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Protejam os emos!!!

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Me encontrava em uma cidadezinha na Alemanha chamada Düsseldorf, já era umas nove da noite, voltava de trem e quando sai da estação começou uma enorme porrada! De um lado garotos emos que estavam conversando numa boa, do outro furiosos punks que chegaram socando a cara de um deles. Os emos tem cara de bonzinho, mas não são otários e revidaram com mais violência. Quando foi ver já estava rolando uma porrada de umas 50 pessoas. A cidade parou! Em cinco minutos a estação foi fechada e havia dezenas de carros da polícia! Quem não correu a tempo foi preso!

 

Programa do Gugu, Rodolfo do antigo “ET e Rodolfo” se vestiu de emo. Cabelo de lado, roupa preta, visual “glam”! Estava andando pelo centrão de Sampa, do nada aparece um punk e mete um soco na cara dele. A produção aparece e o cara corre! Coisa feia!

 

Em várias pequenas cidades do México a polícia foi acionada para proteger os emos. Punks e garotos do estilo rockabilly declaram guerra aos que eles chamam de “emosexual”. Liderado pelo grupo auto-denominado “Movimiento Anti Emosexual”. As cidades estão em estado de sítio.

 

Me pergunto porque o movimento crescente de emos incomodam tanto as gangues de punks e rockabilly? Por que pessoas se identificam tanto com grupos ao passo de agredirem outras pessoas? Mente fraca? Já ví manifestações semelhantes no Pátio Brasil, existe coisa mais imbecil? Cada um na sua, afinal a vida é de quem?

Demorô (Roberto Pantoja) 

A Indústria Cultural é um conceito dos países capitalistas: quando emergem movimentos alternativos, alheios ao establishsment, a regra é explorá-los economicamente. Se não for possível, que se os sufoque. Um exemplo é o movimento Punk, antes associado ao Anarquismo. Hoje o Punk é um naco do mercado fonográfico e também do de vestuário, com bandas em grandes gravadoras, lançamentos de luxo, calças, tênis e camisetas temáticas, além, claro, de muito espaço na mídia. 

 

Vestir-se de modo propositadamente descuidado, usar um penteado desgrenhado e mostrar apreço por grupos musicais como os Ramones ou Sex Pistols já foi motivo para ser fichado na polícia. Atualmente, são práticas permitidas e inclusive estimuladas por setores da indústria – afinal, o fluxo da dinheirama não pode parar! A Indústria Cultural apregoa isso mesmo: a apropriação das formas de expressão do ser humano pela Economia.

 

Nesse cenário – se horroroso ou aceitável depende do seu ponto de vista -, Brasília, de onde saíram tantas bandas de rock consideradas alternativas em décadas passadas, é palco de discussão pertinente: o usufruto do espaço público por minorias ou subculturas. Na marquise do Pátio Brasil Shopping (Asa Sul), antigo reduto rockeiro às sextas-feiras e sábados, o movimento dos jovens cabeludos vestidos de preto começou a incomodar a administração do local, que mandou isolar as muretas da escadaria de acesso pela via W3 Sul e instruiu seguranças a afastar bandos das proximidades. Regilene, representante administrativa, se limitou a dizer que “não ficava legal aquela multidão”. Para ela, as dúvidas por mim suscitadas eram irrelevantes, pois não passavam de “tarefa de casa de estudante de Jornalismo”. Ah bom!

 

Sem falar que ela não quis fornecer sobrenome para a matéria nem esclarecer uma suspeita de que o motivo verdadeiro para a proibição da aglomeração rockeira naquele ponto fora a detecção de tráfico de drogas. A Polícia Militar sempre surgia nos dias de reuniões dos jovens, aplicando a Lei a quem não fosse maior de idade e estivesse ingerindo bebida alcoólica, além de indiciar um ou outro flagrado com maconha, o que era ocorrência rara e se enquadra na tipologia de “usuário”, que não pode ser preso. Tráfico, mesmo, nunca foi provado. Regilene disse que o setor de Marketing retornaria a ligação, coletou meu celular e telefone de domicílio e… nada.

 

Rafael Aguiar