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Hoje (05/03/2008) tem votação no STF. Mais uma! Dessa vez a coisa é séria, o país decide de vez se as células-tronco embrionárias serão liberadas para pesquisa. O que deveria ter uma vitória certa, pela importância na vida de milhões, enfrenta um enorme entrave. Qual? A religião!

 

A CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) está revoltada com a proposta de proseguir com as pesquisas por considerar um ato anti-cristão, um aborto. Sendo assim, mais uma vez a religião se mete em assuntos que desconhece, pondo em questão a autoridade do Estado. Se a ação ganhar, as chances de pararmos no tempo, de novo, é grande. Afinal a Terra é redonda ou não é? 

 

A religião usa a ignorância das pessoas para mover montanhas e o seu pensamento crítico. Acredita até hoje em uma ditadura de opinião, que não obedece democracia, liberdade e nem direito individual, que são, no final das contas, a mesma coisa. E assim usa o aborto como tabu para suas investidas contra a evolução, tabu esse que mata milhões de pessoas por ano. 

 

Não se sabe ao certo quantas mulheres morrem em todo o mundo por serem obrigadas a realizar aborto de forma clandestina. Em Brasília chegam todos os dias, nos hospitais públicos, dezenas de meninas com sangramento causado por abortos “involuntários”. Você não sabia disso? Claro, notícias como essas não são divulgadas no maior país católico do mundo. É um desastre o que acontece com essas garotas. 

 

Agora imagine quantas pessoas são contaminadas pelo vírus da AIDS? Quantas crianças são abandonadas? Tudo por conta da proibição religiosa quanto ao uso da camisinha! Para a igreja, o sexo foi criado para a procriação, e se quiser evitar DSTs (doenças sexualmente transmissíveis) prefira a abstinência sexual. Você já parou para pensar nisso? Ou tem medo de tocar nesse assunto? 

 

A melhor solução para quem não concorda em abortar é muito simples, não aborte! Agora não se meta na vida de alguém que prefira isso a largar um ser humano na rua, com fome e sem futuro. 

 

O filme “Juno” discute de maneira inteligente a gravidez de uma adolecente. Aborda temas de maneira impensável em um país como o nosso, ao tratar com tamanha naturalidade questões como aborto e adoção. Vai ver que é por isso que lá os países são chamados de nações desenvolvidas e aqui de subdesenvolvidas. Vamos ver se mudamos, hoje, de patamar na escala evolutiva do pensamento. Boa sorte Brasil.

 

Demorô (Roberto Pantoja)

O capitalismo como religião

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O ser humano antigo, ainda quando esteve vulnerável aos predadores usou seu psiquismo para reagir contra um ambiente indefinido, cercado de armadilhas naturais. Foi criando muros e se socializando cada vez mais, chegando à forma urbanística que caracteriza o homem moderno. 

 

Naturalmente, o progresso material foi se transformando em social e os exemplos de melhoria na qualidade de vida das pessoas demonstraram o caráter qualitativo dos avanços científicos. Todavia, a liberdade 

 

adquirida para a profanação das descobertas técnicas foi fruto da revolta social e do pensamento filosófico contra o milenarismo cristão. 

 

Assim, o progresso e a religião se misturaram criando a “religião do progresso” que é o capitalismo. Este, com isso, adquire um caráter não só político e social mas também teológico . Para Max Weber, o capitalismo moderno é uma religião originária de uma transformação do calvinismo, baseada na generalização do desespero.

 

Segundo a religião do capital, a única salvação reside na intensificação do sistema, na expansão capitalista, no acúmulo de mercadorias e na obsessão por novas tecnologias, mas isso só faz agravar o desespero da expansão global, impossível de deter e da qual não podemos escapar. A inquietude religiosa vem, portanto, constatar o aspecto quantitativo desse sistema dinâmico.

 

Porém, idéias como as de Jacques Julliard refutam esse conceitos. Ele acredita na similaridade do progresso com o aperfeiçoamento infinito da espécie humana, além de relacionar a moral do cristianismo num mundo pós-cristão como algo sem valor, definindo a sociedade como atéia. Ele esquece, porém, do caráter “culpabilizador” e subconsciente que rege as relações capitalistas.

 

Portanto, relacionar passado, presente e futuro sob os moldes do progresso é considerarmos toda a dependência e o aprisionamento que o sistema capitalista impôs. Pois, ao invés de cultuarmos santos e deuses em quadros ou estátuas, nós valorizamos “divindades” expostas em notas que regem o sistema monetário internacional.

 

Isis Aguiar

Aleluia

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Sexta à noite, um jantar para arrecadar dinheiro para profissionais da área de saúde. Para irem ajudar pessoas necessitadas em Guiné-Bissau, África. Uma parceria com a premiadíssima ONG “Médicos Sem Fronteiras”. Algo lindo, realmente tocante. Foi o que pensei, cheguei lá e já descobri que era o “jantar da igreja”. Tudo bem vamos lá. Cheguei atrasado e dei de cara com um pastor falando sobre a viagem. Primeiro disse que o país tinha diversos deuses, e que não existia uma bíblia traduzida na língua local. E daí? Depois disso o jantar virou missa e a ajuda humanitária virou “missão”. Até rezamos antes de comer, abaxei a cabeça de vergonha. Resumindo, disseram que ajudariam com apoio médico e espiritual, iriam levar fé. Levar fé? Essa foi de doer. Escutei tudo aquilo e fiquei triste. Naquele momento aquele programa humanitário não me interessava mais, parecia mais uma grande hipocrisia. Para começar podiam começar ajudando os moradores do lixão na estrutural, aqui em Brasília mesmo, é mais perto. E acreditem a situação deles pode ser pior. Depois, esse papo de fé me faz lembrar a Idade Média. Quando a igreja católica desembarcou no Brasil no seu descobrimento, e trouxe essa mesma “fé” para os índios. Alguma semelhança com o nazismo? Absurdo? Pensem bem, todos esses exemplos querem impor uma cultura dita como superior. No que Hitler acreditava? Na superioridade da raça ariana. Correto? Principalmente na superioridade das suas crenças. Se Hitler tivesse nascido na Nigéria, iria impor a superioridade da raça negra e nos seus rituais. O resto, lógico, seria considerado inferior. Simples assim. Subjulgar uma raça e suas crenças é um absurdo. Guiné-Bissau não é pior por não ter uma bíblia traduzida, ou por seus habitantes falarem em dialetos. Isso é a cultura deles. Deve ser respeitada, nenhuma cultura ou raça é superior a outra. Isso é um crime contra a humanidade. Deveria dar cadeia. E geneticamente falando não existe raça, somente culturalmente. Impor uma cultura, uma crença é algo abominante. Incrível que existem coisas desse tipo nos dias de hoje e bem aqui em Brasilia. Isso é um atraso, faz de uma causa tão nobre se tornar um motivo irrelevante. Morrer de AIDS, fome ou pisando em minas terrestres parece pouco. Aleluia! 

 

Roberto Pantoja (Demorô)