

Minha proposta não é tomar partido ou ficar contra o fato, a proposta é não ignorar o que está acontecendo e fingir que isso nada tem a ver comigo. O que está acontecendo nos EUA acontece na minha e na sua rua. A cada dia erguemos muros sociais, buscamos isolar o que nos incomoda, trancamos, separamos com muros,… E por que fazemos isso? Por que temos medo? Ou será que achamos engraçado? Muitas vezes é melhor abafar a panela de pressão que está no fogo, mas esquecemos de nos lembrar que se não apagarmos o fogo, poderemos conter essa pressão por pouco tempo. 

 

 

Você está do lado de quem? Você é a favor ou contra?

 

Não importa! Por mais que se grite, acho que ninguém vai lhe dar ouvidos. Esse é o pensamento individualista, e por nutrir esse pensamento por tanto tempo, acabamos construindo muros ao invés de construirmos soluções possíveis que modifiquem o final da história. Que se erga o muro! Os problemas socioeconômicos continuarão existindo, os imigrantes, muito mais criativos, desenvolverão novas “técnicas” e continuarão em busca de melhores oportunidades. É até possível que o número de imigrantes seja reduzido com essa medida, mas ainda assim, deixa de ser uma solução. E se os imigrantes continuarem entrando nos EUA, como particularmente acredito que vai, para que terá servido essa “idéia maravilhosa” de se construir um muro? Como eu disse anteriormente, é possível abafar uma panela de pressão no fogo, mas sem apagar o fogo, não há como evitar a explosão. 

 

 

Desejo que não nos faltem idéias criativas, soluções reais e possíveis e que cada um aprenda a apagar o fogo ao invés de abafar a panela. 

 

 

Kayano é Psicólogo, ator e está concluindo um curso de formação em Psicodrama.

 

Kayano 

Hoje aconteceu um fato engraçado. Lá estava eu almoçando antes de voltar ao trabalho, enquanto um casal sentado na mesa ao lado discutia a relação. Ambos estavam se queixando de que eles não eram mais os mesmos e que não estavam mais satisfeitos com a companhia um do outro. Aquela discussão me chamou a atenção, pois fiquei me questionando sobre quantas pessoas já viveram ou vivem presos nessa mesma situação. 

 

As pessoas em geral, independente de classe social, credo ou cor, constroem ao longo da vida lógicas afetivas de conduta, o que explica e dá sentido para as nossas relações e para a maneira como nos relacionamos. Tudo funciona como um modelo de chave e fechadura, ou seja, cada chave abre determinada fechadura. Assim são as relações, elas começam de alguma forma e em algum momento. De acordo com a vontade de ambos (chave e fechadura) essa relação se desenvolve e toma um rumo. Sendo assim, acredito que nada acontece por acaso e se por acaso isso for possível, existe a sincronicidade, termo com um significado que me permite repetir que nada acontece por acaso. 

 

Talvez eu não seja tudo aquilo que você imaginava que eu fosse.

 

Talvez eu não seja tudo aquilo que você gostaria que eu fosse. 

 

Muitas vezes nem percebemos, mas se pararmos um pouco para prestar atenção nas diversas relações que estabelecemos, possivelmente iremos perceber que as histórias por mais que comecem de uma forma muito específica, em cada um desses diversos casos, terminam de uma forma muito parecida. Será que a fulana é tão parecida com a siclana? Elas nem ao menos se conhecem! Bom, o que importa é que nós somos os mesmos e buscamos a mesma fechadura (pessoas com lógicas afetivas de conduta semelhantes com outras que estabelecemos relações anteriormente). Buscamos alguém que nos complemente. 

 

Talvez você não seja tudo aquilo que imaginei que você fosse.

 

Talvez você não seja tudo aquilo que eu gostaria que você fosse. 

 

O que quero mostrar após falar sobre tudo isso é que existe uma saída, que pareceu sempre estar debaixo do nariz e nem percebemos que estava ali. A saída é ser autêntico desde o início, aprender a trocar, a lembrar que aquela outra pessoa também constrói expectativas e que ela também tem seus desejos. 

 

Os dois brigavam e estavam aborrecidos. Estavam tão preocupados em realizar os próprios desejos e ficarem satisfeitos, que esqueceram de perguntar se o outro estava satisfeito. 

 

Precisamos lembrar que não podemos cobrar ou exigir das pessoas mais do que elas conseguem dar. Se eu sou uma pessoa fria, com dificuldades de demonstrar carinho e afeto, será difícil manter uma relação com alguém que exige que eu seja atencioso e carinhoso em demasia. Podemos tentar respeitar e aceitar aquilo que as outras pessoas conseguem nos oferecer, assim, elas também poderão respeitar e aceitar o que nós temos para oferecer. 

 

As relações existem para que possamos estabelecer trocas, para que possamos criar juntos, devendo sempre ser uma nova relação com cada novo indivíduo, pois as pessoas são diferentes e por isso demandam relações distintas. Se continuarmos seguindo o mesmo padrão nas relações, certamente saberemos onde elas irão dar. Cabe a cada um decidir aonde quer chegar. Contradizendo uma famosa frase: O céu não é o limite. O limite está dentro de nós. 

 

Kayano é Psicólogo, ator e está concluindo um curso de formação em Psicodrama.

 

Kayano 

Are you piss off?

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Como sempre digo: é muito mais fácil ser infeliz. Como podemos observar ao olhar para o céu, o sol continua nascendo e se pondo todos os dias no mesmo horário. Assim como o sol, algumas pessoas repetem esse mesmo movimento do sol e continuam fazendo sempre a mesma coisa e constantemente se queixam de suas famílias, de seus amigos, reclamam do trabalho e conseguem ver pontos negativos em tudo aquilo que estão destinadas a realizar, ou melhor, destinadas a sofrer e não realizar. É muito mais fácil ser infeliz para poder justificr ficar parado.

 

Acredito que o problema não esteja no ato de se queixar das situações, mas sim, no fato de que esta queixa muitas vezes é apenas uma desculpa, seja ela consciente ou inconsciente, para não tomar decisões, para não partir do estado de inércia para a ação. 

 

No fim da história, essas pessoas ainda se sentem mal e ficam frustadas com a própria conduta. É muito mais fácil ser triste, ficar quieto, calado, se escondendo de tudo e de todos. Na verdade falta coragem às pessoas, falta acreditar num potencial que já existe mas não é conhecido, mesmo estando dentro de cada um e falta ainda determinação. 

 

Parece mesmo que este é o tempo das pessoas sem objetivo, ninguém quer nada, mas ao mesmo tempo, todos querem tudo e assim continuamos esperando que alguém menos infeliz do que nós tome uma atitude e faça por nós tudo aquilo que nos boicotamos a fazer, pois assim seria mais fácil saber perder e aprender a colocar o rabo entre as pernas. 

 

Acredito que falta ser espontâneo! Ninguém parece mais ser interessante, todos são fúteis, vazios e contam histórias de algum amigo do primo de um amigo seu. A verdade é essa, tem muita gente gozando com o “pau” dos outros. Falta criatividade, falta o relato da verdade.

 

Eu gostaria de fazer um apelo, pedir que se faça uma corrente em pró da determinação. Muitas coisas são difíceis mesmo, talvez para alcançar um objetivo seja preciso correr atrás mais do que se deseja, tomar alguns tombos e aprender a levantar e prosseguir, sofrer um pouco pois obstáculos não são simples, se fossem, não seriam obstáculos e aprender a ter atitude e correr atrás dos sonhos. Como diz o ditado: ” água mole em pedra dura, tanto bate até que fura!” 

 

Seja essa água, flexível, adaptável, que pode contornar obstáculos, mas no fim, alcança seu objetivo. A pedra, rígida, segura de si, dura mesmo, apenas afunda, apenas espera até que um dia fura! E no fim da história o que parecia fraco foi eficiente, enquanto que a fortaleza caiu por água abaixo. 

 

O sol continua nascendo e se pondo todos os dias no mesmo horário. Assim, algumas pessoas podem aproveitar para fazer escolhas, e nascer a todo momento e se pôr na hora que achar que devem. Atitude, determinação, objetivo e ação. Quem não precisa?

 

Kayano é Psicólogo, ator e está concluindo um curso de formação em Psicodrama.

Kayano