Thomas L. Friedman escreveu no seu livro “O mundo é plano” que estamos em um momento da história em que a globalização diminui o tamanho do Terra, ou seja, todos têm acesso a tudo.

 

O professor de Harvard, Pankaj Ghemawat, afirma que o livro é equivocado, que a globalização não atinge sequer 10% da população e pior ainda, menos de 30% dos produtos. Afirma também que no século XIV era mais fácil ingressar em um país estrangeiro do que hoje. 

 

O mundo ainda não é plano e a maior prova disso é a confusão entre a Espanha e o Brasil vista nesta semana. Como já é sabido, um grupo de brasileiros foi barrado ao ingressar na Espanha. Até aí tudo bem, afinal todos têm experiência ou sabem de casos semelhantes. O problema é que nesse caso não existia nenhum motivo aparente para proibir a entrada dos brazucas em solo espanhol. Aliás, um deles estava fazendo mestrado no país! 

 

O que se vê é um mundo com as portas fechadas, e aquele papo de construir pontes entre as nações fica só na teoria; na prática estão erguendo enormes muros. A futura lei da imigração nos EUA é um dos tristes exemplos, principalmente em um país formado por imigrantes. 

 

O pior é que na maior parte dos casos o preconceito é financeiro. Países com uma alta renda per capita não têm visto negado. Já as nações pobres, como a nossa, precisam a cada dia apresentar mais comprovações para ingressar em um país.

 

O destrato que a Espanha está tendo com o povo brasileiro é inaceitável, mas apesar de tudo, não concordo com a teoria “olho por olho, dente por dente”. Expulsar oito espanhóis em Salvador não foi inteligente. O Brasil é mundialmente famoso por ser um país amistoso e nada que mude esta imagem é a melhor solução. A solução deve ser diplomática e não deve afetar o turismo no país, que é minguado. Essa atitude impensada pode ser desastrosa para a economia do país.

 

Demorô (Roberto Pantoja)