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O filme “Tropa de Elite” já tem um quê de inédito, é talvez o único filme do mundo que conseguiu ser pirateado três meses antes do seu lançamento. E fui o primeiro a assistir, VIP. Inclusive é um filmaço, a qualidade está perfeita! E acredite, o seu DVD nunca vai estragar por causa de um filme pirata, isso é pura invenção. 

 

O bafafa em torno desse filme é mais uma prova que a pirataria no Brasil e a internet no primeiro mundo vão acabar de vez com as locadoras. Basta olhar os classificados de pontos comerciais de qualquer cidade, estão pipocando locadoras. A Blockbuster foi vendida no Brasil, isso é um mal sinal. E quanto ao cinema? Esse nunca vai acabar. Logo, a venda dessenfreada de “Tropa de Elite” nos camelôs de todo o Brasil, não vão afetar em nada a bilheteria. 

 

O filme nada mais é do que o Brasil, mostra tudo que sentimos vergonha, mas que não mudamos. Até porque, no fundo concordamos, com toda essa malandragem que o brasileiro tem tanto orgulho. É ou não é o que nos diferencia do resto do mundo? Aquilo que adoramos nos gabar em relação aos “gringos”? Quem nunca disse que somos mais espertos, “mais legais”, que gringo não tem sal! Adoramos ser essa nação de vagabundos, esses que adoram se dar bem, onde um passa a perna no outro, e que todos juram que só aqui existem amigos de verdade. E quem sou eu para discordar, sou igualzinho que nem você. 

 

E o filme mostra exatamente isso, uma polícia bandida controlada por bandidos. Um povo malandro que coloca a culpa na polícia, mas que ao mesmo tempo fornece dinheiro ao trâfico usando drogas e comprando filmes piratas. Um país inteiro conrronpido e é exatamente o mêrito do filme. Não coloca a culpa na polícia, pelo contrário, mostra como é mal compreendida, mal vista injustamente. E onde há pessoas que querem fazer o bem, mas se sentem acuadas pelo sistema, por você. E esquecem que não é a pessoa que faz o lugar, mas sim o lugar que faz a pessoa. 

 

No meio desse caos surge o BOPE, uma tentativa de mudar esse país, de tregua, paz. O problema que a solução vem em forma de violência extremada, de tortura, de porrada. É sem dúvida um péssimo exemplo, mas infelizmente parece ser o único. É uma pena. Compre um filme pirata é vá asistir, não se preocupe, assim como você, eu também já desisti. Brasil, ame-o ou deixe-o, não por acaso tanta gente está indo embora.

 

Roberto Pantoja (Demorô) 

Filme Carandiru

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Quem ainda não viu Carandiru está perdendo… Perdendo uma perfeita espetacularização do “massacre” (?) do Carandiru.Se o que aconteceu fosse tão apocalíptico quanto à estória do filme, eu daria meu dedo mindinho pra assistir de perto. E, melhor, daria a mão toda pra conhecer o doutor Drauzio que foi representado! Que homem! Que coração! Mesmo ouvindo as maiores atrocidades cometidas por seus pacientes, aquela alma caridosa e cheia de piedade não faz sequer um julgamento! Não tem sequer uma dúvida, nem mesmo uma opinião! Ou ele é muito santo mesmo ou, simplesmente, acéfalo! Esse é o doutor no filme: um exemplo de imparcialidade e ética! Uma salva de palmas ou uma boa gargalhada?! E o diretor do presídio? Um paizão, hein?! Tão preocupado com os presos e sua integridade… Se o Carandiru ainda estivesse de pé, passaríamos lá para dar lhe um tapinha nas costas! Depois de conhece-lo, todos nós ficamos mais tranqüilos com a possibilidade de ir pra cadeia, não é? Mas a “verossimilhança” do filme não pára por aí! Conheceremos os presos que, de tão humanizados, dá vontade de pôr no colo! Pobres coitados! Estupradores, assaltantes, assassinos, trambiqueiros… Resultado de uma sociedade injusta. Até então, o argumento tem meu apoio, mas e quanto aos “terríveis policiais”? Seus erros não são conseqüência da mesma injustiça? Ou por que o sujeito ganhou um distintivo, um salário ínfimo, uma enorme responsabilidade e uma gama de inimigos ele não tem a faculdade do erro? Espere aí! Enquanto um atira o outro foge das balas! E quem é quem? Você consegue determinar os papéis? Eu não! Quem é a vítima? O bandido atirando contra a policial? O policial atirando contra o bandido? Coitados, se eles parassem pra pensar o quanto são massacrados pelos grandalhões… É melhor que eles não pensem mesmo e continuem com essa brincadeira! Se não, para aonde vamos? Voltemos ao filme… Sim, pobres presos! Policiais malvados! Nenhum preso reagiu. Vou repetir: nenhum preso, entre as centenas que lá estavam, nenhum reagiu. Você acredita? Hector Babenco sim. Já basta? Ainda tem mais. O ápice do filme: a cena em que um preso, após ser ferido, agoniza em close. Detalhe: a luz passando através dos buracos de bala na parede resulta num incrível efeito celestial! Parece até aqueles quadros do Cristo Ressuscitado! Nota 10 para essa fotografia e, principalmente, 10 por incluí-la na edição do filme; afinal, também precisamos rir nas tragédias! Apesar dessas “pequenas” falhas, o filme encontra seu sucesso nas atuações e na cenografia! Destaco a atuação de Rodrigo Santoro como Lady Di, um transexual. O ator mostra sua versatilidade e prova que sua capacidade de atuação vai além de mocinhos. Wagner Moura como Dadá, um jovem viciado em crack, e Gero Camilo, o Sem Chance, ajudante do Dr. Drauzio, também mostram seu talento. Quem diz que cinema brasileiro é sempre artesanal vai se surpreender! A fotografia é realmente muito boa! De qualquer forma, vale à pena conferir! Mas tenha visão crítica, questione o que você viu e, principalmente, o que não lhe mostraram e não saia como a grande maioria dos espectadores: fazendo referências mordazes às mães de nossos “homens da lei”. 

Clara Alice