
Biólogo pela USP e Mestre em novas tecnologias do ensino – UnB.
Trabalha há 10 anos com Educação a Distância. Atualmente integra a equipe de EaD no Ministério da Justiça.
O que seria um aluno aplicado de educação a distância?
É muito difícil definir. Diferente do que acontece no ensino presencial tradicional, na EaD o aluno assume um papel muito mais pró-ativo. Muitas pessoas que estão acostumadas ao conforto da carteira de uma sala de aula possuem muita dificuldade nos cursos de EaD. A presença do professor torna cômodo o acesso ao aprendizado.
Em um curso de EaD, por vezes nem a figura do professor existe. Cabe ao aluno entender a forma que o conteúdo está disponibilizado e ir em busca do seu aprendizado.
Devido à flexibilidade de horários, o aluno necessita de maior responsabilidade.
Acima de tudo tem que ser um aluno que queira assimilar o conteúdo, que seja organizado e que esteja disposto a se dedicar, pois o esforço será maior.
O que é mais fácil: um curso presencial ou de EaD?
Depende do perfil do aluno. O aluno que faz o curso apenas em busca de um certificado, sem se interessar pelo conteúdo, terá mais facilidade com a EaD. O aluno poderá encontrar varias formas de burlar: colocar outra pessoa para realizar trabalhos e provas, utilizar consultas diversas durantes as provas, tentar ter acesso à prova antes, vendo a de um colega, etc. O que fazer para evitar isso? Na minha opinião, nada! Não devemos sacrificar o curso ou o bom aluno para tentar coibir a malandragem. O foco deve ser a qualidade, e afetá-la provavelmente pouco servirá para impedir esses problemas. Quem quer faz, quem não quer sempre encontrará o seu jeitinho, sem saber que o grande prejudicado é o mesmo.
Qual é o panorama da EaD no país atualmente?
Bastante promissor e muita previsão já está se concretizando. Tivemos a primeira turma de EaD que conseguiu a graduação pela Universidade Aberta (ensino público e a distância). Eles foram submetidos ao Enade e em alguns cursos obtiveram notas melhores do que as conseguidas pelos alunos dos mesmos cursos só que presenciais.
Isso serve para mostrar que a EaD tem evoluído bastante, e saído do espaço corporativo para invadir o acadêmico também.
Qual seria a diferença da Ead corporativa para a acadêmica?
Uma busca conhecimentos, a outra eficiência. A acadêmica é mais dotada de recursos de interação. A corporativa busca economia e rapidez.
Como é a estrutura de um curso de EaD?
Varia bastante dependendo dos objetivos.
Geralmente existe uma plataforma (também chamada ambiente virtual de aprendizagem – AVA). É neste local que acontece o curso. Ela disponibilizará para os alunos: Chat, fóruns, agenda, cronograma, fluxograma e o conteúdo do curso.
Também existe a figura do tutor. Ele é responsável pelo acompanhamento do aluno ao longo do curso. Ele é responsável por tirar dúvidas que aluno possa ter em relação ao conhecimento bem como em relação à estrutura administrativa. Outra função importantíssima do tutor é a motivacional. Uma das maiores causas de evasão é o sentimento de solidão que traz a EaD. Nesse ponto o tutor faz a diferença.
As avaliações geralmente são presenciais, de acordo com a legislação brasileira.
Como que acontecem as interações?
Chat, fórum e troca de e-mail são as mais comuns. Teleconferência, telefone e correio também são soluções.
O Chat parece à primeira vista uma boa solução, até que você presencie um Chat com ao menos 10 colegas tentando debater um tema. È uma torre de Babel, ninguém se entende.
Já o fórum é muito eficiente, pois permite que o aluno participe quando, onde e como quiser. Estudos indicam que em um fórum os alunos conseguem uma interação mais profunda do que a da sala de aula.
Quais seriam bons exemplos de cursos de EaD?
O bom e o ruim vão sempre variar de acordo com o público a qual ele é submetido. Faixa etária, nível de conhecimento de informática, prazer com o computador são alguns dos elementos que devem ser levados em consideração na hora de montar um curso.
Como exemplo de cursos livres, sem necessidade de tutores ou qualquer acompanhamento eu indico:
http://www.centredessciencesdemontreal.com/autopsy/index.htm
Qual é o seu trabalho?
O que eu faço se chama modelador de conteúdo ou designer instrucional. A minha função é, surgida a demanda de algum curso, busca-se uma pessoa que tenha conhecimento sobre a área demandada para que ela selecione o material adequado. Uma vez selecionado esse conteúdo cabe a mim prepará-lo para que possa ser adequado a EaD. Baseado nas possibilidades da EaD, eu busco a melhor maneira de integrá-lo com a ferramenta educacional utilizada (geralmente a internet), e com o público-alvo.
Além disso, sou responsável pela capacitação dos tutores para os cursos de EaD.
Perguntas elaboradas por Andrei Almeida